Tempestade geomagnética G1 chega nesta sexta; nível é o mais comum da escala
Nível G1 é o mais frequente da escala e aparece em cerca de 900 dias de cada ciclo solar. No Brasil, a variação do campo magnético fica entre 200 e 300 nanoteslas.
Uma tempestade geomagnética de nível G1 deve atingir a Terra entre esta sexta-feira (6) e o domingo (8), segundo o alerta que o Centro de Previsão do Clima Espacial da Administração Nacional Oceânica e Atmosférica dos Estados Unidos (NOAA) emitiu às 14h45 de Brasília da quinta-feira (5). O pico está previsto para a noite desta sexta: entre 21h e 0h de sábado, no horário de Brasília. O Brasil não está na área de efeito direto.
O que empurra as partículas na direção da Terra é um buraco coronal, região da atmosfera do Sol onde as linhas do campo magnético se abrem e deixam escapar matéria carregada em alta velocidade. A previsão de três dias do centro americano, atualizada às 9h30 desta sexta, atribui o episódio a um buraco coronal de polaridade negativa. Esse fluxo cruza o espaço e comprime o campo magnético terrestre. A perturbação resultante é a tempestade geomagnética, chamada de tempestade solar.
O que é uma tempestade geomagnética G1
A sigla G1 identifica o mais fraco dos cinco níveis de uma escala que vai de G1 a G5. Ela corresponde ao índice Kp 5 e, na descrição oficial, provoca flutuações fracas na voltagem das redes elétricas, impacto pequeno na operação de satélites e alteração no comportamento de animais migratórios. A aurora, nesse nível, aparece em latitudes altas, como Michigan e o Maine. Nada disso é raro: pela escala publicada pela NOAA, o G1 ocorre cerca de 1.700 vezes a cada ciclo solar de 11 anos, o que soma uns 900 dias, quase um quarto do ciclo. O G2, um nível acima, aparece 600 vezes por ciclo; o G5, o teto, apenas quatro.
Que horas a tempestade chega, no horário de Brasília
O pico está previsto para o intervalo entre 21h desta sexta e 0h de sábado, no horário de Brasília, quando o índice Kp deve alcançar 5,0. A previsão é dividida em janelas de três horas, e outras três chegam ao G1: das 18h às 21h desta sexta (Kp 4,67), das 3h às 6h de domingo (Kp 4,67) e das 15h às 18h de domingo (Kp 5,0).
Até o início da noite desta sexta, a tempestade ainda não tinha chegado. O maior Kp das 24 horas anteriores foi 3, e a leitura das 15h de Brasília marcava 2,33. Às 21h56, porém, o centro americano emitiu um aviso de Kp 4, um nível abaixo do G1, válido até as 9h de sábado, o primeiro sinal de que a perturbação chegou.
Celular, GPS e internet vão funcionar?
Sim. Nenhum dos três deve apresentar problema perceptível no Brasil por causa desta tempestade. O G1 pode provocar oscilações breves no sinal de posicionamento por satélite, porque a ionosfera fica instável, mas os aplicativos de navegação seguem operando, e não há motivo para desligar aparelho nenhum. O que exige atenção nesse nível está longe do usuário comum: operadoras de satélites fazem correções pequenas de orientação, e companhias aéreas em rotas polares acompanham o boletim, cuja área de impacto descrita é principalmente acima de 60 graus de latitude geomagnética.
Por que o Brasil fica fora do efeito
Porque o país está distante dos polos magnéticos, onde as partículas encontram menos resistência do campo terrestre. Nas latitudes aurorais, uma tempestade balança o campo magnético entre 1.000 e 2.000 nanoteslas; nas latitudes baixas e médias, como no caso do Brasil, a variação fica entre 200 e 300 nanoteslas, segundo o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe).
A diferença explica por que a rede elétrica brasileira não entra em risco. Para a aurora descer até o país seria preciso outro patamar: no último nível da escala, o G5, ela é vista até 40 graus de latitude geomagnética, na Flórida e no sul do Texas.
Nada disso tem relação com os temporais de chuva que dominaram os avisos meteorológicos de outubro. O alerta de temporais que o Inmet emitiu para São Paulo e o aviso de tempestade que atingiu 1.861 municípios tratam de chuva, vento e granizo: fenômenos da atmosfera, não do campo magnético.
O risco que sobra para o Brasil é o apagão de rádio
O que pode alcançar o país neste fim de semana é outra perturbação da mesma família, o apagão de rádio, que atinge o lado da Terra iluminado pelo Sol. Nesse nível, o rádio de alta frequência sofre degradação fraca ou pequena no lado iluminado, com perda ocasional de contato, e os sinais de navegação de baixa frequência ficam degradados por breves intervalos. O último R1 registrado ocorreu na quinta-feira (5), às 15h33 de Brasília (18h33 UTC), e o Inpe o classificou como classe M, nível R1.
A previsão de três dias dá 35% de chance de apagões R1 ou R2 em cada um dos três dias, e 10% de chance de um evento R3 ou maior. Esse percentual não é a chance de a tempestade geomagnética acontecer: ele mede o apagão de rádio, causado por explosões solares, que não respeita latitude. Como o R1 também é o nível mais comum da própria escala, com cerca de 2.000 ocorrências por ciclo, o esperado é que passe sem que ninguém perceba. A tempestade de radiação solar tem apenas 5% de chance de chegar ao nível S1.
Onde acompanhar o clima espacial no Brasil
O monitoramento oficial é feito pelo programa Estudo e Monitoramento Brasileiro do Clima Espacial (EMBRACE), do Inpe, vinculado ao Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação. O programa mantém rede própria de magnetômetros e calcula o índice Ksa, uma versão nacional do Kp, além de acompanhar a cintilação ionosférica e as correntes induzidas no solo. No painel público do EMBRACE, o último evento G1 registrado pelo índice brasileiro foi em 31 de outubro, às 18h.