O bitcoin hoje perdeu o patamar de US$ 80 mil e caiu a US$ 76.495 por volta das 23h desta quinta-feira (29), recuo de 4,3% em 24 horas, segundo o agregador de preços CoinGecko. A mínima do dia foi de US$ 76.500 e a máxima, de US$ 81.971, na corretora Binance. No Brasil, a cripto era negociada a R$ 411.842, cerca de 40% abaixo do recorde em reais de R$ 685.780, de julho de 2025.
A queda acompanha a decisão do Federal Reserve (Fed), que manteve os juros dos Estados Unidos na faixa de 3,75% a 4% ao ano na quarta-feira (28), e a reação negativa ao balanço da Alphabet, dona do Google, que derrubou as ações de tecnologia. O índice de preços de gastos com consumo (PCE) de setembro, divulgado nesta quinta-feira, subiu 0,5% no mês e 3,6% em 12 meses; o núcleo, que exclui alimentos e energia, avançou 3,1% no ano, informou o Bureau de Análise Econômica dos Estados Unidos (BEA).
Quanto o bitcoin caiu hoje?
O bitcoin caiu 4,3% em 24 horas e 6,7% entre a máxima e a mínima desta quinta-feira. A maior parte da perda veio nas últimas horas do pregão americano. Ao meio-dia em Brasília, a cripto ainda era negociada a US$ 80.951; às 17h20, estava em US$ 80.396. Às 23h, havia perdido US$ 4,4 mil em relação ao meio-dia.

O volume negociado em 24 horas na Binance somou US$ 2,28 bilhões. Em reais, a queda do dia ficou em 3,6%, porque o dólar subiu no mesmo período. O preço atual está US$ 49.585 abaixo da máxima histórica de US$ 126.080, registrada em 6 de outubro de 2025 — 39,3% de perda em pouco mais de um ano.
Por que o bitcoin caiu?
Juros mais altos nos Estados Unidos encarecem o crédito e reduzem o atrativo de ativos de risco, como criptomoedas e ações de tecnologia. A decisão do Fed saiu por 10 votos a 2, e o comunicado afirma que “a inflação segue elevada” e que “a atividade econômica está se expandindo em ritmo forte”. O Produto Interno Bruto (PIB) americano do terceiro trimestre cresceu 3,4% em taxa anualizada, contra 2,2% no segundo trimestre, na estimativa preliminar do BEA divulgada nesta quinta-feira.
Do lado corporativo, a Alphabet caiu 12,64% nesta quinta-feira, de US$ 324,89 para US$ 283,82, depois de apresentar gastos elevados com inteligência artificial e a necessidade de levantar recursos para financiá-los. “O ruim é que o bitcoin segue refém do humor com tecnologia”, afirma Marco Aurélio de Camargos, CIO da Vault Capital. Para Guilherme Meibak, CFO da Binance Brasil, o quadro aponta para “juros americanos elevados por mais tempo e a possibilidade de novas altas no radar”, cenário em que ele vê mais relevância para ativos de oferta limitada, como o bitcoin.
O que o Fed decidiu e o que muda em dezembro?
O Fed manteve a taxa básica no intervalo de 3,75% a 4% ao ano. Dois diretores votaram por aumento imediato de 0,25 ponto percentual: Lisa D. Cook e Beth M. Hammack. O presidente do banco central americano, Kevin Warsh, não deu indicação clara sobre os próximos passos, mas repetiu o compromisso de levar a inflação à meta de 2% ao ano.
O mercado passou a apostar em alta em dezembro. A ferramenta FedWatch, do CME Group, apontava entre 80% e 85% de probabilidade ao longo do dia. O rendimento do título do Tesouro americano de 10 anos chegou a 5,045% na quarta-feira e fechou esta quinta em 4,989%. Na Europa, o Banco Central Europeu (BCE) manteve os juros e sinalizou alta para dezembro; o Banco do Japão (BoJ) anuncia sua decisão nesta sexta-feira (30).
Bitcoin pode cair a US$ 75 mil?
É o cenário apontado pela corretora FxPro: com a correlação entre cripto e Nasdaq, o risco é um recuo até US$ 75 mil. Pelo preço desta quinta, faltam cerca de 2% para chegar lá.
Do outro lado, os fundos negociados em bolsa (ETFs) de bitcoin à vista nos Estados Unidos acumularam três pregões seguidos de entrada de recursos, com cerca de US$ 424 milhões entre segunda e quarta-feira, segundo a Vault Capital. Camargos diz que esse fluxo tem sido a principal fonte de demanda americana pelo ativo. A corretora Zaye Capital Markets lista ainda a incerteza sobre a política monetária, a demanda institucional e as tensões geopolíticas entre os fatores que pesam sobre a cripto.
Por que o bitcoin cai menos em reais?
Porque o dólar subiu no mesmo dia. A moeda americana fechou a PTAX desta quinta-feira a R$ 5,3744 para venda, contra R$ 5,3420 na véspera, segundo o Banco Central, e o bitcoin recuou 4,3% em dólar e 3,6% em reais, conforme o CoinGecko.
O dólar tinha aberto a R$ 5,60 no primeiro pregão depois da reeleição de Lula, em 26 de outubro, quando a Bolsa acionou o circuit breaker e o Ibovespa chegou a cair 16,98% — a maior queda no dia seguinte a uma eleição desde 1994. A volta a R$ 5,37 amorteceu parte do efeito da queda da cripto para quem acompanha o preço em reais. O tema também já apareceu no JEP na discussão sobre educação financeira e blockchain.
Quando saem os próximos dados do Fed e da inflação?
O PCE de outubro sai em 25 de novembro, mesmo dia da segunda leitura do PIB do terceiro trimestre, segundo o calendário do BEA. A próxima reunião do Fed é em dezembro, e o comunicado desta quarta-feira está publicado no site do banco central americano.