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Só 1 de 15 aliados de Flávio Bolsonaro reproduziu a carta; Valdemar critica

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Flávio Bolsonaro, de terno azul, cercado por microfones de emissoras durante entrevista no Senado
Flávio Bolsonaro durante entrevista no Senado, em abril de 2026 – Senado Federal/Wikimedia (CC BY-SA 4.0)

O presidente do PL, Valdemar Costa Neto, disse nesta quinta-feira (29) que não gostou da carta em que o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) contesta o resultado da eleição e se apresenta como “líder do Brasil”. A reprovação do dirigente do próprio partido do candidato derrotado veio no mesmo dia em que o levantamento das manifestações públicas mostrou que apenas um dos aliados de Flávio Bolsonaro que estavam ao lado dele no discurso depois da derrota, no domingo (25), reproduziu o texto nas redes sociais.

Flávio perdeu a eleição para Luiz Inácio Lula da Silva (PT) no segundo turno, em 25 de outubro. Na quarta-feira (28), já nos Estados Unidos, publicou a carta em que dizia não reconhecer o resultado das urnas e acusava fraude sem apresentar provas. Horas depois, apagou a postagem e publicou uma segunda versão: trocou “verdadeiro presidente do Brasil” e “presidente eleito” por “líder do Brasil” e “líder”, mas manteve a acusação de fraude.

Quem reproduziu a carta de Flávio Bolsonaro

Um único aliado entre os 15 que apareceram ao lado de Flávio no discurso da derrota reproduziu a carta: o senador eleito José Medeiros (PL-MT). Ele publicou a primeira versão do texto, aquela em que Flávio se dizia “presidente eleito”, e escreveu: “Urgente: Flávio emite nota após chegar aos EUA”. Até a noite desta quinta, o post continuava no ar, mesmo depois de o próprio autor da carta ter trocado a expressão.

Quantos aliados de Flávio Bolsonaro se calaram

Dos 15, 12 não se manifestaram em nenhuma rede social sobre o conteúdo da carta. São eles: Alfredo Gaspar (PL), vice na chapa presidencial; a ex-presidente da Caixa Daniella Marques; a deputada federal Bia Kicis (PL); os senadores eleitos Guilherme Derrite (PL-SP) e Deltan Dallagnol; o deputado federal eleito Lucas Pavanato (PL-SP); os governadores eleitos Luciano Zucco (PL), do Rio Grande do Sul, e Douglas Ruas (PL), do Rio de Janeiro; o deputado federal Hélio Lopes (PL-RJ); o coach Pablo Marçal; o senador Marcel van Hattem (Novo), do Rio Grande do Sul; e o advogado Frederick Wassef.

Outros dois falaram, mas sem endossar o texto. O deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG) fez uma piada com o termo “autodeclaração”, sem comentar a acusação de fraude: “Esquerda zuando (sic) o Flávio porque ele “se autodeclarou” presidente… então tá liberado zuar (sic) quem se autodeclara alguma coisa?”. Já o senador Rogério Marinho (PL-RN), que coordenou a campanha e lidera a oposição no Senado, disse acreditar que houve “algum problema na confecção” do texto e se distanciou da alegação de fraude, afirmando que não há provas nesse sentido.

OS 15 ALIADOS NO PALCO, EM 25 DE OUTUBRO 1 de 15 reproduziu a carta nas redes sociais 1 reproduziu · 2 comentaram sem endossar · 12 não se manifestaram

Levantamento de declarações públicas nas redes sociais e em entrevistas até 29 de outubro de 2026 – Arte: JEP

O que Valdemar Costa Neto disse sobre a carta

O presidente do PL falou com a imprensa depois de visitar Jair Bolsonaro, que cumpre prisão domiciliar e foi condenado pelo Supremo Tribunal Federal (STF) por tramar um golpe de Estado. “Ninguém aprovou a carta. Ninguém aprova essa situação que aconteceu com o Flávio…queremos tocar o país para frente”, afirmou. Sobre a viagem, disse que o senador não avisou o pai: “Ele veio ver o pai, nem o Bolsonaro sabia que ele ia”.

A reprovação expõe uma contradição dentro da própria legenda. O PL, partido de Flávio e presidido por Valdemar, reconheceu o resultado das urnas, assim como o Tribunal Superior Eleitoral (TSE), que atestou a regularidade do pleito ainda no domingo (25). Flávio saiu do país contrariando uma ordem do STF que o proibia de deixar o Brasil e determinava a entrega dos passaportes em 24 horas.

Quantos partidos reconheceram a vitória de Lula

Vinte e sete partidos divulgaram manifestações reconhecendo a vitória de Lula — entre eles o próprio PL. O Novo questionou as instituições e afirmou que o país “não é uma democracia”, enquanto o Mobiliza não se manifestou até a última atualização do levantamento. O TSE tem 30 partidos registrados; a relação usada na compilação reúne 29 siglas, sem o PT.

O União Brasil, que apoiou Flávio no segundo turno, defendeu o reconhecimento do resultado: “A eleição de 25 de outubro transcorreu com lisura e o seu resultado deve ser respeitado”. O presidente do PSDB, Aécio Neves, chamou o comportamento de Flávio de “incompreensível”, e o MDB afirmou reafirmar sua total confiança no sistema eleitoral brasileiro. O presidente do TSE, ministro Kassio Nunes Marques, disse que as eleições “transcorreram dentro da mais absoluta normalidade”.

Sete partidos aliados de Lula — PT, PCdoB, PV, PSB, PSOL, Rede e PDT — divulgaram nota em que rebatem a tese de fraude. Segundo as legendas, “a prorrogação do horário de votação foi pedida pelas duas campanhas, PT e PL, por restrição em transportes públicos e chuvas fortes, e concedida de forma isonômica a todo o país”.

Quando Lula é diplomado e toma posse

A carta não altera o calendário. O calendário eleitoral de 2026 do TSE fixa 18 de dezembro como último dia para a diplomação das eleitas e dos eleitos — uma sexta-feira. A diplomação é o ato em que a Justiça Eleitoral certifica o resultado e habilita o eleito a tomar posse.

E a posse não é em 1º de janeiro. O mandato presidencial começa em 5 de janeiro de 2027, por causa da Emenda Constitucional 111, de 2021, que deu nova redação ao artigo 82 da Constituição. O artigo 5º da emenda determina que a mudança vale só a partir das eleições de 2026, e o artigo 4º confirma que os mandatos dos eleitos em 2022 vão até a posse dos sucessores, “em 5 e 6 de janeiro de 2027”.

O QUE FALTA ATÉ A POSSE ELEIÇÃO 25/10/2026 segundo turno Flávio foi derrotado DIPLOMAÇÃO 18/12/2026 último dia do prazo feita pelo TSE POSSE 05/01/2027 não é 1º de janeiro mudança da EC 111/2021 A diplomação certifica o resultado; a posse é a sessão do Congresso em que o eleito assume. Fonte: calendário eleitoral de 2026 do TSE e Emenda Constitucional 111/2021
Datas oficiais do calendário eleitoral e da Constituição – Arte: JEP

A data da sessão de diplomação ainda não foi divulgada. O texto da Emenda Constitucional 111 está publicado no site da Presidência da República.

Redação Cria Brasil
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Redação Cria Brasil

Comunicador e colaborador do jornal Espaço do Povo, onde desde 2007 narra o cotidiano e as potências das favelas brasileiras.

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