O cineasta paulistano Kaique Alves, de 28 anos e cria da favela de Cangaíba, na Zona Leste de São Paulo, tornou-se o membro mais jovem convidado para votar no Emmy. Natural da periferia, o profissional agora ocupa a posição de diretor-geral e produtor executivo mais jovem da Netflix, plataforma onde lança a série chamada Rauls. Kaique foi indicado ao prêmio internacional por Escola de Quebrada, obra que registrou a maior audiência brasileira no Paramount+ durante o ano de 2023.
O início da carreira aconteceu aos 14 anos, após um acidente de carro interromper a trajetória do jovem na base do Corinthians. Durante a recuperação, ele aprendeu edição de vídeo pelo YouTube e gravou clipes para o irmão e o primo com uma câmera emprestada de um vizinho. Os vídeos alcançaram 100 mil e 300 mil visualizações na época, o que levou o diretor a gravar mais de mil clipes ainda na adolescência, passando a ganhar mais dinheiro que os pais juntos.
A visibilidade cresceu em 2014 com o hit Passinho do Romano, de Bruno IP, que rendeu reportagens em programas de televisão. Esse trabalho permitiu que Kaique conhecesse Konrad Dantas, fundador da produtora Kondzilla. Ele entrou na empresa como editor e, após dois anos, tornou-se diretor da casa. Nessa fase, assinou trabalhos para Pabllo Vittar, Mano Brown e Kevinho, incluindo o clipe Olha a explosão, do MC Kevin, que superou 500 milhões de visualizações no YouTube.
Para aprimorar a técnica, o cineasta estudou na New York Film Academy, nos Estados Unidos. O curso mensal custava R$ 35 mil, valor que foi custeado por Konrad Dantas devido aos resultados expressivos dos clipes produzidos pelo jovem. No retorno ao Brasil, Kaique atuou no mercado publicitário da Kondzilla, criando comerciais para marcas como Amazon, Coca Cola, Adidas, Meta, Spotify, Tinder, Budweiser, Colgate, Rappi, Unilever e Skol, conquistando seis Leões em Cannes.
O reconhecimento profissional se estende à música, com indicações ao Grammy Latino nas edições de 2024 e 2025. O diretor concorre na categoria melhor videoclipe versão longa pelos trabalhos Iradoh, de Hodari, e Meu karma, de Jovem MK. Kaique Alves relata que, em São Paulo, a maioria dos jovens da favela deseja ser jogador de futebol ou MC, caminhos que ele integrou ao migrar para a direção audiovisual.