O direito ao voto feminino no Brasil enfrentou e ainda enfrenta resistências baseadas em misoginia histórica. Registros de 1891 mostram que parlamentares da época utilizavam a retórica religiosa e social para impedir a participação das mulheres nas decisões políticas do país.
O senador constituinte Coelho e Campos afirmou categoricamente em 1891 que sua mulher não iria votar. A fala do parlamentar reflete a mentalidade da época, que excluía as mulheres dos processos eleitorais sob a justificativa de preservar a estrutura familiar e o papel doméstico.
Serzedelo Corrêa, outro parlamentar daquele mesmo ano, defendeu que a política era um ambiente inadequado para o público feminino. Serzedelo Corrêa argumentou que inserir a mulher em meio às lutas e paixões políticas significaria tirar a santidade da figura feminina.
A resistência ao voto feminino ultrapassa o século XIX e se manifesta em discursos violentos na atualidade. Após 135 anos, surgem novas afirmações que questionam a capacidade cognitiva e a qualidade do voto das mulheres brasileiras no cenário eleitoral.
As críticas contemporâneas segmentam as eleitoras para justificar a misoginia. Discursos recentes afirmam que as mulheres votam estatisticamente mal, direcionando a crítica principal para as mulheres solteiras em comparação às casadas.
Esses ataques demonstram que a conquista do voto feminino não eliminou a violência simbólica no campo político. A persistência dessas falas evidencia a luta contínua das mulheres para que seu direito ao sufrágio seja respeitado sem julgamentos morais ou estatísticos.