Rebeca Andrade, de 27 anos, conquistou neste sábado (24) o ouro no salto do Mundial de Ginástica Artística, em Roterdã, nos Países Baixos, com a nota 14,466. É o terceiro título mundial dela no aparelho — ela já havia vencido em 2021, em Kitakyushu, e em 2023, em Antuérpia — e a décima medalha em Mundiais: quatro ouros, quatro pratas e dois bronzes. Foi o primeiro pódio do Brasil nesta edição do campeonato.
A nota saiu de dois saltos: 14,400 no primeiro, um Yurchenko com dupla pirueta, e 14,133 no segundo, um López — o mesmo salto com que faturou os títulos de 2021 e 2023 e as duas medalhas olímpicas no aparelho. A média dos dois, somada a 0,2 de bônus, chegou aos 14,466. As dificuldades foram de 5,0 e 4,8; as execuções, de 9,400 e 9,333, segundo a planilha oficial da Federação Internacional de Ginástica (FIG).

O pódio teve dobradinha dos Estados Unidos: Claire Pease ficou com a prata (14,233) e Skye Blakely, com o bronze (14,166). A canadense Lia-Monica Fontaine terminou em quarto (14,083) e Elsabeth Black, também do Canadá, em quinto (13,966). A sul-coreana Yeo Seojeong, segunda melhor da qualificação, fez 14,600 no primeiro salto, mas caiu para 12,833 no segundo e terminou em sétimo.
| Ginasta | Nota final |
|---|---|
| Rebeca Andrade (BRA) | 14,466 |
| Claire Pease (EUA) | 14,233 |
| Skye Blakely (EUA) | 14,166 |
| Lia-Monica Fontaine (CAN) | 14,083 |
| Elsabeth Black (CAN) | 13,966 |
Rebeca não foi a ginasta de maior dificuldade da final. Claire Pease arriscou mais — 5,6 contra 5,0 no primeiro salto — e perdeu na execução: 8,766 contra 9,400. A norte-americana levou ainda 0,3 de penalidade no segundo salto. A brasileira venceu com saltos mais simples e melhor executados, o que ela mesma destacou depois da prova.
Rebeca chegou à final como primeira colocada na qualificação, com a maior nota do dia no salto, e foi a sexta a se apresentar entre as oito finalistas.
O ouro vem depois de uma pausa. A ginasta ficou fora da temporada de 2025, dedicada à saúde mental e ao convívio com a família, e anunciou o retorno às competições em abril deste ano. Em Roterdã, foi a primeira medalha do Brasil no campeonato.
Nascida em Guarulhos, na Grande São Paulo, Rebeca começou a treinar aos 4 anos em um projeto social da prefeitura, inspirada em Daiane dos Santos. Aos 10, mudou-se sem a família para Curitiba para seguir na ginástica; no ano seguinte, passou a competir pelo Flamengo. Aos 13, venceu o Troféu Brasil à frente de Daniele Hypolito e Jade Barbosa, e estreou em Olimpíadas no Rio, em 2016.
“Mostra que tudo que a gente tem feito tá sendo da melhor maneira possível e tá dando certo. Eu não fiz os meus saltos mais difíceis da minha carreira, mas eu tô bem feliz e orgulhosa”, disse a ginasta após a prova.
Simone Biles não competiu. A norte-americana, que não entra em uma competição desde a Olimpíada de Paris, em 2024, acompanhou a final das arquibancadas, como convidada de honra do Mundial.
Rebeca é a maior medalhista olímpica do Brasil, com dois ouros, três pratas e um bronze. No salto, foi ouro em Tóquio 2020 e prata em Paris 2024 — Olimpíada em que o país conquistou a primeira medalha por equipes da ginástica feminina.
O Mundial termina neste domingo (25). Às 10h no horário de Brasília, Flávia Saraiva disputa a final da trave — ela foi a terceira melhor da qualificação, com 14,400. A seleção brasileira também avançou à final por equipes na oitava e última vaga, e os resultados oficiais podem ser conferidos no site da federação internacional.