Bem Estar

Mpox tem remédio? O antiviral mais usado não funcionou em ensaio clínico

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Painel: 344 pessoas com mpox confirmada participaram do maior ensaio clínico da doença, que não encontrou benefício do antiviral sobre o placebo
O maior ensaio clínico de mpox testou o antiviral tecovirimat contra placebo – Arte: Espaço do Povo

A mpox não tem medicamento específico aprovado, e o antiviral mais usado contra a doença não mostrou benefício em adultos: o maior ensaio clínico já feito para a mpox, publicado no New England Journal of Medicine em 26 de fevereiro, não encontrou diferença entre o tecovirimat e o placebo no tempo de cicatrização das lesões, na redução da dor ou na eliminação do vírus. O tratamento segue sendo de suporte — alívio dos sintomas e prevenção de complicações —, e é por isso que o diagnóstico precoce muda o cuidado.

A conclusão importa para o paciente que chega ao posto esperando uma pílula que resolva a doença. Não existe. O que existe é acompanhamento clínico, isolamento até a cicatrização completa e atenção aos sinais de complicação.

Existe remédio para mpox?

Não. Segundo o Ministério da Saúde, não há medicamento específico aprovado para a doença. O tratamento consiste em aliviar os sintomas, prevenir e tratar complicações e garantir cuidados clínicos de suporte. A maioria dos casos evolui para melhora entre duas e quatro semanas.

O que o ensaio STOMP mostrou

O estudo STOMP/A5418 randomizou 412 pessoas, sendo 344 com mpox confirmada em laboratório, para receber tecovirimat ou placebo durante 14 dias. Foi um ensaio de fase 3, randomizado, duplo-cego e controlado por placebo, conduzido em sete países e 49 centros. O desfecho principal era o tempo até a resolução clínica de todas as lesões; entre os secundários estavam a redução da dor, a cicatrização completa e a resposta virológica.

O antiviral não encurtou o tempo de cicatrização, não reduziu a dor e não acelerou a eliminação do vírus em comparação com o placebo. O recrutamento chegou a ser interrompido em dezembro de 2024 pelo comitê independente de monitoramento, por futilidade estatística — ou seja, os dados já indicavam que não haveria benefício. O medicamento, por outro lado, mostrou perfil de segurança favorável, sem preocupações relevantes.

Painel: 344 pessoas com mpox confirmada participaram do maior ensaio clínico da doença, que não encontrou benefício do antiviral sobre o placebo
O maior ensaio clínico de mpox testou o antiviral tecovirimat contra placebo – Arte: Espaço do Povo

Por que um antiviral sem benefício foi usado

O tecovirimat é o antiviral mais utilizado contra a mpox e foi distribuído a milhares de pacientes em protocolos de acesso ampliado durante os surtos, justamente porque faltavam alternativas. O ensaio foi desenhado para dar uma resposta clara em meio a uma emergência de saúde pública — e a resposta veio: em adultos com mpox do clado II, o remédio não superou o placebo.

Se não há remédio, o que o paciente faz

O manejo é clínico e precisa de acompanhamento profissional: alívio da dor e da febre, vigilância de complicações e isolamento até que todas as lesões cicatrizem e uma nova camada de pele se forme. Em casa, a orientação é não compartilhar toalhas, roupas de cama e objetos pessoais, lavar roupas e lençóis com água e detergente e higienizar as mãos com frequência.

Atendente de farmácia popular atrás do balcão, com caixas de medicamentos à frente
Não há antiviral específico para mpox no SUS; o tratamento é de suporte clínico – Foto: Agência Brasil

Quanto tempo dura e quem tem mais risco

A doença costuma durar de duas a quatro semanas. O principal fator associado à gravidade é o comprometimento do sistema imunológico. Estão em maior risco de formas graves pessoas vivendo com HIV/aids, gestantes, transplantados, pacientes oncológicos, crianças e idosos. A vacina disponível no SUS é destinada a grupos específicos e não integra a rotina do Programa Nacional de Imunizações.

O que ainda falta saber

O ensaio avaliou adultos com mpox do clado II, e o resultado não se estende automaticamente a crianças, gestantes e pessoas imunossuprimidas, grupos em que a doença tende a ser mais grave. Os pesquisadores defendem que o campo retome a busca por novos antivirais e por combinações de tratamentos, enquanto a OMS mantém a recomendação de vigilância, diagnóstico e vacinação de quem está sob maior risco.

O passo a passo de sintomas, teste e isolamento está no guia do Espaço do Povo sobre a mpox. O Ministério da Saúde mantém a página da doença com os protocolos vigentes, e o balanço nacional de casos está na reportagem sobre a evolução da mpox no Brasil em 2026.

Redação Cria Brasil
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Redação Cria Brasil

Comunicador e colaborador do jornal Espaço do Povo, onde desde 2007 narra o cotidiano e as potências das favelas brasileiras.

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