A psicóloga e psicanalista Camila Kfouri, filha do jornalista Juca Kfouri, morreu nesta segunda-feira (26), aos 48 anos, em São Paulo. A causa da morte não foi divulgada. A confirmação foi feita pelo próprio pai, em um texto de despedida publicado nesta segunda.
José Carlos Amaral Kfouri nasceu em São Paulo, em 4 de março de 1950, e é formado em Ciências Sociais pela Universidade de São Paulo (USP). Ele construiu uma longa carreira no jornalismo esportivo e se tornou uma das principais referências do setor no país.
Quem era Camila Kfouri
Camila era psicóloga e psicanalista. Foi uma das fundadoras da Clínica da Cidade e integrou o Laboratório de Estudos da Violência e Vulnerabilidade Social da Universidade Mackenzie e a Clínica Pública de Psicanálise.
Também trabalhou como produtora na Conspiração Filmes e atuou como DJ de música brasileira. Era a única mulher entre os quatro filhos de Juca, ao lado de André, Daniel e Felipe. Em casa, era chamada de Camiloca, Cam e Joaninha.
A artista plástica Rita Wainer, amiga de Camila havia 31 anos, contou que recebeu a notícia por uma ligação às 19h15 e que não conseguia encontrar palavras desde então. O cineasta Fernando Grostein afirmou que perdeu uma das melhores amigas, companheira de infância e de vida, a ponto de os dois se considerarem irmãos.
Onde é o velório de Camila Kfouri
O velório será nesta terça-feira (27), das 11h às 15h, no Cerimonial Pacaembu, na Avenida Pacaembu, 1.254, no bairro do Pacaembu, na Zona Oeste de São Paulo.
A cremação está marcada para as 16h30, no Crematório Vila Alpina, na Avenida Francisco Falconi, 437, na Zona Leste da capital.
O que Juca Kfouri escreveu sobre a morte da filha
No texto intitulado “A dor devastadora da perda de Camila”, o jornalista abre a despedida assim: “Perdi hoje uma das paixões de minha vida. Sinto na carne a dor que imaginava ser a pior de todas. É. O maior de meus medos.”
Mais adiante, ele resume a trajetória da filha e o que ela enfrentou: “Camila, a Camiloca, a Cam, minha Joaninha, a menina entre meus quatro filhos, resolveu ir embora depois de sofrer muito com doenças adquiridas desde que, aos 6 anos, viu o avô paterno ser alvejado em assalto na porta de casa e desenvolver uma porção de sequelas.”
Na sequência, Juca enumera as condições de saúde: “Hoje a última vítima daquele dia não resistiu mais. Disfunção supra-renal, gordura em família longilínia, cirurgia bariátrica, compulsão e neuropatia diabética.” E completa: “Camiloca fez de tudo bem.”
Sobre o que vem depois, o pai escreve que não faz ideia de como será daqui para frente diante de tamanha agressão ao ciclo natural da vida. “Só sei que a levarei comigo até o fim”, encerra.
O que aconteceu com o avô de Camila Kfouri
O procurador aposentado Carlos Alberto Gouvêa Kfouri, pai de Juca, morreu em 29 de junho de 1985, aos 67 anos, 11 dias depois de ser baleado na barriga em frente à casa da família, na rua Professor João Brito, no Itaim Bibi, Zona Oeste de São Paulo.
Ele notou que um assaltante armado tentava arrancar o cordão do pescoço da esposa. Segundo o relato que Juca fez sobre o episódio, o pai disse ao criminoso: “Não faça isso, ela vai entregar”. O homem atirou e fugiu. Carlos Alberto foi encaminhado ao hospital e não resistiu.
Camila tinha 6 anos e viu a cena. Foi a partir daí, segundo o pai, que vieram as sequelas que a acompanharam pela vida inteira. No texto de despedida, ele a descreve como a última vítima daquele dia.
Como o SUS atende diabetes e saúde mental
As condições crônicas citadas por Juca têm acompanhamento gratuito na rede pública, e o caminho começa na Unidade Básica de Saúde (UBS). O texto não informa a causa da morte nem afirma que essas doenças tenham sido a razão do falecimento.
A neuropatia diabética é uma das complicações do diabetes: o excesso de glicose no sangue danifica os nervos e provoca, entre outros sintomas, formigamento nos pés e nas mãos. A doença atinge uma fatia enorme da população brasileira, e a maior parte dos casos é do tipo 2, o mais associado a sobrepeso, sedentarismo e alimentação inadequada.
A porta de entrada é a Unidade Básica de Saúde (UBS), onde o paciente faz o acompanhamento e recebe a insulina. Em julho, a distribuição da insulina glargina, aplicada na maioria dos casos uma vez ao dia, chegou a 21 estados — basta apresentar prescrição médica em qualquer UBS, como mostrou reportagem do JEP.
Quem presencia uma cena violenta ou perde alguém próximo também pode procurar ajuda na rede pública. Os Centros de Atenção Psicossocial (CAPS) são serviços abertos à comunidade que acolhem pessoas em sofrimento psíquico intenso e acompanham a reinserção na vida comunitária. O Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (SAMU), no 192, atende ocorrências psiquiátricas.
A lista de serviços da Rede de Atenção Psicossocial e a descrição do diabetes e do tratamento pelo SUS estão no site do Ministério da Saúde. Há também a diferença de acesso entre bairros: a expectativa de vida na periferia de São Paulo é 20 anos menor do que em bairros ricos da capital.