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Ônibus no 2º turno: TRE-BA manda prender secretário de Mobilidade; 100% da frota em SP

Eleitores fazem fila na calçada para entrar em local de votação na Cidade Estrutural, no Distrito Federal
Eleitores chegam para votar em colégio da Cidade Estrutural, no Distrito Federal, na manhã do segundo turno – Fabio Rodrigues-Pozzebom/Agência Brasil

A Justiça Eleitoral teve de intervir em três estados neste domingo (25) para que eleitores conseguissem chegar à urna. Em Salvador, o Tribunal Regional Eleitoral da Bahia (TRE-BA) determinou a prisão em flagrante do secretário municipal de Mobilidade, Pablo Souza, por crime eleitoral ligado à redução da frota; até a publicação desta reportagem, não havia confirmação de que a ordem tivesse sido cumprida. Em São Paulo, um juiz mandou a prefeitura rodar com 100% da frota de ônibus depois que a coligação do presidente Lula denunciou que a cidade operava com 60% dos veículos. No Pará, mais de 200 pessoas ficaram sem embarcar no porto de Icoaraci, em Belém, rumo ao Marajó, porque a empresa que faz a travessia colocou uma única balsa na linha.

Qual é a regra do transporte no dia da votação?

No dia da eleição, o poder público tem de oferecer transporte coletivo gratuito, com frequência e horários de dia útil. A obrigação vem de decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) de outubro de 2023, detalhada em fevereiro deste ano pela Resolução 23.751, do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), que veda o fornecimento por candidatos, partidos, federações, coligações ou qualquer outra pessoa. O órgão público precisa informar antes a frota, os itinerários, os horários e as modalidades de transporte.

Reduzir a oferta não é falha administrativa menor: a legislação eleitoral prevê reclusão de quatro a seis anos e multa para quem descumprir as proibições relativas ao transporte de eleitores. Há regras próprias para áreas rurais, povos indígenas e comunidades tradicionais, cujo deslocamento é garantido independentemente dos limites do município, e para pessoas com deficiência. Neste domingo, 158,7 milhões de eleitores estavam aptos a votar.

Decisões da Justiça Eleitoral sobre transporte no segundo turno, em 24 e 25 de outubro de 2026. Fonte: decisões judiciais e notas oficiais citadas nesta reportagem.
Local O que a Justiça exigiu Multa por descumprir
São Paulo Frota de 100% no domingo, até o fim da votação não divulgada
Salvador Frota integral, com fiscalização por drones R$ 1 milhão/hora
Pará Programação e capacidade em 4 horas, com reforço se faltar vaga R$ 1 mil/hora

Por que a coligação de Lula foi à Justiça por causa dos ônibus em São Paulo?

Porque sustenta que a prefeitura rodou o domingo com 60% da frota, e não com a frota de dia útil. A petição da coligação Brasil Pronto Pra Mais foi assinada por Monica Cristina Bonfim, a Monica das Pretas (PSOL), Sâmia Bomfim (PSOL) e Luana dos Santos Alves da Silva, e aponta bairros da Zona Leste, como o Itaim Paulista, entre os mais afetados. “A redução de cerca de 40% da frota aumenta o tempo de espera, a lotação dos veículos e o custo do deslocamento, atingindo sobretudo o eleitorado de menor renda”, diz a petição, que pediu comprovação em uma hora e multa por hora de descumprimento.

No sábado (24), o juiz da 1ª Zona Eleitoral de São Paulo, Tiago Ducatti Machado, determinou 100% da frota neste domingo, com base na Resolução 23.751/2026. A Prefeitura afirmou que cumpriria a decisão, “ainda que desnecessária”, e reclamou do prazo: as concessionárias teriam menos de 12 horas para localizar mais de 10 mil trabalhadores de folga. O plano municipal previa 6,9 mil ônibus e 40% de reforço, o mesmo do primeiro turno, quando a cidade atendeu 3,4 milhões de passageiros. A SPTrans informou que as linhas passariam de 1.051 para 1.137, com gratuidade das 0h às 23h59 mesmo sem Bilhete Único, e a coligação acusou a Viação Cometa de não vender passagens pela internet para Santos, Ribeirão Preto, Campinas e Sorocaba; a empresa diz cumprir o TSE, com vagas nos guichês.

