O Brasil chegou ao fim de outubro com 665 casos confirmados de mpox em 2026, segundo o ministro da Saúde, Alexandre Padilha — quase cinco vezes o total de março, quando o país registrava 140 confirmações. O número segue distante do surto de 2022, quando cerca de 11 mil pessoas foram infectadas. O avanço não está distribuído por igual: entre os três estados com mais casos, o Rio de Janeiro é o único que já superou todo o ano passado.
No Rio, não houve mortes pela doença em 2026 nem em 2025, segundo a secretaria estadual de Saúde. A maioria dos pacientes evolui de forma leve ou moderada e o tratamento é de suporte clínico.
Quantos casos de mpox o Brasil tem em 2026
São 665 confirmações até o fim de outubro, contra 140 em 19 de março e 185 em 26 de março. Nessa última data, o painel do Ministério da Saúde ainda apontava 508 casos suspeitos em investigação. Em 2022, o país teve quase 11 mil infectados, e o ministro afirma que a situação atual é “bem diferente” daquele surto.
Quais estados concentram os casos
São Paulo lidera, com 268 confirmações até 1º de novembro, contra 423 em todo o ano passado. O Rio de Janeiro vem em seguida, com 211 — 77% mais que os 119 de 2025. Minas Gerais soma 33, abaixo dos 136 do ano passado, e confirmou no sábado (31) o primeiro caso em Confins, na Região Metropolitana de Belo Horizonte.

O que mudou desde março
Em fevereiro, o ministério contabilizava 88 casos. O total subiu para 140 em março e para 185 no fim daquele mês, quando o painel ainda registrava 508 suspeitos. De lá para cá, o número quase quadruplicou, puxado pela capital fluminense: foram 74 infecções em setembro e outubro, sete vezes os 10 casos do mesmo período de 2025.

Por que o Rio acende o alerta
A capital fluminense registrou 45 casos só em setembro, o maior número para um único mês em três anos, e outros 29 em outubro. A cidade ficou sem doses da vacina, e o ministério anunciou o reforço do envio ao estado no sábado (31). Dez pessoas estavam internadas no Instituto Nacional de Infectologia Evandro Chagas (INI), da Fiocruz, em Manguinhos, na Zona Norte. O deputado federal Daniel Soranz (PSD-RJ) cobrou a compra de mais doses.
O balanço completo do estado, com a série de 2025 e as falas do ministro, está em outra reportagem do Espaço do Povo sobre a alta no Rio.
Quais são os sintomas e como se proteger
Os sinais mais comuns são febre, dor de cabeça, dores no corpo, calafrios, ínguas e lesões na pele, que podem aparecer no rosto, nas mãos, nos pés, na boca, nos genitais e no ânus. A transmissão ocorre pelo contato direto com as lesões, por secreções corporais e por objetos contaminados, como roupas, toalhas e lençóis.
Quem tem suspeita deve procurar uma Unidade Básica de Saúde (UBS), evitar contato próximo até a avaliação e manter o isolamento até a cicatrização completa das lesões. O passo a passo do teste, do isolamento e da vacina está no guia do Espaço do Povo sobre sintomas e atendimento.
Quem pode se vacinar e como checar um boato
A vacina não faz parte da rotina do Programa Nacional de Imunizações. Ela é destinada a profissionais de laboratório que trabalham com Orthopoxvírus, a pessoas vivendo com HIV/aids com imunossupressão e a quem teve contato de médio ou alto risco com caso suspeito ou confirmado, conforme as orientações do Ministério da Saúde.
Sobre os boatos que circularam ao longo do ano — casos atribuídos à Bahia depois do Carnaval e a versão de que o hospital da Fiocruz estaria lotado —, a checagem está em quatro afirmações de 2026 confrontadas com os dados oficiais.
(Texto atualizado em 2 de novembro de 2026 com os dados mais recentes das secretarias estaduais e do Ministério da Saúde.)