Autódromo de Interlagos: a cidade-satélite de 1940 que virou palco da F1
O nome veio de Interlaken, entre lagos, sugestão do urbanista francês Alfred Agache. A pista encolheu de 7.960 para 4.309 metros e recebe a F1 pela 43ª vez.
O Autódromo José Carlos Pace foi inaugurado em 12 de maio de 1940, com pista de terra, e recebe neste domingo (8) a 43ª corrida de Fórmula 1 de sua história. Antes de ser circuito, o lugar foi desenhado para ser uma cidade-satélite — com casas, comércio, hotel e igreja em volta da pista.
Quando foi inaugurado o autódromo de Interlagos
A primeira corrida oficial em Interlagos aconteceu em uma tarde de 12 de maio de 1940. Na inauguração, o autódromo tinha pista de terra, e não asfalto.
O projeto do circuito começou a ser desenhado em meados da década de 1920 pelo engenheiro britânico Louis Romero Sanson, que tinha um plano imobiliário para a região sul da capital. A ideia era criar uma cidade-satélite: além do autódromo, haveria residências, conjuntos comerciais, hotel e igreja.
Por que o circuito se chama Interlagos
O nome veio do urbanista francês Alfred Agache, que participou do projeto. Ele sugeriu “Interlagos” pela semelhança com a região suíça de Interlaken, que significa “entre lagos”.
A comparação faz sentido: o bairro fica entre duas represas paulistanas, Billings e Guarapiranga, que abastecem a cidade de água e energia.
Como o traçado mudou até os 4.309 metros de hoje
A pista original tinha 7.960 metros de extensão. Em 1979, encolheu para 7.873 metros, por causa das reformas feitas para o autódromo voltar a receber a Fórmula 1.
Depois de uma grande intervenção no final dos anos 1980, o traçado passou a ter 4.325 metros, para atender às exigências da categoria. A partir dos anos 2000, com ajustes e melhorias, o circuito ficou com os atuais 4.309 metros.
Quantas vezes a Fórmula 1 correu em Interlagos
A corrida deste domingo é a 43ª da Fórmula 1 no circuito paulistano. O GP do Brasil entrou no calendário oficial da categoria em 1973, com vitória de Emerson Fittipaldi, e ficou em Interlagos até 1977.
O autódromo recebeu a prova de novo em 1979 e 1980. Depois, a Fórmula 1 foi para Jacarepaguá, no Rio de Janeiro, onde ficou de 1981 a 1989. O retorno a São Paulo aconteceu em 1990, e a pista não saiu mais do calendário — só em 2020, quando a etapa foi cancelada por causa da pandemia de coronavírus.
Houve ainda uma corrida fora do calendário, em 1972, também em Interlagos. Ela não valeu pontos para o Mundial.
O circuito tem 15 curvas ao longo dos 4,309 km. A sequência mais conhecida é o S do Senna, que abre a volta e leva o nome do tricampeão brasileiro. A Reta Oposta é a principal zona de aceleração, e a subida final concentra as curvas mais lentas.
Na Curva do Laranjinha, que antecede o S, o autódromo reservou um painel de cerca de 2 mil metros quadrados do muralista Eduardo Kobra em homenagem a Senna, mostrado pelo Espaço do Povo antes da corrida.
O que existe além da pista de Fórmula 1
O complexo tem o Kartódromo Ayrton Senna, com 12 curvas e 1.150 metros de extensão, inaugurado em 1970 e reaberto em 2015. A pista serviu de aprendizado para pilotos brasileiros, entre eles o próprio Senna, e foi rebatizada em 1996 em homenagem ao tricampeão.
Há também o Retão, trecho de 500 metros da pista antiga que hoje recebe provas de arrancada e cursos de escolas de pilotagem. A estrutura tem guard rails dos dois lados, grade de proteção e sinalização no asfalto.
Quais são os recordes do circuito
A volta mais rápida da história do autódromo é de Valtteri Bottas, hoje na Cadillac: 1min10s540, em 2018, quando ele corria pela Mercedes. Quem mais venceu em Interlagos foi Michael Schumacher, com quatro vitórias.
O vencedor da edição de 2025 foi Lando Norris, da McLaren, que larga na pole position neste domingo. O grid, o horário e as opções de transporte estão no guia do GP de São Paulo do Espaço do Povo.