Coreia do Norte goleia Brasil por 6 a 0 e leva bronze no Mundial Sub-17

A Coreia do Norte goleou o Brasil por 6 a 0 e ficou com o bronze no Mundial sub-17. Tetracampeã, a seleção volta à Copa do Mundo em 2027, no Brasil.

Jogadoras da seleção feminina da Coreia do Norte, de branco, em campo ao lado de jogadoras da Colômbia, de amarelo, no Mundial de 2011
Jogadoras da Coreia do Norte em campo no Mundial de 2011, na Alemanha, o último disputado pelo país antes de 2027. Foto: Like the Grand Canyon/Flickr, CC BY 2.0

A seleção feminina sub-17 da Coreia do Norte goleou o Brasil por 6 a 0 na disputa do terceiro lugar da Copa do Mundo da categoria, neste sábado (7), no Complexo Mohammed VI, em Rabat, no Marrocos. Tetracampeã mundial, a equipe norte-coreana ficou com o bronze. O Brasil, que perdeu para a Nigéria por 3 a 1 na semifinal, terminou em quarto lugar pelo segundo ano consecutivo — a melhor campanha da seleção na história do torneio.

Os gols foram marcados por Kim Won Sim, aos 12 minutos do primeiro tempo, Ri Ui Gyong, aos 44 e aos 26 da etapa final, Ri Ye Rim, aos 15, Yu Jong Hyang, aos 40, e Ri Kyong Im, aos 41. O Brasil não finalizou nenhuma vez no primeiro tempo; a Coreia do Norte finalizou 11 vezes.

Como foi o jogo

A Coreia do Norte apertou a saída de bola brasileira desde o início. Aos 11 minutos, Kim Won Sim aproveitou uma bola desviada e abriu o placar. A goleira Nathy fez uma sequência de defesas, mas não evitou o segundo gol, em contra-ataque concluído por Ri Ui Gyong aos 44.

No intervalo, Rilany Silva colocou Yasmin Queiroz e Gigi Pires nos lugares de Eloisa e Helena. A Coreia do Norte marcou o terceiro aos 15 minutos da etapa final, com Ri Ye Rim livre na área, e o quarto com Ri Ui Gyong, em chute de fora da área. Yu Jong Hyang e Ri Kyong Im fecharam a conta.

Por que a Coreia do Norte é tetracampeã sub-17

A Coreia do Norte ganhou o Mundial sub-17 em 2008, 2016, 2024 e 2025 — quatro títulos em dez edições. Também foi vice em 2012, quando perdeu para a França nos pênaltis. No Marrocos, goleou Porto Rico (6 a 0) e a Polônia (6 a 1), perdeu para a Nigéria (1 a 3), goleou o Marrocos (6 a 0), venceu os Estados Unidos (3 a 0) e caiu para o Japão nos pênaltis, após empate por 1 a 1.

O domínio não é só do sub-17. A sub-20 foi campeã em 2006, 2016 e 2024 e vice em 2026: não sofreu gol em sete jogos e perdeu o título para a Espanha nos pênaltis, por 3 a 4. Nos Jogos Asiáticos de 2026, ficou com a prata, também nos pênaltis, contra o Japão. A Fifa contabilizou 15 partidas sem derrota no tempo normal em mata-mata sub-17 desde 2010.

COREIA DO NORTE · MUNDIAL SUB-17 · 2026 29 gols em sete jogos do Mundial Sub-17 Fonte: Fifa, novembro de 2026

A escola de Pyongyang que forma essas jogadoras

O futebol feminino norte-coreano começou a se organizar em 1985. A primeira seleção estreou em 1989, na Copa da Ásia. Hoje, a base é a Pyongyang International Football School, criada em 2013 por ordem de Kim Jong-un, que recebe meninos e meninas de 7 a 17 anos e funciona como internato de elite.

O método é conhecido pelo volume e pela repetição. “É drill, drill, drill desde muito cedo, e você simplesmente não consegue competir com elas na base”, disse Colin Bell, ex-técnico da seleção sul-coreana. Ele também cita o fator mental: “Você não consegue simular o desespero”. A maioria das atletas atua em clubes estatais como April 25, Naegohyang e Wolmido.

O investimento tem função política declarada: o governo trata os títulos como vitória do regime. Em maio, o Naegohyang venceu a Champions League feminina da Ásia ao bater o Tokyo Verdy Beleza por 1 a 0, na Coreia do Sul, com gol e prêmio de melhor jogadora de Kim Kyong-yong.

O que o Brasil enfrenta em 2027

A Coreia do Norte está classificada para a Copa do Mundo de 2027, no Brasil, após vencer a China Taipé por 4 a 0 na repescagem da Copa da Ásia, em março. Será o quinto Mundial do país e o primeiro desde 2011. O sorteio será em 11 de dezembro, no Museu de Arte Moderna do Rio, e o Brasil já está no Grupo A como cabeça de chave.

A Coreia do Norte ocupa o 12º lugar no ranking da Fifa — o pior da história do país, que já foi quinto — e tende a cair no pote 2, o que permite um cruzamento com o Brasil na primeira fase. Nos Mundiais sub-17, o Brasil perdeu os três jogos que fez contra as norte-coreanas: 1 a 0 em 2016, 2 a 0 na semifinal de 2025 e 6 a 0 neste sábado. A campanha brasileira terminou sem medalha pelo segundo ano seguido.

Três decisões, três derrotas nos pênaltis

O ano de 2026 expôs o limite dessa geração. A Coreia do Norte chegou às três decisões que disputou e perdeu todas nas cobranças: a final do sub-20, contra a Espanha; a final dos Jogos Asiáticos, contra o Japão; e a semifinal do sub-17, também contra o Japão. No sub-17, a equipe vencia até os 90+4, quando sofreu o empate em um gol contra.

O isolamento explica parte do problema. Quase nenhuma jogadora atua no exterior — a exceção é Ri Song-a, no Sanfrecce Hiroshima, do Japão. Sem confronto regular com as melhores ligas, a seleção adulta chega às competições sem rodagem. Para 2027, a base campeã já desembarca no time principal: Kim Kyong-yong, de 23 anos, e Choe Il-son, de 19, já são titulares.