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Obras paralisadas caem de 11.469 para 4.215; carteira ativa segue em 22,4 mil

Fachada de escola de dois pavimentos em construção, com andaimes e trabalhadores na obra
Obra do novo Grupo Escolar Senador Ovídio Teixeira, em Caetité (BA), em agosto de 2026 – André Koehne/Wikimedia Commons (CC BY-SA 4.0)

Painel do TCU com dados de abril de 2026 registra 4.215 obras paralisadas, 18,8% das obras ativas acompanhadas. São R$ 16,2 bilhões previstos e R$ 8 bilhões já aplicados em canteiros que pararam.

O Brasil tem 4.215 obras financiadas com recursos federais paralisadas, segundo a última atualização do Painel de Obras Paralisadas do Tribunal de Contas da União (TCU), com dados de abril de 2026 e divulgada em 30 de julho. O total equivale a 18,8% das 22.414 obras ativas acompanhadas pelo tribunal.

Os empreendimentos parados somam R$ 16,2 bilhões em investimentos previstos. Desse universo, R$ 8 bilhões em recursos federais já foram aplicados em obras que não entregaram o que deviam — o equivalente a 11,3% dos R$ 70,6 bilhões aplicados no conjunto das obras acompanhadas.

OBRAS PARALISADAS · ABRIL DE 2026 4.215 de 22.414 obras ativas no país Fonte: Painel de Obras Paralisadas do TCU, dados de abr/2026, atualizado em 30/07/2026 8.674 8.603 11.944 11.469 4.215 ago/22 abr/23 abr/24 abr/25 abr/26

Educação e saúde concentram 3.328 obras paralisadas, 79% do total: 2.102 em escolas, creches e outros equipamentos educacionais e 1.226 em unidades de saúde. Urbanismo aparece em terceiro, com 398 obras, o tipo de intervenção que, em Paraisópolis, na zona sul de São Paulo, está no centro do Programa Nova Paraisópolis, de R$ 2,33 bilhões. Um levantamento feito em favelas do Rio mostrou que 68% das comunidades cariocas seguem sem obras estruturais de urbanização.

Obras paralisadas por setor em abril de 2026 — Fonte: Painel de Obras Paralisadas do TCU
Setor Obras % do total
Educação2.10249,9
Saúde1.22629,1
Urbanismo3989,4
Não identificado1674,0
Agricultura751,8
Transporte731,7
Demais setores1744,1
Total4.215100

Maranhão lidera a lista por estado, com 442 obras paralisadas, seguido por Pará (406), Bahia (391), Minas Gerais (321) e Rio Grande do Sul (257). Entre os municípios, os maiores estoques estão em Natal (47), João Pessoa (45), Belém (32), Porto Alegre (25) e Rio Branco (22).

Por que o número caiu 63% em um ano

Os 4.215 são 63% menos que as 11.469 obras paralisadas registradas na atualização anterior, com dados de abril de 2025. A queda não veio do encolhimento da carteira: o total de obras ativas ficou praticamente estável, de 22.607 para 22.414.

No mesmo intervalo, as obras classificadas como em execução saltaram de 11.138 para 18.199, alta de 7.061 empreendimentos. A série do painel registra ainda 6.141 obras concluídas e 3.737 canceladas entre abril de 2025 e abril de 2026. Os números divulgados não permitem separar quanto da queda veio de obra efetivamente retomada e quanto veio de reclassificação na base do tribunal.

O histórico mostra o tamanho do passivo acumulado: 8.674 obras paralisadas em agosto de 2022, 8.603 em abril de 2023, 11.944 em abril de 2024 e 11.469 em abril de 2025. A proporção de obras paradas chegou a 52% da carteira em abril de 2024, o pior momento da série, e caiu para 18,8% na medição atual.

O que está parado e há quanto tempo

Entre as 4.215 obras hoje paradas, 1.213 começaram entre 2016 e 2020 e 1.163 entre 2021 e 2026. Outras 1.019 são de 2011 a 2015 e 91 de 1998 a 2010. Em 729 casos o painel não identifica o ano de início.

A maior parte é de obra pequena, do tipo que sustenta o dia a dia de um bairro: 1.016 têm entre R$ 250 mil e R$ 750 mil de investimento previsto, e 756 ficam abaixo de R$ 250 mil. Outras 531 passam de R$ 5 milhões.

O que o TCU aponta como causa

O tribunal trata a gestão das obras paralisadas como um dos riscos de alto risco da administração pública federal. Na Lista de Alto Risco de 2024, as áreas mais afetadas eram saúde (77,5% das obras paralisadas), educação (67,1%) e infraestrutura e mobilidade urbana (38%).

A auditoria mais recente do TCU sobre o tema, de 2023, apontou como causas principais a frágil coordenação do Centro de Governo e a baixa capacidade técnica dos entes que executam as obras, além de deficiências de projeto, insuficiência de recursos e sistemas de informação ineficientes.

Desde o Acórdão 2.134/2023, a Casa Civil precisa elaborar um plano central de gestão da carteira federal de obras, com critérios de priorização, metas e responsáveis definidos. O tribunal também acompanha a política de retomada das obras da educação, em parceria com os tribunais de contas estaduais, a Controladoria-Geral da União e o Ministério Público Federal.

Como consultar e onde denunciar

O painel é público e permite filtrar por estado, município, setor e data-base, além de abrir a tabela de dados completa: fica em paineis.tcu.gov.br. Denúncia sobre obra parada pode ser enviada à Ouvidoria do TCU pelo 0800-644-2300.

Redação Cria Brasil
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Comunicador e colaborador do jornal Espaço do Povo, onde desde 2007 narra o cotidiano e as potências das favelas brasileiras.

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