Duas tentativas de atrapalhar o voto no segundo turno viraram decisão judicial neste domingo (25). Em Goiás, um juiz do Trabalho proibiu o dono do Frigorífico Goiás, Leandro Batista da Nóbrega, de levar trabalhadores de Goiânia para Caldas Novas (GO) no dia da votação, depois que ele ofereceu picanha e cerveja gratuitas a quem apoia o presidente Lula (PT). Em São Paulo, o Tribunal Regional Eleitoral (TRE-SP) confirmou a troca de uma urna na Escola Concept, na avenida 9 de Julho, na zona oeste da capital, onde teclas haviam sido coladas com Super Bonder.
O que o dono do Frigorífico Goiás ofereceu?
Em vídeo publicado no Instagram na sexta-feira (23), Leandro Batista da Nóbrega ofereceu mil vagas de trabalho em Caldas Novas, com transporte, picanha e cerveja gratuitos, a eleitores que apoiam o presidente. A viagem no domingo levaria o trabalhador para fora da cidade em que vota. O juiz Carlos Alberto Begalles, do Tribunal Regional do Trabalho da 18ª Região (TRT-18), proibiu a prática e fixou multa de R$ 100 mil por trabalhador levado para fora do domicílio eleitoral.
Na decisão, Begalles afirmou que impedir trabalhadores de votar por meio de ameaças, constrangimentos ou outros obstáculos viola direitos fundamentais e pode configurar assédio eleitoral. O juiz destacou ainda que a ausência do eleitor no dia da votação não pode ser reparada depois. Segundo o Ministério Público do Trabalho (MPT), o empresário foi intimado na abertura do estabelecimento comercial, na manhã deste domingo. Em publicação no Instagram, ele criticou a decisão: “A Justiça é rápida quando é para punir alguém da direita”, escreveu, em um story com a foto do mandado de intimação ao fundo.

Por que a urna da Escola Concept foi trocada?
Porque as teclas do equipamento foram coladas com Super Bonder. O cantor Johnny Hooker, que vota na seção 54 da escola, no Jardim Paulista, contou que chegou pela manhã e encontrou representantes da Justiça Eleitoral já verificando o problema. “Eles nos informaram que algumas teclas da urna tinham sido coladas com super bonder”, relatou. Segundo o TRE-SP, a votação ficou interrompida por cerca de 50 minutos, até a substituição do equipamento.
Hooker disse que os representantes da Justiça Eleitoral informaram que estavam identificando o suspeito e que o caso seria tratado como crime eleitoral. Pessoas na fila ficaram exaltadas durante a espera. O TRE-SP confirmou a ocorrência e afirmou que a urna já havia sido trocada, mas não informou se o suspeito foi identificado nem se foi aberta investigação criminal. Às 11h45, o cantor ainda aguardava a troca do equipamento.
Quantas urnas foram trocadas no país?
O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) informou que 467 urnas eletrônicas foram substituídas nas duas primeiras horas de votação, das 8h às 10h, o equivalente a 0,09% das 499.248 urnas empregadas no pleito. A Justiça Eleitoral deixou 48.815 equipamentos reservados para troca, se necessário. No primeiro turno, em 4 de outubro, foram substituídas 1.904 urnas. O TSE não detalhou os motivos das substituições; em geral, a troca ocorre por falhas operacionais.
| Estado | Urnas trocadas |
|---|---|
| São Paulo | 95 |
| Paraná | 68 |
| Rio de Janeiro | 50 |
| Minas Gerais | 42 |
O boletim também registrou três pessoas presas em flagrante nas primeiras horas do dia por suspeita de crime eleitoral. Neste domingo, 158,7 milhões de eleitoras e eleitores estavam aptos a votar para presidente.
Se a urna substituta também apresentar falha, a legislação prevê, como último recurso, a votação em cédula de papel. Até a divulgação do boletim das 10h, segundo o TSE, nenhuma seção havia precisado recorrer ao papel.
Como denunciar assédio eleitoral e urna com problema
O aplicativo Pardal, da Justiça Eleitoral, recebe denúncias de descumprimento das normas eleitorais no dia da votação, com versões para Android e iOS. Quando a urna não funciona, o caminho é a substituição do equipamento: foram 467 trocas só nas duas primeiras horas do dia, e a votação na seção continua depois da troca. No caso do frigorífico goiano, a intimação foi cumprida pelo Ministério Público do Trabalho, que atua em casos de assédio eleitoral contra trabalhadores.