Em entrevista ao Espaço do Povo, Elisabete França aborda o programa que prevê novas moradias, saneamento, mobilidade e equipamentos públicos para Paraisópolis, Jardim Colombo e Porto Seguro.
Nesta quarta-feira (22), a secretária municipal de Urbanismo e Licenciamento de São Paulo, Elisabete França, falou ao jornal Espaço do Povo sobre o Programa Nova Paraisópolis, que prevê investimentos de R$ 2,33 bilhões na região.
A iniciativa é considerada pela Prefeitura a maior intervenção urbanística já planejada para o Complexo Paraisópolis, formado pelas comunidades de Paraisópolis, Jardim Colombo e Porto Seguro, na Zona Sul da capital. “A gente tem uma grande oportunidade, uma obra em que a continuidade está garantida. Fizemos um levantamento das necessidades e temos conversado bastante com as organizações sociais e ouvido o que vários setores da população local têm demandado”, explicou a especialista.
Durante a entrevista, o Espaço do Povo levantou questões que fazem parte do cotidiano dos moradores, como o acesso à moradia digna, os problemas de saneamento, as enchentes, a mobilidade urbana e a necessidade de ampliar os serviços públicos.
Outro ponto central da conversa foi o desafio de transformar os investimentos anunciados em melhorias concretas, garantindo que as famílias possam continuar vivendo no território. “A gente sabe que sempre que chega um projeto de reurbanização, as pessoas temem perder suas casas, mas por outro lado nos concluímos um grande projeto de novas construções. Então está garantido que quem, por ventura, tiver sua casa afetada terá um reassentamento para uma nova unidade garantida “, adiantou Elisabete.
O que prevê o Programa Nova Paraisópolis?
Coordenado pela Secretaria Municipal de Urbanismo e Licenciamento (SMUL) e pela São Paulo Urbanismo, o programa reúne intervenções em três áreas principais: infraestrutura urbana, habitação e equipamentos públicos.
Entre as obras previstas estão a requalificação de 40,9 quilômetros de ruas e vielas, a ampliação das redes de água e esgoto para cerca de 33,2 mil famílias e a conclusão da canalização dos córregos Antonico e Itararé.
O projeto também contempla a criação de dois parques lineares, melhorias na drenagem urbana e intervenções destinadas a reduzir os impactos das chuvas e dos alagamentos.
Na mobilidade, um dos principais projetos é o prolongamento da Avenida Hebe Camargo, que deverá criar uma ligação mais direta entre Paraisópolis e a Estação São Paulo-Morumbi do Metrô.
Segundo a estimativa apresentada pela Prefeitura, a intervenção poderá reduzir de aproximadamente 45 para 15 minutos o tempo de deslocamento nesse trajeto.
Moradia e permanência das famílias estão entre os desafios
A questão habitacional ocupa um lugar importante no Programa Nova Paraisópolis. O planejamento prevê a conclusão de 812 unidades habitacionais nos empreendimentos Sanfona e Vila Andrade. Em etapas posteriores, estão previstas outras 2 mil moradias, com prioridade para famílias que vivem em áreas de risco.
Além da construção de novos apartamentos, um dos desafios será organizar as intervenções sem provocar o afastamento dos moradores da comunidade.
O edital estabelece que as empresas responsáveis pelas obras deverão apresentar estratégias para conciliar as intervenções com as necessidades de remoção e reassentamento, buscando reduzir os deslocamentos para fora do território.
Para uma região marcada por décadas de luta por urbanização e acesso à moradia, a permanência das famílias representa uma das questões centrais para avaliar os resultados do programa.
Saúde, educação e cultura também fazem parte do projeto
O Programa Nova Paraisópolis também prevê investimentos na ampliação da rede de equipamentos públicos.
Na saúde, estão previstas uma Unidade de Pronto Atendimento (UPA) 24 horas, um novo Centro de Atenção Psicossocial (CAPS) e melhorias nas Unidades Básicas de Saúde (UBSs) da região.
Na educação, o planejamento anunciado inclui duas Escolas Municipais de Ensino Fundamental (EMEFs) e três Escolas Municipais de Educação Infantil (EMEIs).
O projeto contempla ainda um Centro Esportivo e Educacional, com piscina olímpica, quadras poliesportivas e espaços para atividades educativas.
Na região do Grotão e da Praça da Paz, está prevista a implantação de um polo cultural, esportivo e ambiental, com equipamentos públicos e iniciativas voltadas ao empreendedorismo e à qualificação profissional.
Já no Jardim Colombo, o planejamento inclui um complexo multiuso com espaços culturais, esportivos e educacionais, além de uma praça pública.
De onde virão os R$ 2,33 bilhões?
A maior parte dos recursos previstos para o programa tem origem na Operação Urbana Consorciada Faria Lima. Em agosto de 2025, um leilão de Certificados de Potencial Adicional de Construção (CEPACs) arrecadou aproximadamente R$ 1,67 bilhão, valor destinado integralmente pela Prefeitura às intervenções no Complexo Paraisópolis.
Os recursos restantes poderão ser provenientes de outros fundos municipais, incluindo a própria Operação Urbana Faria Lima.
Na prática, o mecanismo permite direcionar parte dos recursos gerados pela valorização imobiliária e pela venda de potencial construtivo na região da Faria Lima para investimentos em comunidades que enfrentam problemas históricos de infraestrutura e desigualdade urbana.
O programa foi dividido em três lotes de contratação, abrangendo Porto Seguro e Jardim Colombo, Paraisópolis Noroeste e Paraisópolis Sudeste. Os contratos terão vigência prevista de 48 meses a partir de suas respectivas assinaturas.
O desafio de transformar projetos em melhorias reais
Embora o volume de recursos anunciado represente uma oportunidade de enfrentar problemas antigos da região, a execução das obras será determinante para que os benefícios cheguem à população.
Entre os pontos que merecem acompanhamento estão os prazos de entrega, a qualidade das intervenções, a transparência na aplicação dos recursos e a participação dos moradores nas decisões que afetam o território.
A urbanização também traz desafios relacionados à valorização imobiliária e à preservação dos vínculos sociais e comunitários construídos ao longo de décadas.
Por isso, a transformação de Paraisópolis não envolve apenas a abertura de vias, a construção de edifícios ou a implantação de novos equipamentos públicos. Envolve também as condições para que os atuais moradores permaneçam na comunidade e tenham acesso aos benefícios das melhorias.
Espaço do Povo acompanha o futuro de Paraisópolis
A entrevista com Elisabete França integra a cobertura do Jornal Espaço do Povo sobre os investimentos públicos, as transformações urbanas e as demandas históricas de Paraisópolis.
Ao ouvir a responsável pela Secretaria Municipal de Urbanismo e Licenciamento, o jornal amplia o debate sobre o futuro do território e reforça a importância de acompanhar cada etapa do Programa Nova Paraisópolis.
Mais do que os valores anunciados, o que estará em jogo nos próximos anos será a capacidade de transformar o planejamento em melhorias efetivas na vida das milhares de famílias que vivem em Paraisópolis, Jardim Colombo e Porto Seguro.