Mpox em São Paulo: 300 casos no ano, 197 na capital e 67 desde 4 de outubro

Estado soma 300 casos de mpox em 2026, sem óbitos, e 67 foram confirmados desde 4 de outubro. Capital concentra 197. Vacina segue restrita a grupos com HIV e CD4 baixo.

Microscopia eletrônica mostra duas partículas do vírus mpox colorizadas em azul sobre fundo rosado
Partículas do vírus mpox vistas em microscópio eletrônico, colorizadas em azul – NIAID

Os casos de mpox em São Paulo somaram 300 confirmações em 2026, sem nenhum óbito, e 67 delas foram notificadas desde 4 de outubro, quando começou a 40ª semana epidemiológica. A capital concentra 197 registros — quase dois em cada três do estado. Os dados são da Secretaria Estadual da Saúde (SES-SP) e estão no painel do Núcleo de Informações Estratégicas em Saúde (NIES), atualizado até sexta-feira (6).

O bloco de 67 casos em pouco menos de cinco semanas equivale a cerca de 22% de tudo o que o estado notificou no ano. O avanço manteve a doença sob monitoramento no Centro de Vigilância Epidemiológica (CVE-SP), mesmo depois de a Organização Mundial da Saúde (OMS) ter encerrado a emergência sanitária global da mpox, em setembro de 2025.

“Seguimos monitorando o cenário epidemiológico e orientando os serviços de saúde para que estejam preparados para identificar e notificar rapidamente qualquer suspeita”, afirmou Tatiana Lang, diretora do CVE-SP.

Quantos casos de mpox São Paulo tem em 2026

O estado soma 300 casos confirmados entre janeiro e 6 de novembro, sem mortes registradas. Além dos 197 da capital, outros 103 foram notificados em outras cidades paulistas. A notificação de casos suspeitos é compulsória e precisa ser registrada em até 24 horas no sistema e-SUS Sinan, conforme a Portaria GM/MS nº 3.328, de 22 de agosto de 2022 — é esse registro que alimenta a contagem oficial e o rastreamento de contatos.

O painel do NIES pode ser consultado em nies.saude.sp.gov.br, e o Ministério da Saúde mantém uma página com a definição de caso, notas técnicas e orientações. O balanço nacional da doença está em reportagem do Espaço do Povo sobre a evolução dos casos no Brasil em 2026.

A alta é um surto? O que os anos anteriores mostram

É uma alta, mas não um surto: os 300 casos de 2026 ainda estão abaixo dos 423 registrados em todo o ano passado e dos 1.134 de 2024, segundo a série da secretaria estadual. No país, o Ministério da Saúde contabiliza 665 casos em 2026 — 94% menos que os mais de 10 mil de 2022, no surto global da doença.

MPOX · SÃO PAULO · POR ANOcasos confirmados no estado; 2026 é o ano em curso20241.1342025423202630003006009001.200Fonte: Secretaria Estadual da Saúde de São Paulo (NIES), até 6/11/2026

Quem pode se vacinar contra a mpox em São Paulo

A vacina não é oferecida à população em geral. A estratégia nacional prioriza pessoas vivendo com HIV/aids com contagem de linfócitos CD4 inferior a 100 células por mm³, grupo com maior risco de formas graves, em duas doses com 28 dias de intervalo. Também podem receber doses remanescentes pessoas com HIV e CD4 abaixo de 200 células por mm³, usuários de profilaxia pré-exposição ao HIV (PrEP) e profissionais de laboratório que manipulam amostras do vírus.

A orientação do ministério é que o público prioritário procure o Centro de Referência onde já faz acompanhamento, para cadastro e agendamento. Depois de um contato de risco com caso suspeito ou confirmado, a vacinação pós-exposição deve ser feita de preferência nos primeiros quatro dias e pode ocorrer em até 14 dias — prazo em que a proteção contra a infecção cai, mas a dose ainda ajuda a reduzir o risco de formas graves.

Para a infectologista Carolina Lázari, da Sociedade Brasileira de Patologia Clínica e Medicina Laboratorial (SBPC/ML), a estratégia restrita é suficiente no momento atual. “No momento não há necessidade de uma vacinação em massa. As medidas preventivas que o Ministério da Saúde vem tomando precocemente se mostram eficazes”, afirmou.

Por que o Ministério da Saúde comprou 20 mil doses

O Ministério da Saúde anunciou em 5 de novembro a autorização para comprar até 20 mil doses da vacina, por meio do Fundo Rotatório da Organização Pan-Americana da Saúde (Opas). A decisão foi alinhada em reunião no dia anterior e tem caráter preventivo e estratégico: serve para recompor o estoque do Sistema Único de Saúde (SUS). Mesmo com a queda em relação a 2022, a pasta afirma que a ocorrência de casos mantém a necessidade de vigilância e de imunizantes disponíveis para atender às demandas dos estados.

Onde fazer o teste de mpox em São Paulo

O atendimento começa na Unidade Básica de Saúde (UBS) mais próxima. Diante de lesões na pele compatíveis com a doença, o profissional investiga as exposições, orienta sobre os cuidados e, quando indicado, faz a coleta para diagnóstico laboratorial. A amostra é retirada preferencialmente da secreção das lesões; quando elas já estão secas, podem ser enviadas crostas, e o exame é molecular, por qPCR. No estado, o Laboratório Central de Saúde Pública, o Instituto Adolfo Lutz (LACEN/IAL-SP), é um dos 15 laboratórios de referência do país para mpox.

Mão com luva azul segura tubo de ensaio com amostra para teste de mpox
Amostra para teste de mpox: no estado, a coleta começa na UBS e a análise é feita por exame molecular – Matheus Oliveira/Agência Saúde DF

Quem teve contato próximo com pessoa com suspeita ou confirmação também deve procurar um serviço de saúde para avaliação do risco e orientação sobre sinais de alerta, como lesões na pele, febre e aumento dos linfonodos. A Ouvidoria-Geral do SUS atende pelo 136, de segunda a sexta, das 8h às 20h, e aos sábados, das 8h às 18h.

Os sintomas mais comuns são lesões e feridas na pele — inclusive na região genital —, febre, fraqueza, dores de cabeça e no corpo e inchaço dos linfonodos. A transmissão se dá pelo contato direto com lesões, mucosas e fluidos corporais, inclusive em relações sexuais, e pelo compartilhamento de toalhas, roupas de cama e itens de uso pessoal. O guia do Espaço do Povo sobre a doença reúne sintomas, teste, isolamento e vacina.