BBC monta estúdio de rádio offline para operar 72 horas em apagão
A BBC prepara estrutura isolada com geradores a diesel e estoques de suprimentos para manter comunicação em cenário de Black Sky, com roteiros médicos aprovados pelo governo.
A BBC (British Broadcasting Corporation) projeta a construção de um estúdio de rádio de emergência no Reino Unido para garantir a transmissão de informações essenciais durante apagões prolongados. A estrutura foi planejada para operar de forma autônoma por pelo menos três dias, independentemente da internet ou da rede elétrica principal. A iniciativa responde a um cenário de risco descrito como Black Sky, que envolve a interrupção simultânea de energia e serviços básicos.
Cerca de 100 funcionários da emissora serão mobilizados para operar esse equipamento especial. O espaço contará com linhas de comunicação seguras, além de estoques próprios de combustível, água e alimentos para sustentar a equipe e a máquina durante o período de crise. A operação visa manter o fluxo de notícias vital mesmo quando as redes digitais caem.
Os roteiros de orientação ao público já estão prontos e foram elaborados por quatro diretores médicos do Reino Unido. Os documentos, publicados pelo governo britânico, trazem recomendações específicas sobre consumo diário de água, armazenamento de alimentos e descarte de resíduos sanitários caso o abastecimento de água seja interrompido. Essas instruções farão parte do conteúdo broadcast no estúdio de emergência.
Jornalistas posicionados em centros de emergência pelo país complementarão a cobertura usando veículos equipados com transmissão via satélite. A distribuição dos programas será realizada por torres de rádio movidas por geradores a diesel, projetados para funcionar ininterruptamente por três dias. A equipe também disporá de telefones via satélite para manter o contato entre as unidades de campo e o estúdio central.
O planejamento considera que a falta de eletricidade compromete serviços essenciais como postos de combustível, lojas, caixas eletrônicos, semáforos e transporte público. Em dezembro de 2015, uma inundação no rio Lune causou o corte de energia para 61,5 mil pessoas em Lancaster, no norte da Inglaterra. Na ocasião, telefones fixos e rádios FM foram os únicos meios que continuaram operacionais, evidenciando a necessidade de redundância.
O aumento na preocupação com resiliência energética também foi impulsionado pelo apagão que atingiu Espanha, Portugal e parte da França em abril de 2025. Especialistas no setor argumentam que o Reino Unido deve estar preparado para enfrentar ao menos 72 horas de interrupção nos serviços básicos. A campanha governamental Be Ready já orienta a população a manter suprimentos para três dias, alinhando-se tecnicamente à capacidade do novo estúdio radiofônico.
Apesar da preparação intensiva, o Cabinet Office, órgão equivalente à Casa Civil no Reino Unido, declarou não haver ameaça específica à rede elétrica atual. Em nota, o órgão alega que o país possui um dos sistemas de fornecimento de energia mais resilientes do mundo e que nunca houve uma interrupção completa da rede em seus 75 anos de existência. Ainda assim, o protocolo de emergência da BBC permanece ativo como medida preventiva.