Paraisópolis, São Paulo domingo, 16 de agosto de 2026
Direito Humanos

Expectativa de vida na periferia de SP é 20 anos menor que em bairros ricos

A Rede Nossa São Paulo e o Instituto Cidades Sustentáveis divulgaram o Mapa da Desigualdade 2025, que analisa indicadores socioeconômicos nos 96 distritos de São Paulo. O relatório, publicado anualmente desde 2013, utiliza 45 indicadores de saúde, educação, moradia, mobilidade, assistência social, segurança pública e renda para orientar políticas públicas. O documento mais recente, atualizado em agosto de 2026, incluiu pela primeira vez dados da Região Metropolitana.

O estudo revela que o CEP influencia a qualidade de vida, concentrando serviços públicos e transporte no centro expandido e nas zonas Oeste e Sul. Distritos como Consolação, Moema e Alto de Pinheiros lideram os indicadores positivos. Já a periferia apresenta os piores índices, com destaque negativo para Brasilândia, Vila Medeiros, ambos na Zona Norte, e Cidade Ademar, na Zona Sul. A Consolação obteve a melhor pontuação geral com 71,09 pontos, enquanto a Brasilândia ficou na última posição com 47,27 pontos, devido a falhas em habitação, saúde e segurança.

A diferença na longevidade entre moradores de bairros ricos e pobres permanece estável entre 2024 e 2025. Enquanto habitantes do Alto de Pinheiros ou Moema vivem, em média, até os 82 anos, moradores de Cidade Tiradentes ou Lajeado morrem aos 62 ou 63 anos. No quesito segurança, Alto de Pinheiros, Moema, Itaim Bibi, Santo Amaro e Perdizes registraram taxa zero de homicídios de jovens. Já Lajeado, Campo Limpo e Jardim das Imbuias concentram maior volume de mortes violentas. O distrito da registrou a marca mais alta de assassinatos de jovens, com 133,99 casos por 100 mil habitantes. A cidade de São Paulo teve 501 homicídios em 2025, um aumento de 4,15% em relação aos 481 de 2024.

A violência contra a mulher e a intolerância também apresentam disparidades territoriais. A pesquisa Viver em São Paulo: mulheres 2022, feita pela Rede Nossa São Paulo com apoio da Ipec, indica que paulistanas se sentem vulneráveis ao assédio no transporte público (52%), nas ruas (17%) e em bares e casas noturnas (9%). O distrito da lidera a violência contra a mulher com 772,15 vítimas por 10 mil mulheres, índice sete vezes maior que o de Vila Andrade. O relatório aponta que a concentração de delegacias especializadas no centro eleva os registros formais na , Pari e República, onde também há maiores taxas de injúria e racismo, com a atingindo 13,79 casos por 10 mil habitantes. A República e a Consolação lideram ocorrências de violência contra a população LGBTQIA+ devido à vida noturna. Marsilac registrou as menores taxas oficiais de discriminação e homofobia, o que pesquisadores atribuem à falta de canais de denúncia.

O Mapa da Desigualdade da Região Metropolitana de São Paulo, lançado em 6 de agosto, analisou 40 indicadores em 39 municípios. Biritiba Mirim e São Lourenço da Serra zeraram a taxa de homicídios, enquanto Pirapora do Bom Jesus registrou 16,3 mortes por 100 mil habitantes. A expectativa de vida varia 16 anos entre cidades próximas. São Caetano do Sul lidera a longevidade com média de 76 anos, seguida por Santo André (acima de 70 anos) e a capital paulista (69 anos). Francisco Morato tem a menor longevidade, com média de 60 anos, e outras 14 cidades da região ficam abaixo dos 65 anos. Mesmo cidades com PIB elevado, como Cajamar, não reduziram a violência ou melhoraram a qualidade de vida. O relatório indica necessidade de delegacias especializadas e redes de apoio em eixos periféricos como Pirapora do Bom Jesus, Francisco Morato e Itaquaquecetuba.

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Comunicador e colaborador do jornal Espaço do Povo, onde desde 2007 narra o cotidiano e as potências das favelas brasileiras.

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