Coreia do Norte goleia Brasil por 6 a 0 e leva bronze no Mundial Sub-17
A Coreia do Norte goleou o Brasil por 6 a 0 e ficou com o bronze no Mundial sub-17. Tetracampeã, a seleção volta à Copa do Mundo em 2027, no Brasil.
A seleção feminina sub-17 da Coreia do Norte goleou o Brasil por 6 a 0 na disputa do terceiro lugar da Copa do Mundo da categoria, neste sábado (7), no Complexo Mohammed VI, em Rabat, no Marrocos. Tetracampeã mundial, a equipe norte-coreana ficou com o bronze. O Brasil, que perdeu para a Nigéria por 3 a 1 na semifinal, terminou em quarto lugar pelo segundo ano consecutivo — a melhor campanha da seleção na história do torneio.
Os gols foram marcados por Kim Won Sim, aos 12 minutos do primeiro tempo, Ri Ui Gyong, aos 44 e aos 26 da etapa final, Ri Ye Rim, aos 15, Yu Jong Hyang, aos 40, e Ri Kyong Im, aos 41. O Brasil não finalizou nenhuma vez no primeiro tempo; a Coreia do Norte finalizou 11 vezes.
Como foi o jogo
A Coreia do Norte apertou a saída de bola brasileira desde o início. Aos 11 minutos, Kim Won Sim aproveitou uma bola desviada e abriu o placar. A goleira Nathy fez uma sequência de defesas, mas não evitou o segundo gol, em contra-ataque concluído por Ri Ui Gyong aos 44.
No intervalo, Rilany Silva colocou Yasmin Queiroz e Gigi Pires nos lugares de Eloisa e Helena. A Coreia do Norte marcou o terceiro aos 15 minutos da etapa final, com Ri Ye Rim livre na área, e o quarto com Ri Ui Gyong, em chute de fora da área. Yu Jong Hyang e Ri Kyong Im fecharam a conta.
Por que a Coreia do Norte é tetracampeã sub-17
A Coreia do Norte ganhou o Mundial sub-17 em 2008, 2016, 2024 e 2025 — quatro títulos em dez edições. Também foi vice em 2012, quando perdeu para a França nos pênaltis. No Marrocos, goleou Porto Rico (6 a 0) e a Polônia (6 a 1), perdeu para a Nigéria (1 a 3), goleou o Marrocos (6 a 0), venceu os Estados Unidos (3 a 0) e caiu para o Japão nos pênaltis, após empate por 1 a 1.
O domínio não é só do sub-17. A sub-20 foi campeã em 2006, 2016 e 2024 e vice em 2026: não sofreu gol em sete jogos e perdeu o título para a Espanha nos pênaltis, por 3 a 4. Nos Jogos Asiáticos de 2026, ficou com a prata, também nos pênaltis, contra o Japão. A Fifa contabilizou 15 partidas sem derrota no tempo normal em mata-mata sub-17 desde 2010.
A escola de Pyongyang que forma essas jogadoras
O futebol feminino norte-coreano começou a se organizar em 1985. A primeira seleção estreou em 1989, na Copa da Ásia. Hoje, a base é a Pyongyang International Football School, criada em 2013 por ordem de Kim Jong-un, que recebe meninos e meninas de 7 a 17 anos e funciona como internato de elite.
O método é conhecido pelo volume e pela repetição. “É drill, drill, drill desde muito cedo, e você simplesmente não consegue competir com elas na base”, disse Colin Bell, ex-técnico da seleção sul-coreana. Ele também cita o fator mental: “Você não consegue simular o desespero”. A maioria das atletas atua em clubes estatais como April 25, Naegohyang e Wolmido.
O investimento tem função política declarada: o governo trata os títulos como vitória do regime. Em maio, o Naegohyang venceu a Champions League feminina da Ásia ao bater o Tokyo Verdy Beleza por 1 a 0, na Coreia do Sul, com gol e prêmio de melhor jogadora de Kim Kyong-yong.
O que o Brasil enfrenta em 2027
A Coreia do Norte está classificada para a Copa do Mundo de 2027, no Brasil, após vencer a China Taipé por 4 a 0 na repescagem da Copa da Ásia, em março. Será o quinto Mundial do país e o primeiro desde 2011. O sorteio será em 11 de dezembro, no Museu de Arte Moderna do Rio, e o Brasil já está no Grupo A como cabeça de chave.
A Coreia do Norte ocupa o 12º lugar no ranking da Fifa — o pior da história do país, que já foi quinto — e tende a cair no pote 2, o que permite um cruzamento com o Brasil na primeira fase. Nos Mundiais sub-17, o Brasil perdeu os três jogos que fez contra as norte-coreanas: 1 a 0 em 2016, 2 a 0 na semifinal de 2025 e 6 a 0 neste sábado. A campanha brasileira terminou sem medalha pelo segundo ano seguido.
Três decisões, três derrotas nos pênaltis
O ano de 2026 expôs o limite dessa geração. A Coreia do Norte chegou às três decisões que disputou e perdeu todas nas cobranças: a final do sub-20, contra a Espanha; a final dos Jogos Asiáticos, contra o Japão; e a semifinal do sub-17, também contra o Japão. No sub-17, a equipe vencia até os 90+4, quando sofreu o empate em um gol contra.
O isolamento explica parte do problema. Quase nenhuma jogadora atua no exterior — a exceção é Ri Song-a, no Sanfrecce Hiroshima, do Japão. Sem confronto regular com as melhores ligas, a seleção adulta chega às competições sem rodagem. Para 2027, a base campeã já desembarca no time principal: Kim Kyong-yong, de 23 anos, e Choe Il-son, de 19, já são titulares.