O Grupo Mateus, terceiro maior grupo supermercadista do país, encerrou 28 lojas e reduziu o quadro de pessoal em 6.673 postos entre dezembro de 2025 e março de 2026. As unidades fechadas eram da Eletro Mateus, braço de eletrodomésticos e móveis da rede, e não supermercados. O corte atingiu operações no Maranhão, no Pará, no Piauí, no Ceará, em Sergipe e na Bahia.
Qual rede fechou as lojas e cortou 6 mil vagas?
É o Grupo Mateus, varejista nascido no Maranhão em 1986, quando o empresário Ilson Mateus abriu uma mercearia de cerca de 50 metros quadrados em Balsas. Hoje a companhia reúne as marcas Mateus Supermercados, Mix Mateus, Eletro Mateus, Armazém Mateus, Camiño e Spazio, além de operações do Novo Atacarejo. No Ranking ABRAS 2026, com base nos resultados de 2025, aparece em terceiro lugar, com faturamento de R$ 43,55 bilhões — atrás do Carrefour, com R$ 123,59 bilhões, e do Assaí, com R$ 84,74 bilhões.
Os 6 mil são demissão ou redução de quadro?
O 6.673 é uma redução líquida do quadro, não uma contagem de pessoas demitidas. A companhia tinha cerca de 47,9 mil funcionários em dezembro de 2025 e chegou a 41,2 mil em março de 2026, queda de 13,9%. No meio do caminho houve admissões e desligamentos, e o balanço registra o saldo entre os dois movimentos. A empresa não informou quantos trabalhadores foram desligados em cada cidade ou loja, nem divulgou a relação completa dos endereços encerrados.
Quais lojas foram fechadas?
Todas as 28 unidades encerradas eram da Eletro Mateus, especializada em eletrodomésticos, móveis e eletrônicos. Treze ficavam no Pará e foram fechadas apenas no último trimestre de 2025. Em outras 20 lojas de varejo alimentar, o grupo desmontou o setor de eletro e manteve a operação de supermercado. No primeiro trimestre de 2026, a bandeira ainda tinha 78 lojas: 54 no Maranhão, 19 no Pará e 5 no Piauí.
Por que o Grupo Mateus cortou lojas e vagas?
No segundo trimestre de 2026, o lucro líquido foi de R$ 236,8 milhões, 39,3% menor do que no mesmo período de 2025, quando somou cerca de R$ 390 milhões. A receita líquida subiu 12,2%, para R$ 9,85 bilhões, mas as vendas nas lojas abertas havia mais de um ano caíram 8%. No primeiro semestre, o lucro chegou a R$ 449,7 milhões, 32,1% abaixo do ano anterior.
Na comparação com o trimestre anterior, porém, houve alta de 11,2% sobre os R$ 212,9 milhões registrados entre janeiro e março. A empresa atribui a retração das vendas ao consumo pressionado pelo endividamento das famílias e trata 2026 como ano de eficiência, com menos inaugurações. O próximo balanço, referente ao terceiro trimestre, está marcado para 12 de novembro.
Quem for demitido tem direito a quê?
Quem é dispensado sem justa causa recebe o aviso prévio proporcional: 30 dias para quem tem até um ano na empresa, mais 3 dias por ano trabalhado, até o limite de 90 dias, conforme a Lei 12.506/2011. Também pode sacar o saldo do FGTS e receber a multa de 40% sobre o total depositado pelo empregador durante o contrato, prevista no artigo 18 da Lei 8.036/1990. O saque é pedido pelo aplicativo FGTS, com crédito em até 5 dias úteis na conta indicada pelo trabalhador.
Já o seguro-desemprego exige 12 salários recebidos nos últimos 18 meses na primeira solicitação, 9 nos 12 meses anteriores na segunda e 6 meses seguidos nas demais. O pedido vai do 7º ao 120º dia depois da demissão, pelo aplicativo Carteira de Trabalho Digital, pelo portal de serviços do Ministério do Trabalho e Emprego ou pelo telefone 158. É preciso ter em mãos o Requerimento do Seguro-Desemprego, entregue pelo empregador na dispensa, e o CPF.
| Direito | Regra | Onde pedir |
|---|---|---|
| Aviso prévio | 30 dias + 3 por ano, até 90 | Na rescisão |
| FGTS | Saldo + multa de 40% | App FGTS |
| Seguro-desemprego | 12 de 18 meses (1ª vez) | CTPS Digital ou 158 |
Em demissão em massa, a empresa precisa negociar com o sindicato antes de dispensar. O Supremo Tribunal Federal fixou essa exigência em 2022, no julgamento do Tema 638 da repercussão geral. Foi com base nesse entendimento que a Justiça do Trabalho suspendeu, em agosto, as demissões em massa das Casas Bahia em todo o país, depois de pedido da Confederação Nacional dos Trabalhadores no Comércio, como mostrou reportagem do JEP.
Onde procurar ajuda em São Paulo?
O Sindicato dos Comerciários de São Paulo mantém atendimento jurídico e homologação de rescisões na Rua Formosa, 99, no Centro (Anhangabaú), em São Paulo. O telefone é (11) 2121-5900. Quem mora em outra região pode procurar o sindicato da categoria ou agendar atendimento presencial na Superintendência Regional do Trabalho pelo 158.
As mudanças do Grupo Mateus se concentraram no Norte e no Nordeste, onde a rede tem a maior parte das lojas, mas o comércio paulista vive movimento parecido. O sindicato dos comerciários acompanha o pedido de recuperação extrajudicial do Grupo Pão de Açúcar e cobrou publicamente o pagamento das verbas rescisórias dos demitidos das Casas Bahia.
Quem está em busca de recolocação encontra vagas divulgadas pelo sindicato e nas ações de empregabilidade que ele organiza com empresas do setor. Guardar o termo de rescisão e o Requerimento do Seguro-Desemprego é o primeiro passo: sem esses papéis, o prazo de 120 dias corre sem pedido. O JEP também já publicou como se inscrever em programas de emprego com salários de até R$ 5,5 mil.