24% dos paulistanos sofrem com olho seco agravado pela fuligem

A exposição a poluentes como PM2.5 acelera a evaporação das lágrimas. Especialistas indicam sintomas iniciais e tratamentos para evitar a piora da visão.

A poluição atmosférica de São Paulo é o principal fator de risco para o aumento da Doença do Olho Seco na capital. Estudos indicam que cerca de 24% da população paulistana, ou quase um em cada quatro adultos, convive com essa condição ocular agravada pelo ar sujo.

Segundo o oftalmologista José Álvaro Pereira Gomes, ex-presidente da Associação dos Portadores de Olho Seco (APOS), as micropartículas da fuligem interagem com a camada de gordura da lágrima. Essa interação faz com que o líquido proteja menos a superfície do olho, provocando evaporação rápida e inflamação crônica.

Na prática, o morador que circula pela cidade sente os efeitos no dia a dia. Os sintomas incluem a sensação de areia nos olhos, vermelhidão, sensibilidade à luz e queda na nitidez visual. O problema não é apenas a falta de lágrimas, mas a deterioração da qualidade da lubrificação natural da vista.

Dados da APOS revelam uma discrepância de gênero no impacto da doença. As mulheres são mais afetadas, com 26,9% relatando sintomas graves ou diagnóstico confirmado, contra 18,2% dos homens. A diferença reforça a necessidade de atenção específica em grupos propensos à manifestação mais severa dos sintomas.

Especialistas internacionais, como a Academia Americana de Oftalmologia, confirmam que locais com alto índice de material particulado dobram os casos de desconforto ocular. A correlação direta entre o ar combatido e a irritação dos olhos exige mudança de comportamento diante dos sinais iniciais da doença.

Para lidar com as crises diárias, o tratamento recomendado envolve higiene ocular e o uso de lágrimas artificiais. Produtos com tecnologias de retenção de umidade, como a substância HP-Guar, criam uma película protetora que reduz a evaporação causada pela fuligem.