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Malafaia chama filhos de Bolsonaro de “jumentos” e vê “infantilidade” na carta

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O pastor Silas Malafaia chamou os filhos de Jair Bolsonaro (PL) de “jumentos” em mensagem enviada a aliados pelo WhatsApp na quarta-feira (28) e, nesta quinta-feira (29), classificou como “infantilidade” a carta em que Flávio Bolsonaro (PL-RJ) se apresentou dos Estados Unidos como “o verdadeiro presidente eleito do Brasil”. Para o pastor, o senador perdeu credibilidade ao publicar um texto cheio de erros e depois corrigi-lo.

Na mensagem da véspera, divulgada na noite de quarta, o pastor foi direto: “Esses filhos de Bolsonaro são uns jumentos. Só se aconselham com gente errada! Faz carta, fala bobagem, depois corrige”. Procurado naquele dia para comentar, ele havia recusado: “Eu não tenho mais nada para falar. Não tem nada que falar não, amigo”.

O que Malafaia disse sobre a carta

Em entrevista nesta quinta-feira, Malafaia afirmou que o episódio extrapolou o que se espera de quem disputou a Presidência. “Um candidato à presidência da República não pode errar, não pode fazer uma carta sem pé, sem cabeça, cheia de erros, depois vir e corrigir. Isso pega mal, isso é ridículo, é feio. Isso é infantilidade”, disse.

Ele citou como agravante o brasão usado na primeira versão do documento. “Dizer que o brasão está errado… isso não pode acontecer”, afirmou. E completou que o nível do cargo não permite o recuo: “não pode dizer ‘deixa eu corrigir a carta aqui, agora não sou mais presidente, sou líder’”.

Por que a carta irritou até aliados

A carta saiu na quarta-feira, com Flávio já em Miami. Ele deixou o Brasil na terça (27), depois de perder o prazo de 24 horas dado pela Polícia Federal para entregar os passaportes — documentos que o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), mandou recolher poucas horas depois do resultado do segundo turno. O texto foi divulgado pelo aliado Paulo Figueiredo, em vez da coletiva que o senador daria em Miami.

Jornalista, empresário e neto do ex-ditador João Figueiredo, ele foi denunciado pela Procuradoria-Geral da República (PGR) no inquérito que apura a tentativa de golpe de Estado, é considerado foragido da Justiça brasileira nos Estados Unidos e teve bens e passaporte bloqueados por decisões do STF.

Flávio Bolsonaro, de terno azul-claro, fala cercado por microfones de emissoras de rádio e televisão
O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) em entrevista no Senado, em abril de 2026 – Senado Federal/CC BY-SA 4.0

A primeira versão da carta trazia o brasão com a inscrição “Estados Unidos do Brazil” — o país adota o nome República Federativa do Brasil desde 15 de março de 1967. Depois da repercussão, o documento foi apagado e republicado com “líder do Brasil” no lugar de “presidente eleito”, como registrou a primeira reportagem sobre a carta. Figueiredo alegou que o texto “continha um erro que vai ser ajustado”.

Quantos votos foram depositados depois das 17h

Menos de 35 mil eleitores votaram depois das 17h no segundo turno, segundo o Tribunal Superior Eleitoral (TSE). É sobre esse universo que Flávio Bolsonaro construiu a tese de fraude que sustenta na carta.

2º TURNO · 25 DE OUTUBRO DE 202634.393eleitores votaram depois das 17hTSE · equivale a 0,027% dos votos do segundo turno

O levantamento do TSE mostra o movimento: 32.399 votos foram computados entre 17h e 18h, 1.981 entre 18h e 19h e 13 depois das 19h. Das mais de 473 mil urnas espalhadas pelo país, 24.268 continuavam abertas depois das 17h10 — o horário considera os cerca de dez minutos que uma seção leva para emitir o boletim de urna. São Paulo concentrou 2.496 desses votos, seguido do Rio de Janeiro (2.349), da Bahia (1.656) e de Pernambuco (577).

A prorrogação até as 19h foi pedida pelas duas campanhas. A de Lula alegou problemas de mobilidade urbana em cidades como Salvador e São Paulo; a de Flávio pediu mais tempo em municípios de São Paulo, Minas Gerais, Santa Catarina e Rio Grande do Sul por causa das chuvas. O ministro Cristiano Zanin, do STF, estendeu o prazo apenas onde as urnas ainda não tinham sido encerradas. Lula terminou com 64.256.232 votos (51,79% dos válidos) contra 59.826.041 de Flávio (48,21%) — diferença de 4.430.191 votos.

O que o PL arrisca ao reeditar 2022

Antes de embarcar, Flávio discutiu com aliados a possibilidade de pedir uma auditoria nas urnas. O assunto foi tratado em um almoço na segunda-feira (26), em Brasília, com o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), o coordenador da campanha, Rogério Marinho (PL-RN), o senador eleito Guilherme Derrite (PP) e as advogadas Maria Claudia Bucchianeri e Tracy Reinaldet. Ele foi aconselhado a não seguir com a ofensiva.

O argumento que pesou foi o preço já pago pelo partido. Em dezembro de 2022, o plenário do TSE confirmou por unanimidade a multa de R$ 22,9 milhões ao PL por litigância de má-fé, depois de a legenda pedir a invalidação de votos do segundo turno. A corte também bloqueou o Fundo Partidário até o pagamento — dinheiro público que sustenta o funcionamento dos partidos. No ano seguinte, o TSE condenou Jair Bolsonaro por abuso do poder político e uso indevido dos meios de comunicação, por ter usado uma reunião com embaixadores no Palácio da Alvorada para atacar o sistema eletrônico de votação.

Qual é o peso de Malafaia na campanha de Flávio

Malafaia foi um dos principais aliados da candidatura. No primeiro comício da campanha, em Copacabana, ele não compareceu, mas gravou uma mensagem exibida no ato: “Não posso estar aí, mas quero deixar claro meu apoio irrestrito para Flávio Bolsonaro e Douglas Ruas”. Douglas Ruas, candidato ao governo do Rio, foi eleito. O pastor também apoiou Jair Bolsonaro, preso por tentativa de golpe de Estado depois de perder a eleição de 2022.

Na quarta, procurado para comentar a mensagem, Malafaia disse não ter mais nada a falar. Nesta quinta, mudou de postura: levou a crítica para a entrevista no momento em que Flávio tenta se firmar como voz da oposição a partir dos Estados Unidos.

Redação Cria Brasil
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Comunicador e colaborador do jornal Espaço do Povo, onde desde 2007 narra o cotidiano e as potências das favelas brasileiras.

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