Covid em 2026: 6 semanas de alta em 19 unidades da Federação e sinal nas internações

Casos de síndrome gripal por covid-19 crescem há seis semanas e o sinal já aparece nas internações de cinco estados. O acumulado do ano, porém, é o menor dos últimos quatro.

Mãos de profissional de saúde seguram seringa e frasco de vacina contra a covid-19
Dose de vacina contra a covid-19 preparada em posto de vacinação, em imagem de arquivo de 2021 – Foto: Prefeitura de Olinda

Os casos de covid-19 no Brasil crescem há seis semanas seguidas, e o movimento começa a aparecer nas internações. O informe epidemiológico do Ministério da Saúde divulgado em 5 de novembro aponta sinal de crescimento em 19 unidades da Federação e leve alta dos casos graves em cinco estados — mas classifica como baixo risco a atividade da doença em todo o país. Até 4 de novembro, foram 118.851 casos de síndrome gripal por covid-19 notificados em 2026, segundo o e-SUS Notifica; o número não é o total de infecções, porque parte dos casos não é testada nem notificada.

Quais estados têm alta de covid agora

O sinal de crescimento aparece em 19 unidades da Federação, nas cinco regiões. No Norte, Rondônia e Roraima. No Nordeste, Alagoas, Bahia, Ceará, Maranhão, Paraíba, Pernambuco e Piauí. No Centro-Oeste, o Distrito Federal, Goiás e Mato Grosso. No Sudeste, Espírito Santo, Minas Gerais, Rio de Janeiro e São Paulo. No Sul, Paraná, Rio Grande do Sul e Santa Catarina.

O ministério calcula a probabilidade de que a alta se confirme: acima de 95% em 16 dessas unidades e de 75% em Maranhão, Piauí e Roraima. A tendência vale para todas as faixas etárias, dos menores de 20 anos aos idosos de 80 anos ou mais, e indica crescimento no conjunto das seis semanas, não em cada semana.

Covid em 2026 é pior que em 2025?

Não. O acumulado do ano é o menor dos últimos quatro. Para comparar anos diferentes sem distorção, o ministério usa o mesmo corte, a semana epidemiológica 41: com esse recorte, o total de 2026 equivale a quase um terço do registrado em igual período de 2025 e a menos de um décimo do de 2023.

SÍNDROME GRIPAL POR COVID-19casos notificados por ano, até a semana epidemiológica 41 de cada ano20231.337.6052024886.8382025367.6402026115.6260400 mil800 mil1,2 miFonte: Ministério da Saúde, Informe SE 43 (dados de 4/11/2026)

Por que os casos de covid estão subindo

O movimento faz parte do comportamento esperado dos vírus respiratórios, segundo o infectologista Renato Kfouri, vice-presidente da Sociedade Brasileira de Imunizações (SBIm). Para ele, duas coisas se somam: novas variantes e um contingente maior de pessoas suscetíveis à infecção. Juntas, favorecem ondas periódicas — o mesmo padrão do influenza, do rinovírus e do vírus sincicial respiratório (VSR).

A linhagem predominante no Brasil é a XFG, classificada pela Organização Mundial da Saúde (OMS) como variante sob monitoramento. Em 2026, até a semana epidemiológica 42, o país registrou 2.199 sequenciamentos na plataforma internacional Gisaid e identificou 127 linhagens do coronavírus; cerca de 90% das amostras eram da XFG ou de descendentes dela. Para Kfouri, a circulação de novas variantes não indica, até aqui, mudança no padrão de gravidade.

As internações por covid estão aumentando?

Há sinal de aumento, em nível baixo. O informe aponta leve alta dos casos graves de covid-19 em Mato Grosso, no Distrito Federal, no Rio de Janeiro, em São Paulo e em Santa Catarina, todos com incidência baixa. Em Mato Grosso — e não em Mato Grosso do Sul, como dizia a primeira versão do documento, corrigida por errata —, a covid-19 é o principal motor do crescimento da Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG); em Mato Grosso do Sul, quem puxa a alta é o rinovírus.

O total de internações por síndromes respiratórias, no entanto, está em queda no país. Nas últimas quatro semanas, o rinovírus respondeu por 44% dos casos graves com vírus identificado, o metapneumovírus por 18% e o VSR por 9%. Entre os óbitos do período, o coronavírus aparece em 23%, atrás do rinovírus, presente em 43%.

Quem pode se vacinar contra a covid pelo SUS

A vacina contra a covid-19 está no Calendário Nacional de Vacinação de crianças, gestantes e idosos, e o SUS aplicou 7.320.034 doses em 2026, até 4 de novembro. Em São Paulo, pessoas de 60 anos ou mais recebem uma dose a cada seis meses; gestantes, uma dose em cada gravidez; crianças de 6 meses a 4 anos que nunca tomaram nenhuma dose têm esquema de duas doses da vacina monovalente (JN1) ou de três da Pfizer (XBB), conforme a disponibilidade.

Também têm indicação os grupos prioritários a partir de 5 anos: pessoas imunocomprometidas, puérperas, pessoas com comorbidades, trabalhadores da saúde, pessoas com deficiência permanente, indígenas, quilombolas e ribeirinhos, pessoas em situação de rua, privadas de liberdade e trabalhadores do sistema prisional, entre outros. A lista completa e os endereços dos postos estão no site da prefeitura de São Paulo.

Jovem atendente usa tablet em posto de vacinação enquanto idoso de máscara azul espera sentado à mesa
Atendimento em posto de vacinação contra a covid-19, em imagem de arquivo de 2021 – Foto: Prefeitura de Votuporanga

A pesquisadora Tatiana Portella, do Programa de Computação Científica da Fiocruz e responsável pelo InfoGripe, reforçou a importância da imunização. “A principal forma de prevenção contra casos graves e óbitos por Covid-19 é a vacinação”, afirma.

Tem remédio para covid? Quem tem direito ao antiviral grátis

Sim. O SUS distribui o antiviral nirmatrelvir/ritonavir, que precisa ser iniciado em até cinco dias do começo dos sintomas. Têm direito pessoas de 65 anos ou mais e pessoas imunocomprometidas, com teste positivo para covid-19; a dispensação é feita com receita simples, em duas vias. O informe recomenda testagem para quem tem sintomas respiratórios e indica máscaras PFF2 ou N95 para profissionais de saúde e para pessoas sintomáticas.

Quem tem sintomas deve evitar contato com pessoas vulneráveis e procurar avaliação médica quando houver sinais de agravamento. Em São Paulo, o atendimento começa na UBS mais próxima: reportagem do Espaço do Povo explica como encontrar a unidade e o que ela atende de graça; para outros remédios, o guia de retirada de medicamentos no SUS mostra onde buscar sem custo na capital.