Paraguai enfrenta impeachment e crise bancária com renúncia de Peña

Santiago Peña renunciou no dia 5 de novembro de 2026 após o colapso do Ueno Bank, que deixou 3 milhões de clientes sem acesso aos recursos. O impeachment foi aprovado pela Câmara e o vice‑presidente Pedro Alliana foi indicado como sucessor.

Santiago Peña anunciou sua renúncia no dia 5 de novembro de 2026, depois do colapso do Ueno Bank, o maior banco digital do país. A decisão ocorreu após a Câmara dos Deputados aprovar por unanimidade o julgamento de impeachment contra o mandatário, mesmo com sua saída. Milhares de paraguaios ficaram sem acesso aos recursos depositados na instituição.

O Ueno Bank atendia cerca de 3 milhões de clientes, representando quase metade da população de 7 milhões de habitantes. O colapso foi formalizado pela resolução do Banco Central, que iniciou o procedimento de liquidação após o índice de solvência cair abaixo de 50% do mínimo exigido pela lei.

Oponentes do governo pedem que a renúncia seja formalmente processada antes da saída, a fim de perder o foro privilegiado. Senadores também solicitaram a convocação de uma sessão extraordinária do Senado para tratar exclusivamente do julgamento de Peña, exigindo a atuação constitucional no processo.

O vice‑presidente Pedro Alliana foi apontado como provável sucessor da presidência. A Câmara dos Deputados rejeitou a proposta de impeachment em relação a Alliana, mantendo a estabilidade do cargo na ausência de oposição formal.

Peña manteve vínculo com o Ueno Bank como acionista do Grupo Vázquez até março de 2025 e, em agosto de 2023, nomeou Carlos Carvallo como presidente do Banco Central. O controle acionário e os empréstimos concedidos a empresas ligadas ao grupo levantaram acusações de conflito de interesse e manipulação regulatória.

Com a pressão sobre o Banco Central, Carvallo pediu a renúncia do cargo em 3 de novembro, e Raúl Vera Bogado foi nomeado presidente da instituição no dia seguinte. A decisão de resolução de Ueno Bank levou à suspensão das operações e à indisponibilidade temporária dos depósitos.

Clientes e aposentados protestaram nas ruas de Assunção, exigindo a devolução integral dos valores, e a manifestação evoluiu para confrontos com a Polícia Nacional, que deteve um grupo que tentava avançar em direção à sede do Congresso.

O episódio expôs fragilidades no sistema financeiro, com a concentração de centenas de bilhões de guaranis do Instituto de Previsão Social no Ueno Bank, além de indicar possíveis desvios de fundos de aposentadoria e manipulação regulatória, conforme denúncia de oposição.