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Doença de Newcastle: cinco países suspendem frango de SC e preço pode cair

Fachada do Ministério da Agricultura e Pecuária, com o nome em letras douradas, em Brasília
Sede do Ministério da Agricultura e Pecuária, em Brasília: a pasta decretou emergência zoossanitária em quatro municípios de Santa Catarina – Rafa Neddermeyer/Agência Brasil

O Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) declarou estado de emergência zoossanitária por 60 dias em quatro municípios de Santa Catarina, depois da confirmação de um foco de doença de Newcastle em uma granja comercial de perus em Nova Itaberaba, no oeste do estado. Cinco países suspenderam a compra de produtos avícolas brasileiros, e o excedente pode baratear o frango no mercado interno.

A medida foi publicada na Portaria Mapa nº 962/2026 e vale para Nova Itaberaba, Águas Frias, Coronel Freitas e Nova Erechim. O ministério também notificou oficialmente a ocorrência à Organização Mundial de Saúde Animal (OMSA) e comunicou o foco aos parceiros comerciais.

O despovoamento sanitário do estabelecimento afetado começou em 19 de outubro e terminou no dia seguinte, com o abate de 6 mil perus. Agora estão em curso a limpeza e a desinfecção das instalações, a vigilância epidemiológica das propriedades da área de restrição e o controle do trânsito de animais e materiais. As ações envolvem o Mapa, a Companhia Integrada de Desenvolvimento Agrícola de Santa Catarina (Cidasc), a prefeitura de Nova Itaberaba, a Polícia Civil e o Instituto Catarinense de Sanidade Agropecuária (Icasa).

Cartão com os números do foco de Newcastle: 60 dias de emergência, 6 mil perus abatidos, 5 países e zero risco pelo consumo
O foco em números: 60 dias de emergência, 6 mil perus abatidos, cinco países com restrições e nenhum risco de transmissão pelo consumo – Arte: Espaço do Povo

As cinco restrições têm abrangências diferentes, segundo a nota oficial do ministério. Malásia e México suspenderam importações de todo o território brasileiro. Já Arábia Saudita, China e Chile limitaram a suspensão aos produtos de Santa Catarina.

A lista do ministério também detalha o que cada país deixou de comprar. A Malásia suspendeu carne, produtos cárneos e miúdos de aves. O México foi além: aves vivas, carne e miúdos de aves, ovos férteis, pintinhos de até três dias e aves canoras, ornamentais, de rapina ou de companhia. A Arábia Saudita e a China pararam de comprar carne e produtos cárneos de aves catarinenses. O Chile suspendeu ovos férteis, ovos SPF, pintinhos de um dia, aves ornamentais, carne fresca de aves, ovos para consumo humano e produtos cárneos que contenham carne fresca.

Quem suspendeu as compras – Fonte: Ministério da Agricultura e Pecuária (21/10)
País Abrangência O que deixou de comprar
Malásia Todo o Brasil Carne, produtos cárneos e miúdos de aves
México Todo o Brasil Aves vivas, carne e miúdos, ovos férteis, pintinhos e aves ornamentais
Arábia Saudita SC Carne e produtos cárneos de aves
China SC Carne e produtos cárneos de aves
Chile SC Ovos férteis e SPF, pintinhos, carne fresca e ovos para consumo
Mapa-múndi com México, Brasil, Chile, Arábia Saudita, China e Malásia destacados
Quem suspendeu o frango brasileiro: México e Malásia bloquearam todo o país; China, Arábia Saudita e Chile restringiram só os produtos de Santa Catarina – Base cartográfica: Wikimedia Commons (domínio público). Arte: Espaço do Povo

O peso desses mercados é desigual. Entre janeiro e setembro de 2026, a Arábia Saudita comprou cerca de 327,8 mil toneladas de carne de frango do Brasil, perto de 8% do volume exportado no período. A Malásia respondeu por menos de 0,5% dos embarques.

Santa Catarina é o estado mais exposto. O território catarinense responde por mais de 20% das exportações brasileiras de carne de frango e, segundo o banco Itaú BBA, o estado vende ao exterior 63% de tudo o que produz, contra uma média nacional de 37%.

É essa dependência que pode mudar o preço na gôndola. Em relatório divulgado nesta sexta-feira (23), o Itaú BBA avalia que, com menos destinos disponíveis, os frigoríficos catarinenses podem ter de vender no país a produção que iria para fora. O aumento da oferta tende a pressionar os preços para baixo, com efeito mais visível no atacado da Região Sul.

O movimento pode se acentuar no primeiro trimestre de 2027, quando o consumo de frango costuma cair depois das festas e das despesas de início de ano. O banco pondera que a redução no atacado pode não chegar inteira ao consumidor: o varejo pode não repassar todo o desconto.

Nos dados de preço, o frango em pedaços subiu 0,71% na prévia da inflação de outubro, o IPCA-15, mas acumula queda de 4% em 12 meses, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

A doença de Newcastle é uma virose que afeta aves domésticas e silvestres e, em quadros graves, causa problemas respiratórios e neurológicos nas aves. Em humanos, a infecção é rara e geralmente leve, podendo provocar conjuntivite temporária depois do contato direto com aves infectadas ou suas secreções. Não há transmissão pelo consumo de carne ou ovos.

O Mapa reitera que o consumo de produtos avícolas submetidos à inspeção oficial permanece seguro, sem contraindicações, e que mantém contato com as autoridades sanitárias dos países importadores para retomar o comércio. A situação dos demais mercados segue em monitoramento.

Redação Cria Brasil
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Comunicador e colaborador do jornal Espaço do Povo, onde desde 2007 narra o cotidiano e as potências das favelas brasileiras.

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