Bem Estar

Mpox: os boatos que circularam em 2026 e o que os dados oficiais mostram

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Agente Comunitário de Saúde de costas, em visita domiciliar, ao lado de uma profissional e de uma paciente acamada
Agente Comunitário de Saúde em visita domiciliar – Foto: Acervo Espaço do Povo

A mpox voltou ao noticiário em 2026 e, com ela, uma série de publicações que atribuem ao país surtos que não existem. Abaixo, quatro afirmações que circularam nas redes neste ano — duas delas checadas e desmentidas por agências de verificação — e o que os números oficiais das secretarias de Saúde, da Fiocruz e da Organização Mundial da Saúde mostram em cada caso. O país somava 665 casos confirmados em 2026, segundo o ministro da Saúde, Alexandre Padilha.

BOATO 01 — a Bahia confirmou 38 casos de mpox depois do Carnaval

Não. A Secretaria da Saúde do Estado da Bahia (Sesab) informou que, até 23 de fevereiro de 2026, havia 21 casos notificados como suspeitos no estado: 12 foram descartados, oito seguiam em investigação e um foi confirmado. Esse único caso era importado — um paciente que veio de Osasco (SP) já com sintomas e apontou São Paulo como provável local de contaminação. O Centro de Informações Estratégicas de Vigilância em Saúde da Bahia pediu ao Ministério da Saúde a retificação do estado de notificação, mantendo na Bahia apenas o registro do atendimento feito em Salvador.

As publicações que atribuíam os 38 casos ao Carnaval somavam mais de 27 mil visualizações em redes sociais e vinham acompanhadas de imagens de trio elétrico e de erupções cutâneas. A própria Sesab já havia divulgado um desmentido em 18 de fevereiro.

Painel: 1 caso de mpox confirmado na Bahia em 2026
A Bahia confirmou um caso de mpox em 2026, importado de Osasco (SP) – Arte: Espaço do Povo

BOATO 02 — o hospital da Fiocruz estava lotado de casos de mpox

Não. Em nota, a Fundação Oswaldo Cruz informou que havia dois pacientes internados com quadros suspeitos da doença no Instituto Nacional de Infectologia Evandro Chagas, em Manguinhos, e classificou a situação como “casos esporádicos dentro do padrão mensal esperado, sem qualquer relação com o Carnaval ou cenário de surto na unidade”. O vídeo que afirmava o contrário somava 1,1 milhão de visualizações no TikTok até 25 de fevereiro.

O número de internados mudou ao longo do ano, mas não por surto: em 30 de outubro eram dez pessoas no instituto, segundo levantamento divulgado naquele dia — patamar distante da descrição de hospital lotado usada nas peças de desinformação.

BOATO 03 — a mpox é efeito colateral da vacina contra a covid

Não. A mpox é causada pelo vírus MPXV, da família Poxviridae, que inclui o vírus da varíola. A doença foi detectada pela primeira vez em humanos em 1970 e circulou principalmente em países da África Central e Ocidental, décadas antes das vacinas contra a covid-19 existirem. Não há relação entre os imunizantes de covid e a infecção pelo MPXV.

BOATO 04 — se a emergência internacional acabou, o risco acabou

Não. A OMS encerrou em 5 de setembro de 2025 a emergência de saúde pública de interesse internacional para a mpox, decisão baseada na queda sustentada de casos e mortes na República Democrática do Congo e em outros países afetados. Na mesma declaração, a organização afirmou que o fim da emergência não significa que a ameaça acabou, que novos surtos continuam possíveis e que o Centro Africano de Controle e Prevenção de Doenças (Africa CDC) mantinha a mpox como emergência continental. O Brasil seguiu registrando casos ao longo de 2026.

Por que a doença não se chama mais varíola dos macacos

A Organização Mundial da Saúde (OMS) trocou o nome no fim de 2022. A mudança teve como objetivo reduzir o estigma associado à nomenclatura anterior e adotar um termo mais simples e padronizado em diferentes línguas. O vírus continua sendo o mesmo: o MPXV, do gênero Orthopoxvirus.

Como conferir uma informação sobre mpox

Antes de compartilhar, vale checar três coisas: quem publicou o número, qual é a data e qual é o recorte geográfico. Um total sem estado e sem data não é dado — é estimativa solta. Os números oficiais ficam no painel e na página de mpox do Ministério da Saúde e nos boletins das secretarias estaduais e municipais; o telefone 136 da Ouvidoria-Geral do SUS também orienta sobre sintomas e atendimento. Desconfie de imagem de lesão usada como prova de surto local sem legenda, de print de conversa e de número redondo repetido sem fonte.

O balanço nacional está em reportagem do Espaço do Povo sobre a passagem de 140 casos em março para 665 em outubro.

Redação Cria Brasil
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Redação Cria Brasil

Comunicador e colaborador do jornal Espaço do Povo, onde desde 2007 narra o cotidiano e as potências das favelas brasileiras.

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