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Salário mínimo sobe para R$ 1.621, mas custo de vida ainda pesa nas periferias

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O novo valor entrou em vigor em 1º de janeiro, conforme o Decreto nº 12.797, de 23 de dezembro de 2025, e serve de referência para salários, aposentadorias e outros benefícios vinculados ao piso nacional - Imagem ilustrativa

No Dia da Favela, celebrado em 4 de novembro, dados sobre salário mínimo e inflação mostram os desafios do orçamento de famílias que vivem nas periferias brasileiras

O salário mínimo brasileiro passou de R$ 1.518 para R$ 1.621 em 2026, um aumento de R$ 103, equivalente a 6,79%. Apesar do reajuste, a inflação continua pressionando o orçamento das famílias, especialmente entre trabalhadores de baixa renda.

O novo valor entrou em vigor em 1º de janeiro, conforme o Decreto nº 12.797, de 23 de dezembro de 2025, e serve de referência para salários, aposentadorias e outros benefícios vinculados ao piso nacional.

Segundo os dados apresentados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), a inflação oficial acumulada em 12 meses chegou a 4,58% em setembro de 2026.

O resultado mostra que os preços continuaram subindo ao longo do ano, afetando despesas essenciais como alimentação, transporte, energia elétrica e moradia.

Quanto aumentou o salário mínimo em 2026?

O reajuste do salário mínimo representou um acréscimo de R$ 103 em relação ao valor pago em 2025.

Com a atualização, o piso nacional passou a ter os seguintes valores:

  • Salário mínimo mensal: R$ 1.621.
  • Valor diário: R$ 54,04.
  • Valor por hora: R$ 7,37.
  • Aumento em relação a 2025: R$ 103.

O reajuste nominal de aproximadamente 6,79% representa o aumento do valor em reais, sem descontar a inflação.

Para avaliar se houve ganho real de poder de compra, é necessário comparar a variação salarial com a inflação acumulada no período correspondente.

Inflação acumulada chegou a 4,58% em setembro

De acordo com o IBGE, o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), considerado o indicador oficial de inflação do país, registrou alta de 0,82% em setembro de 2026.

No acumulado de 12 meses até setembro, o índice chegou a 4,58%.

Já o Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC), que acompanha a variação de preços para famílias com rendimentos mais baixos, acumulou 4,29% no mesmo período.

Os indicadores mostram que o custo de vida continuou aumentando, embora a variação dos preços não seja igual para todos os produtos, serviços ou regiões do país.

É importante destacar que o reajuste salarial de janeiro e a inflação acumulada nos 12 meses encerrados em setembro correspondem a períodos diferentes. Por isso, esses percentuais não podem ser comparados diretamente para calcular o ganho real do salário mínimo em 2026.

Como a inflação afeta quem ganha um salário mínimo?

Para trabalhadores que recebem R$ 1.621 por mês, despesas básicas representam uma parte importante da renda familiar.

Alimentação, aluguel, contas de água e luz e transporte estão entre os gastos que precisam ser pagos regularmente.

Nas favelas e periferias, o impacto do aumento dos preços também depende das condições de moradia, da distância até o trabalho e do número de pessoas que dependem da mesma renda.

Uma família que utiliza transporte público diariamente, por exemplo, pode ter uma estrutura de gastos diferente daquela que trabalha perto de casa.

Da mesma forma, famílias que pagam aluguel enfrentam despesas distintas das que vivem em imóvel próprio.

Por isso, o índice nacional de inflação não representa exatamente a realidade financeira de todos os domicílios.

O salário mínimo ganhou poder de compra em 2026?

O aumento de R$ 103 elevou o valor nominal do salário mínimo em 2026. Entretanto, para identificar o ganho real, é necessário descontar a inflação referente ao período utilizado no cálculo do reajuste.

Também é importante observar a evolução dos preços ao longo do ano e o comportamento de despesas essenciais para as famílias.

O IPCA e o INPC são indicadores importantes para essa análise, mas não substituem levantamentos específicos sobre o custo da alimentação, do aluguel e do transporte em cada cidade.

Assim, os dados disponíveis permitem afirmar que o salário mínimo aumentou em 2026 e que os preços continuaram subindo, mas não demonstram que todas as famílias tiveram melhora no poder de compra.

O que ainda precisa ser acompanhado?

Para avaliar os efeitos do reajuste sobre a população de baixa renda, é necessário acompanhar a inflação acumulada durante todo o ano de 2026.

Outro indicador importante é o preço da cesta básica nas capitais brasileiras, acompanhado pelo Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese).

A evolução das tarifas de transporte público, dos aluguéis e das contas de consumo também ajuda a compreender quanto do salário permanece disponível depois do pagamento das despesas essenciais.

Esses dados são fundamentais para avaliar como o aumento do salário mínimo se reflete na vida dos trabalhadores, especialmente daqueles que vivem nas periferias e dependem de rendimentos próximos ao piso nacional.

ESPECIAL DIA DA FAVELA 2026
Informação que fortalece a periferia

Celebrado nesta quarta-feira, 4 de novembro, o Dia da Favela é o tema de uma série especial produzida pelo Espaço do Povo. Esta reportagem integra a iniciativa, que reúne conteúdos sobre direitos, serviços gratuitos, benefícios sociais e oportunidades para moradores de favelas e periferias de todo o Brasil.

Andre Nicolau
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Andre Nicolau

Jornalista, repórter, redator e produtor de conteúdo, formado em Jornalismo pela Universidade Anhembi Morumbi. Com experiência em veículos como CNN Brasil, Catraca Livre e UOL, atua na produção de reportagens, entrevistas e conteúdos para diferentes plataformas, abordando temas como educação, cultura, política, tecnologia, saúde, cidadania e questões sociais. Também possui experiência em revisão editorial, produção audiovisual, cobertura de eventos e eleições, técnicas de SEO e desenvolvimento de projetos de comunicação.

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