O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) chegou aos EUA “em segurança”, segundo o advogado mexicano Simón Levy, que se apresenta como aliado do movimento de Donald Trump. Em publicação no X por volta das 15h20 desta terça-feira (27), Levy também atribuiu a articulação da saída ao secretário de Estado americano, Marco Rubio. Não há confirmação da Casa Branca, do Itamaraty nem da Polícia Federal.
Flávio Bolsonaro chegou aos EUA?
Segundo Levy, sim. “Como relatei há algumas horas, Flávio Bolsonaro chegou em segurança aos Estados Unidos”, escreveu. É a primeira manifestação pública de alguém do círculo de Trump confirmando a chegada. Antes, uma autoridade americana já havia dito que o senador estava em um voo rumo à Flórida. No fim da tarde, a chegada foi confirmada por fontes ligadas ao governo americano: ele desembarcou com a mulher e as filhas. O Departamento de Estado informou que concederá vistos ao senador e à família e permitirá a entrada deles no país, mas não disse se ele já está em território americano.
O horário do desembarque não foi informado. Aliados apontavam chegada a Miami por volta das 16h30 desta terça; o anúncio de Levy, de que ele já havia chegado “em segurança”, foi feito por volta das 15h20.
O governo dos Estados Unidos não confirmou oficialmente a entrada, e a PF segue sem registro formal de saída do Brasil. A defesa do senador diz que o último contato com ele foi na segunda-feira (26), às 16h30. No fim da noite, aliados disseram que ele já se encontrou com o irmão, o ex-deputado Eduardo Bolsonaro, na Flórida, e que planeja uma entrevista nesta quarta-feira para explicar a decisão de deixar o Brasil.
Quem é Simón Levy
Levy é advogado mexicano e se apresenta como ligado ao movimento MAGA. Mais cedo, já havia dito nas redes que o senador estava a caminho. Na publicação em que confirmou a chegada, apontou o secretário de Estado como articulador da operação: “O cérebro por trás dessa operação é o secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio”.
O que é a Operação Alba
Levy chama de “Operação Alba” uma estratégia que envolveria o senador e a atuação dos Estados Unidos na América Latina. Segundo ele, Flávio passaria a liderar a resistência ao governo de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) a partir do território americano. O advogado relaciona a operação à pressão de Washington sobre Venezuela, Cuba e México e cita pressão econômica como parte do plano. Nada disso foi confirmado por autoridades americanas.
No Brasil, aliados do senador já diziam que ele pretendia comandar a oposição a Lula no Congresso — plano que a viagem deixou em suspenso. Um deles resumiu o clima ao comentar a saída: “A sensação é que, nesse momento, o barco fica sem capitão”.
Como o senador saiu do Brasil
A saída ocorreu na madrugada, segundo fontes ligadas à PF, com apoio de um grupo restrito de aliados no Brasil e nos Estados Unidos. A corporação não identificou passagem dele por nenhum posto regular de migração. A imprensa argentina falou em travessia pela fronteira e em um jato que chegou a Puerto Iguazú e não decolou.
O que acontece agora
O senador pedirá asilo político a Trump, segundo aliados, e o governo americano teria sinalizado a concessão do benefício, que se estenderia à esposa e às duas filhas. No Brasil, a PF cancelou os passaportes comum e diplomático, deputados do PT pediram a prisão preventiva e um alerta vermelho da Interpol, e o PSOL pediu ao Senado que apure abandono de cargo.
A cronologia do dia, da decisão de Alexandre de Moraes ao cancelamento dos passaportes, está nesta reportagem, que segue sendo atualizada. As investigações contra o senador incluem a relação com o ex-banqueiro Daniel Vorcaro e o financiamento do filme Dark Horse.