Luiz Inácio Lula da Silva (PT) venceu a eleição presidencial de 2026 e conquista o quarto mandato. Com 99,98% das seções totalizadas às 22:06 deste domingo (25), a apuração do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) dava ao petista 51,78% dos votos válidos, contra 48,22% de Flávio Bolsonaro (PL) — 4.422.899 votos de vantagem. O tribunal ainda não havia declarado o resultado oficialmente até a publicação desta reportagem.

Quantos votos Lula teve?
Lula somava 64.241.786 votos, e Flávio Bolsonaro, 59.818.887. Dos 124.060.673 votos válidos registrados pelo TSE, o petista ficou com 51,78%, 3,6 pontos à frente do senador.
Foram 128.213.738 votos depositados em todo o país. O comparecimento alcançou 80,8% do eleitorado de 158.745.502 pessoas, e a apuração seguia para as últimas seções.
Abstenção cai e brancos e nulos recuam
A abstenção ficou em 19,21%, contra 21,08% do primeiro turno. Em números absolutos, 30.502.075 eleitores não votaram — 2.967.169 a menos do que os 33.469.244 que faltaram em 4 de outubro.
Brancos somaram 1.430.272, ou 1,1% dos votos depositados; nulos, 2.722.793, 2,1%. No primeiro turno, eram 2.300.798 brancos e 3.669.003 nulos.
painel animado · dados oficiais do TSE
No primeiro turno, 12 candidatos disputaram o Planalto; no segundo, a escolha ficou entre dois nomes. O comparecimento subiu de 78,92% em 4 de outubro para 80,8% neste domingo, alta de 1,8 ponto percentual.
Como Lula virou depois de perder o 1º turno
No primeiro turno, em 4 de outubro, Flávio Bolsonaro terminou à frente: 47,03% contra 45,16%, com 56.104.503 votos a 53.879.538. As pesquisas da véspera apontavam empate técnico, e a diferença de 1,9 ponto confirmou o quadro de disputa aberta.
Nas três semanas seguintes, Lula acrescentou 10,4 milhões de votos à própria conta; o senador somou 3,7 milhões. O petista cresceu 6,6 pontos percentuais entre um turno e outro, e Flávio, 1,2 ponto.
Onde a virada aconteceu?
Lula cresceu mais onde perdeu do que onde já era majoritário. Do primeiro para o segundo turno, o petista subiu 7,6 pontos no Sudeste e 7,4 no Centro-Oeste — acima dos 5,6 do Nordeste, região em que teve o melhor desempenho: 69,4% dos votos válidos.
| Região | 1º turno | 2º turno | Variação |
|---|---|---|---|
| Norte | 44,6% | 50,0% | +5,4 |
| Nordeste | 63,8% | 69,4% | +5,6 |
| Centro-Oeste | 32,6% | 40,0% | +7,4 |
| Sudeste | 39,7% | 47,2% | +7,6 |
| Sul | 31,3% | 37,4% | +6,1 |
| Brasil | 45,2% | 51,8% | +6,6 |
Lula venceu em 13 dos 27 estados: os nove do Nordeste, mais Amazonas, Amapá, Pará e Minas Gerais. No Nordeste, o percentual do petista variou de 60,77% em Alagoas a 75,88% em Piauí.
Minas Gerais foi o estado mais apertado do país: 50,41% a 49,59%, diferença de 0,82 ponto percentual. Flávio Bolsonaro ganhou em 14 unidades da federação — Acre, Distrito Federal, Espírito Santo, Goiás, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Paraná, Rio de Janeiro, Rondônia, Roraima, Rio Grande do Sul, Santa Catarina, São Paulo e Tocantins.
São Paulo, maior colégio eleitoral, deu 53,85% ao senador e 46,15% ao petista. No Rio de Janeiro, com 99,99% das seções apuradas, Flávio tinha 53,10% e Lula, 46,90%.
Ônibus retidos: crime eleitoral atingiu redutos de Lula
A Polícia Federal apurava crimes eleitorais ligados ao transporte público em cinco estados: Bahia, São Paulo, Piauí, Sergipe e Alagoas — até o início da tarde, só Sergipe tinha inquérito formalmente instaurado. Quatro deles estão entre os redutos do petista, onde ele venceu com folga — Bahia (71,31%), Piauí (75,88%), Sergipe (69,53%) e Alagoas (60,77%).
Em Salvador, o Tribunal Regional Eleitoral da Bahia (TRE-BA) determinou a prisão em flagrante do secretário municipal de Mobilidade, Pablo Souza, e o restabelecimento imediato de 100% da frota, com multa de R$ 1 milhão por hora de descumprimento. Ao menos 75 ônibus foram impedidos de sair das garagens; o Procon baiano encontrou 55 veículos aptos a operar parados em um pátio.
A prefeitura de Salvador, comandada por Bruno Reis (União Brasil), afirmou que os coletivos foram retidos porque sindicalistas queriam circulá-los com adesivos do número 13. A campanha de Lula pediu ao TSE a prorrogação da votação até as 19h em Salvador, Feira de Santana e Lauro de Freitas. Em São Paulo, a Justiça Eleitoral mandou recolocar 100% da frota após pedido de parlamentares do PSOL, e a campanha pediu duas horas a mais de votação.
Lula classificou a situação como “abominável” e pediu que os eleitores não desistissem. “Não desistam de votar. Esperem e votem, porque a democracia tem que ser vencedora nesse processo eleitoral”, disse.
Não há como medir quantos eleitores deixaram de votar por causa da frota reduzida. O número de abstenções caiu em relação ao primeiro turno, mas a Justiça Eleitoral e a Polícia Federal seguem com as apurações sobre o caso.

Lula venceu no exterior
Entre os 916.683 eleitores cadastrados fora do país, Lula teve 53,86% dos votos válidos, contra 46,14% de Flávio, com todas as seções apuradas — 2,1 ponto acima do desempenho nacional. Foram 200.154 votos para o petista e 171.497 para o senador.
O comparecimento no exterior ficou em 41,63%, bem abaixo do índice nacional, e o petista já havia vencido fora do país no primeiro turno, com 47,57%. O voto no exterior foi acompanhado desde a manhã, quando a apuração começou pelas seções fora do Brasil.
O que acontece depois da vitória?
A totalização do TSE segue até a última seção. Concluída a apuração, o tribunal diploma os eleitos em cerimônia no plenário, e a posse está marcada para 1º de janeiro de 2027, no Congresso Nacional.
Lula, 81 anos, governa de 2027 a 2030. É o quarto mandato do petista, que foi presidente entre 2003 e 2010 e voltou ao cargo em 2023. Geraldo Alckmin (PSB) repete a vice-presidência da chapa de 2022.
O mapa que sai das urnas é dividido: Lula venceu em 13 estados, concentrados no Nordeste, no Norte e em Minas Gerais. Flávio Bolsonaro ganhou nos outros 14: São Paulo, Rio de Janeiro, Espírito Santo, todo o Sul, todo o Centro-Oeste, Acre, Rondônia, Roraima e Tocantins.
A apuração seção por seção pode ser acompanhada na página de acompanhamento do jornal. Os dados oficiais estão no portal de resultados do TSE.
