Um trem da Renfe bateu na traseira de uma composição da Iryo parada nos trilhos e deixou 68 mortos no acidente de trem em Toledo, na Espanha, nesta quarta-feira (28). O choque foi às 8h54 locais (4h54 em Brasília), no quilômetro 118 da linha que liga Madri à Andaluzia, entre Los Yébenes e Urda. O AVE 2080, que saiu de Madri rumo a Sevilha com 397 pessoas, andou 25 quilômetros antes de atingir o Iryo 6076, com 147 passageiros, entre eles um bebê. O presidente de Castilla-La Mancha, Emiliano García-Page, divulgou o balanço às 15h48 locais (11h48 em Brasília).
Os dois trens somavam 544 pessoas. A região ativou o plano de emergência PLATECAM, mobilizou três helicópteros e duas UTIs móveis, e o Ministério do Interior enviou a Unidade Militar de Emergências (UME). O prefeito de Urda, Manuel Galán, pediu um pavilhão municipal para abrigar os passageiros. O rei Felipe VI declarou que “a primeira coisa é lamentar essa terrível desgraça”.
Quantas pessoas morreram no acidente de trem em Toledo?
A contagem oficial chegou a 68 mortos às 15h48 locais (11h48 em Brasília), acima dos 64 confirmados no início da tarde, e o governo admite que pode haver mais vítimas sob os vagões. A maior parte das vítimas estava no trem parado, atingido na traseira; dois vagões da Iryo descarrilaram ribanceira abaixo. O governo regional registrou 15 feridos graves, 53 em estado intermediário e o restante com ferimentos leves. A Justiça ainda precisa autorizar a inspeção do amontoado de vagões, e a região mobilizou cães farejadores. Em 23 de outubro, um terremoto no Tibete matou 16 pessoas.
Como o AVE bateu em um trem que estava parado?
O sistema de segurança LZB, que controla a distância entre os trens e freia as composições, falhou por volta das 8h30. Seis trens que circulavam em um trecho de 63 quilômetros da linha pararam de uma vez. Sem o LZB, o comando passou ao centro de controle de Atocha, em Madri, que autoriza a circulação por rádio.
Às 8h36, o centro liberou o AVE 2080 para retomar a viagem com normalidade. O trem da Iryo, à frente, não voltou a andar, e as autoridades ainda não explicaram por quê. Entre a autorização e o impacto, o AVE percorreu 25 quilômetros em cerca de 20 minutos. A norma exige “marcha à vista”, com no máximo 40 km/h; o ministro dos Transportes, Óscar Puente, estimou 200 km/h.
A decisão de retomar foi tomada com o sinal vermelho aceso, disse Puente no centro de controle da Adif, a gestora da infraestrutura. “No centro de controle, tiveram tempo mais que suficiente para constatar o erro e não o resolveram.” Ele chamou o acidente de “verdadeiramente inverossímil” e contou que um maquinista de um trem parado avisou o controle.
Quem é o controlador investigado?
O operador que autorizou a retomada está identificado e foi interrogado pela Guarda Civil. Ele recebe assistência jurídica e psicológica, e técnicos da Comissão de Investigação de Acidentes Ferroviários acompanham o caso. Puente afirmou que a decisão cabia ao centro de controle, não ao maquinista. Disse estar “absolutamente devastado” e descartou renunciar.
Por que a Espanha teve outro acidente de alta velocidade em 2026?
Em 18 de janeiro, um trem da Iryo que ia de Málaga a Madri descarrilou e invadiu a via ao lado, perto de Adamuz, em Córdoba, e foi atingido por uma composição da Renfe que fazia Madri-Huelva. Morreram 46 pessoas. Os dois únicos acidentes com mortes na alta velocidade espanhola desde a inauguração da linha Madri-Sevilha, em 1992, aconteceram neste ano, no mesmo corredor e com as mesmas empresas.
O desastre mais letal do país é o de Torre del Bierzo, em 3 de janeiro de 1944, quando um trem-correio bateu em uma locomotiva em manobras: a Renfe registrou 78 mortos, e estimativas apontam até 500 vítimas. Em 24 de julho de 2013, um Alvia que fazia Madri-Ferrol descarrilou em Angrois, perto de Santiago de Compostela, acima da velocidade permitida, e matou 80 pessoas.
| Ano | Local | Mortos |
|---|---|---|
| 1944 | Torre del Bierzo | 78 |
| 2013 | Angrois | 80 |
| 2026 | Adamuz | 46 |
| 2026 | Urda | 68 |
O acidente muda a eleição espanhola de 29 de novembro?
A Espanha vota em 29 de novembro, e o acidente suspendeu a campanha. O primeiro-ministro Pedro Sánchez cancelou compromissos de governo e atos eleitorais e escreveu estar “consternado com o grave acidente ferroviário em Toledo”. A apresentação do Orçamento de 2027, prevista para esta quarta, foi adiada. O líder do Partido Popular, Alberto Núñez Feijóo, disse estar muito preocupado com o novo acidente, e o Boletim Oficial do Estado publicou as listas de candidatos. Em julho, a chegada de milhares de migrantes a Ceuta reacendeu a crise na fronteira com Marrocos.
Quem estava nos trens e o que acontece com quem vai viajar?
No AVE viajavam 397 pessoas; no Iryo, 147. Eduarda, de 17 anos, contou que o trem deu uma freada muito forte e que ela foi arremessada contra a poltrona: “Dava para ver mortos sob os trens por toda parte”. Iñaki, de 60 anos, no vagão 2 do Iryo, sentiu um impacto muito forte; quando a composição estancou, os passageiros estavam de cabeça para baixo.

A circulação entre Madri, Ciudad Real e a Andaluzia está suspensa. A Renfe mantém o telefone gratuito 900 10 10 20 para afetados e familiares; a Iryo atende no 900 001 403 e cancelou os serviços que saem de Madri para o corredor sul. A Adif montou pontos de atendimento em Atocha, Sevilla-Santa Justa, Córdoba e Málaga. A Iberia limitou a tarifa turista a 99 euros e a executiva a 149 euros nos voos para a Andaluzia até 8 de novembro e abriu o telefone 900 111 500 para remarcações.
Quem tem bilhete para os próximos dias pode pedir reembolso ou reacomodação. Pela regra europeia que vale na Espanha, quem chega ao destino com mais de 60 minutos de atraso por trem cancelado escolhe entre receber o valor de volta em até 30 dias ou seguir viagem em condições equivalentes, sem custo extra, com refeições e hospedagem se houver pernoite. Sem informação sobre reacomodação em 100 minutos, o passageiro pode contratar outro transporte e pedir reembolso.