Infarto no homem: 300 mil casos por ano e um óbito a cada 5 a 7

O Ministério da Saúde estima de 300 mil a 400 mil infartos por ano no país e um óbito a cada cinco a sete casos. Veja os sinais e o que fazer na primeira hora.

Ilustração: homem de costas caminha em direção à entrada iluminada de uma emergência, com fila de pessoas na calçada molhada
Arte: Espaço do Povo

O infarto é a maior causa de morte no Brasil. O Ministério da Saúde estima de 300 mil a 400 mil casos por ano no país e calcula que, a cada cinco a sete casos, ocorre um óbito. No homem, os fatores de risco se acumulam mais cedo e a chegada ao serviço de saúde costuma ser mais tarde — combinação que transforma um quadro tratável em morte evitável.

B — CORAÇÃO E CÉREBRO400 milcasos de infarto estimados por ano no BrasilFonte: Ministério da Saúde

Quais sinais aparecem antes do infarto

O sintoma clássico é dor ou desconforto na região do peito, com sensação de peso ou aperto, que pode irradiar para as costas, o rosto e o braço esquerdo. Vem acompanhada de suor frio, palidez, falta de ar e sensação de desmaio.

A dor costuma ser intensa e prolongada. Quando ela passa rápido e volta, não é sinal de que o problema foi embora — é sinal de que a avaliação precisa ser imediata.

Quando o infarto não é dor no peito

Em idosos e em pessoas com diabetes, o principal sintoma pode ser falta de ar, sem dor nenhuma. A dor também pode aparecer no abdome, parecida com gastrite ou refluxo. E há casos sem sinal específico, o que exige atenção a qualquer mal-estar súbito.

É por isso que “esperar passar” é a pior decisão possível. O atendimento nos primeiros minutos é o que separa o tratamento simples da sequela permanente.

Quem tem mais chance de ter infarto

Tabagismo, sedentarismo, alimentação ruim, colesterol alto e estresse em excesso estão entre os principais fatores de risco. Diabéticos e hipertensos têm de duas a quatro vezes mais chance de sofrer um infarto, segundo o Ministério da Saúde.

Álcool e tabaco aparecem na mesma lista de comportamentos que o Ministério da Saúde associa à diferença de sete anos de vida entre homens e mulheres no país. Não é genética: é exposição acumulada.

O que fazer na primeira hora

Ligue para o Serviço de Atendimento Móvel de Urgência, o SAMU, no 192, ou vá imediatamente a uma emergência cardiológica. A linha de cuidado do infarto do Ministério da Saúde prevê que a ambulância faça o diagnóstico no local, inicie o medicamento trombolítico quando indicado e avise o hospital antes da chegada do paciente.

Não vá dirigindo sozinho e não espere o horário do posto. Dor no peito com suor frio, palidez e sensação de desmaio é emergência, não consulta agendada.

Por que o homem demora a procurar

O Ministério da Saúde atribui a distância entre homens e mulheres no cuidado à construção social da masculinidade, que afasta o homem dos serviços básicos. O resultado aparece na conta: o SUS registrou 106 milhões de atendimentos a homens em um ano, contra 203 milhões a mulheres.

Reconhecer o sintoma e chamar ajuda é a parte do tratamento que depende só do paciente. O resto depende de chegar a tempo.

O mapa do cuidado por faixa de idade está no guia de saúde do homem do Espaço do Povo, e o infarto em mulher tem sintomas diferentes, detalhados em reportagem sobre o infarto feminino. Os dados clínicos estão na página do Ministério da Saúde sobre infarto. Este texto informa, não diagnostica.