Pix fora do ar: Banco Central diz que falha parcial foi resolvida

O Pix ficou fora do ar desde as 18h40 desta sexta (6), com pico de quase 11 mil relatos. O Banco Central diz que a indisponibilidade parcial foi resolvida.

Ilustração de uma mão segurando um celular com a tela vazia sobre o balcão de uma padaria, com a rua azul da noite ao fundo
Ilustração: Espaço do Povo

O Pix ficou fora do ar para clientes de Bradesco, Itaú, Caixa Econômica Federal, Banco do Brasil, Santander, Nubank, C6 Bank, Inter, Mercado Pago e 99Pay no início da noite desta sexta-feira (6). Os relatos de falha registrados no site Downdetector saltaram de 17, às 18h40, para quase 11 mil no pico, por volta das 19h15, e começaram a diminuir por volta das 20h30. Em nota, o Banco Central (BC) afirmou que o Pix teve uma “indisponibilidade parcial” e que “o problema foi rapidamente resolvido”.

A queda atingiu o país no quinto dia útil do mês, quando a maior parte dos salários cai nas contas e o volume de transferências cresce. Quem tentou pagar conta, quitar boleto ou mandar o salário para outra conta no começo da noite ficou sem alternativa imediata. Em mercados e padarias, o pagamento por QR Code travou no meio da fila.

O sistema que parou é a espinha dorsal do dinheiro no país. O cadastro do Banco Central que reúne quem pode enviar e receber Pix, o DICT, é consultado pelos aplicativos a cada transferência: sem ele, nenhum banco completa a operação sozinho. É por isso que uma pane no centro derruba todos ao mesmo tempo, de banco público a fintech.

CADASTRO DO PIX187,8milhões de usuários cadastradosBanco Central, dados abertos do Pix – posição em 31/10/2026
Pessoas físicas e jurídicas com cadastro no Pix, o DICT, em 31 de outubro de 2026 – Banco Central

Quais bancos estão com o Pix fora do ar

Os relatos se concentraram em Bradesco, Itaú, Caixa, Banco do Brasil, Santander, Nubank, C6 Bank, Inter, Mercado Pago e 99Pay. As queixas descreveram o mesmo roteiro: erro de rede na hora de confirmar a transferência, lista de contatos que não carrega e mensagem de indisponibilidade no aplicativo. No Itaú, a tela de aviso informava que o Pix estava indisponível. Clientes de Bradesco e Santander relataram falha no pagamento por QR Code.

Nas redes sociais, o Itaú respondeu a clientes que já estava ciente do problema e que faria os ajustes necessários. O Bradesco pediu, nas respostas a quem reclamava, que as pessoas tentassem acessar o aplicativo mais tarde.

Por volta das 19h30, os próprios bancos começaram a avisar dentro dos aplicativos que o Pix poderia atrasar e que o dinheiro ficaria seguro até o envio. A orientação vale para quem encontrar o status pendente: não refaça a transferência enquanto a operação não estiver confirmada. Repetir a operação é o caminho mais curto para pagar duas vezes e entrar na fila de estorno.

Por que o Pix caiu

O Banco Central confirmou que houve uma indisponibilidade parcial, mas não informou o que a provocou. O Downdetector registrou problemas no próprio Banco Central a partir das 19h13, além das queixas contra bancos específicos. O padrão — todas as instituições ao mesmo tempo — aponta para a infraestrutura que conecta os participantes do Pix, e não para o sistema de um banco isolado.

Nas redes sociais, clientes atribuíram a queda ao volume de acessos do dia de pagamento, quando mais gente tenta transferir ao mesmo tempo. O Banco Central não se manifestou sobre essa hipótese.

Fiz um Pix e o dinheiro não chegou: o que fazer

Não repita o pagamento. Guarde o comprovante e o identificador fim a fim (E2E), o código que aparece na confirmação e funciona como rastro da transação. Quando o aplicativo mostra erro antes da confirmação, o valor não saiu da conta e a operação não foi liquidada.

Se o saldo caiu e o dinheiro não apareceu na conta de destino, o primeiro passo é abrir reclamação no banco pelo canal oficial, com comprovante e o código E2E em mãos. Se a resposta não resolver, o cliente pode registrar queixa no Banco Central e no Consumidor.gov.br, a plataforma federal que obriga a instituição a responder.

Para quem vende, o prejuízo tende a ser maior: máquina parada no horário de pico vira venda perdida. Do outro lado, as regras de contestação do Pix já mudaram neste ano — o prazo para o recebedor contestar um estorno passou de 30 para 80 dias em 1º de setembro.

Falhas como a desta sexta também são oportunidade para golpe. Nenhum banco liga pedindo senha, token ou um Pix para “liberar” transferência travada: quem faz isso está aplicando golpe. O Espaço do Povo já mostrou como os golpes digitais que usam Pix e WhatsApp cresceram no país.

O Pix já voltou?

Sim, segundo o Banco Central. Em nota, o órgão afirmou que o problema foi resolvido pela equipe técnica e que “os sistemas do Banco Central funcionam normalmente”. Os relatos de erro no Downdetector começaram a diminuir por volta das 20h30, e parte dos usuários relatou que as transferências voltaram a completar por volta das 20h, ainda com instabilidade.

O Banco Central mantém página com as regras e os canais oficiais do Pix no site do órgão.

O Espaço do Povo acompanha o caso e atualiza esta reportagem se houver desdobramento. Última atualização: sexta-feira (6), às 21h40.