Ilustração em quadrinhos: filas de eleitores nas duas calçadas de uma rua de periferia ao amanhecer, com asfalto rachado, casas baixas e nenhum ônibus na via

Por que o TRE-BA mandou prender o secretário de Mobilidade de Salvador?

Porque o tribunal considerou que a retenção de ônibus nas garagens, em dia de votação, configurou crime eleitoral. A ordem de prisão em flagrante é do próprio TRE-BA, que também mandou a Polícia Civil fiscalizar as garagens com drones e enviou o processo à Polícia Federal. A decisão atendeu a denúncia da Federação Brasil Esperança (FE Brasil) e foi assinada pelo presidente do tribunal, o desembargador Mauricio Kertzman Szporer, que mandou recompor 100% da frota municipal e fixou multa por hora de descumprimento à Secretaria Municipal de Mobilidade (Semob) e às concessionárias, além de encaminhar o caso à Procuradoria Regional Eleitoral. Ao menos 75 ônibus foram impedidos de deixar as garagens, segundo a prefeitura; uma delas fica no Caminho de Areia. O Procon-BA autuou uma empresa depois de encontrar 55 veículos parados no pátio, em condições de operar.

A versão da prefeitura é outra. A gestão do prefeito Bruno Reis (União Brasil) afirmou que sindicalistas colaram adesivos com o número 13, do PT, nos veículos, e que os ônibus só saíram depois que os adesivos foram retirados. A Semob diz que a operação foi normalizada e que Pablo Souza já havia mandado liberar todos os veículos, com frota máxima. A Defensoria Pública do Estado oficiou a secretaria pedindo providências.

Por que eleitores ficaram sem balsa para o Marajó?

Porque a Henvil, empresa que faz a travessia, colocou uma única embarcação na linha entre o porto de Icoaraci, em Belém, e o porto de Camará, na ilha do Marajó. Cerca de 200 pessoas esperavam desde as 4h. A balsa saiu lotada por volta das 7h30, o guichê ficou fechado e não havia previsão de nova viagem até o fim da manhã. O Pará tem decreto de gratuidade no transporte intermunicipal rodoviário e aquaviário desde as 12h de sexta-feira (23), válido até as 12h de segunda (26). “Desde sexta venho tentando viajar para Salvaterra para votar, mas não consigo”, disse o passageiro André Santos, que chegou às 5h.

Na noite de sábado (24), o juiz Marcus Alan de Melo Gomes, do Tribunal Regional Eleitoral do Pará (TRE-PA), atendeu em parte a um pedido do Ministério Público Eleitoral e deu quatro horas para o governo do estado e para a Agência de Regulação e Controle dos Serviços Públicos de Transporte do Pará (Artran) informarem programação, capacidade e emissão dos bilhetes gratuitos. A liminar obriga Henvil, Rodofluvial Banav, Arapari Navegação e Jarumã Rodofluvial a detalhar horários e capacidade autorizada e manda comparar bilhetes emitidos com a capacidade autorizada quando a empresa alegar esgotamento.

Como denunciar falta de ônibus no dia da eleição

O canal é o Ministério Público Eleitoral, pelo aplicativo Pardal, da Justiça Eleitoral, para Android e iOS. A orientação do TSE é relatar o descumprimento das normas e a redução ou a interrupção do transporte no dia da votação. No Pará, a liminar saiu menos de 24 horas depois das primeiras reclamações. A frota do domingo tem de ser a de dia útil, e a gratuidade não pode ser condicionada a cadastro, cartão ou limite de viagens. O JEP já mostrou como funciona a gratuidade em São Paulo, o que o TSE decidiu sobre transporte para indígenas e quilombolas e reuniu horário, documentos e ordem de votação.

Redação Cria Brasil
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Comunicador e colaborador do jornal Espaço do Povo, onde desde 2007 narra o cotidiano e as potências das favelas brasileiras.

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