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CEERT debate empregos verdes e equidade racial nesta terça (27) no Insper, em SP

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Jovens sentados em círculo no chão, de mãos dadas e sorrindo, sobre tapetes com estampas africanas
Jovens em roda de mãos dadas, em imagem de divulgação do CEERT – Divulgação/CEERT

O Centro de Estudos das Relações de Trabalho e Desigualdades (CEERT) realiza nesta terça-feira (27) o Seminário Equidade Racial, Transição Justa e Empregos Verdes, no Insper, na Vila Olímpia, em São Paulo. A programação começa às 9h e segue até as 19h, com três painéis sobre como a transição para uma economia de baixo carbono pode ampliar o acesso da população negra a trabalho, renda e formação.

O ponto de partida é uma premissa que o CEERT leva para a mesa: a política climática precisa incorporar raça, em vez de tratar a desigualdade como efeito colateral do crescimento. “Não basta criar empregos verdes. É necessário que equidade seja central na própria definição de emprego verde”, afirma Daniel Bento Teixeira, diretor-executivo da organização. “A equidade racial precisa estar no centro dessa transformação, porque não haverá justiça climática sem justiça racial”, diz ele. O seminário reúne academia, sociedade civil, setor público, empresas e movimentos sociais para discutir formação profissional, geração de renda e os gargalos que mantêm a população negra longe das oportunidades ligadas à transição energética.

Quando e onde é o seminário do CEERT

O encontro é em 27 de outubro, terça-feira, das 9h às 19h, no Auditório Steffi do Insper, na Rua Uberabinha, s/n, Vila Olímpia, em São Paulo. Os três painéis terminam às 17h30; das 17h30 às 19h, o evento segue com um café de encerramento.

Como se inscrever no seminário

As inscrições são feitas pela página do evento no portal do CEERT, que pede cadastro com nome, e-mail e senha antes da confirmação. A mesma página traz a programação completa e o endereço do auditório.

Qual é a programação do seminário

A programação tem três painéis, abertura institucional às 10h e encerramento às 19h. O credenciamento abre às 9h, com café de boas-vindas, e a abertura fica com Daniel Bento Teixeira e Victoria Santos.

Programação do seminário no Insper, em 27 de outubro — Fonte: CEERT
Horário Atividade Mediação
9h–10h Credenciamento e café —
10h–10h30 Abertura institucional —
10h30–12h30 Empregos verdes e equidade racial Júlia Rosemberg
12h30–14h Intervalo para almoço —
14h–15h30 Empregos verdes: desafios e perspectivas Winnie Santos
16h–17h30 Colmeia e a juventude negra Samara Rezende
17h30–19h Café de encerramento —

O primeiro painel, das 10h30 às 12h30, apresenta os principais achados de publicações apoiadas pelo Instituto Clima e Sociedade (iCS) sobre empregos verdes, equidade racial e transição justa, com André Rosemberg, Ellen Monielle, Fernanda de Melo, João Carlos Santos Oliveira, Mário Rogério Silva e Natália Silva de Souza. A mediação é de Júlia Rosemberg, consultora do CEERT.

Das 14h às 15h30, o segundo painel amplia o debate para experiências latino-americanas e para a relação entre transição energética, justiça climática, desenvolvimento territorial e trabalho digno. Participam Ana Luiza Canalli, Daniel Bento Teixeira, Elisangela Paim e María del Carmen Villarreal, com mediação de Winnie Santos.

Por que empregos verdes e raça estão no mesmo debate

A resposta está em quem ocupa hoje os postos mais expostos à descarbonização. Um levantamento de pesquisadores do Instituto de Economia da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) para o projeto Descarbonização e Política Industrial (DIP-BR) mapeou os empregos verdes brasileiros entre 2014 e 2024 e encontrou uma fatia que não se moveu em uma década.

EMPREGOS VERDES NO BRASIL16%dos postos de trabalho do paísfatia parada há dez anosPNAD Contínua; Instituto de Economia da UFRJ, projeto DIP-BR (2014-2024)

O estudo separa as atividades em três grupos: verdes, marrons — extração de petróleo, agropecuária intensiva, siderurgia — e neutras. Os postos marrons caíram de 62,5% para 59,3% do total no período. Trabalhadores negros, pardos e indígenas continuam concentrados neles, os mais expostos ao risco de demissão conforme a economia descarboniza e os menos preparados para migrar para as áreas em expansão. Os pesquisadores também identificaram uma inversão no topo da escala: empregos verdes pagam mais e são mais formais na média, mas, entre quem tem ensino superior, os setores marrons e neutros remuneram melhor.

Ilustração em quadrinhos: dois trabalhadores com capacete instalam placas de energia solar no telhado de uma casa de periferia, com caixas d'água e varal no quintal e duas pessoas passando no beco

“Ainda sabemos pouco sobre como as oportunidades da economia verde estão sendo distribuídas entre diferentes grupos da população brasileira. Reunir pesquisas, apresentar dados e colocar diferentes setores em diálogo é fundamental para compreender esse cenário e construir caminhos concretos de transformação”, diz Júlia Rosemberg, mediadora do primeiro painel.

O que são Colmeia e Prosseguir

O terceiro painel, das 16h às 17h30, apresenta o Colmeia e o Prosseguir, programas que articulam formação, redes de apoio, desenvolvimento de projetos e fortalecimento de lideranças. Participam Dinelma Gonçalves, Gabriela Alves, Raíssa Caldas e Luanda Mayra, com mediação de Samara Rezende.

O Prosseguir, voltado a jovens negros em universidades públicas e privadas, começou em 2019 com 30 bolsas e chegou a 141 na quinta edição, em 2024, segundo o CEERT. O programa atua nas regiões metropolitanas de São Paulo, Salvador, Rio de Janeiro, Brasília, Manaus e Belém e no sul da Bahia, com foco em permanência acadêmica e na ponte com o mercado de trabalho.

Fora do seminário, a qualificação para o trabalho segue como frente própria: em setembro, o Movimento pela Equidade Racial (MOVER) abriu 19 mil vagas gratuitas de idiomas para pessoas negras. Para quem empreende, a plataforma Empreender Clima passou a oferecer pré-enquadramento de projetos no Fundo Clima do BNDES, ferramenta que organiza a proposta antes da análise do banco.

Redação Cria Brasil
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Comunicador e colaborador do jornal Espaço do Povo, onde desde 2007 narra o cotidiano e as potências das favelas brasileiras.

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