A revista científica Communications Psychology (CP) publicou um estudo que indica a personalidade humana não permanece congelada após a vida adulta. A pesquisa revela mudanças relevantes nos cinco grandes traços de personalidade ao longo da existência. Os resultados mostram que a magnitude dessas transformações foi semelhante ou superior à observada em indicadores como renda, saúde, autoestima e satisfação com a vida.
O trabalho foi dividido em duas fases distintas para comparar a percepção humana com a realidade dos dados. Na primeira etapa, 887 adultos dos Estados Unidos avaliaram a expectativa de mudança em 25 características entre os 15 e os 90 anos. Esse grupo, selecionado por idade, sexo e raça, subestimou a mutabilidade da personalidade, classificando o neuroticismo e a extroversão como traços mais estáveis.
Na segunda fase, a CP analisou dados reais de 166.971 pessoas provenientes de oito estudos longitudinais dos Estados Unidos, Alemanha, Holanda e Austrália. As análises apontam que, entre os 15 e 90 anos, a amabilidade e a conscienciosidade aumentaram. Em contrapartida, a abertura, o neuroticismo e a extroversão apresentaram tendência de diminuição no período observado.
A comparação entre as variáveis revelou que a socialização, a renda, o sono, as limitações de saúde e a conscienciosidade foram as características com maiores mudanças acumuladas. Os cientistas reforçam que a personalidade não é uma estrutura fixa após a juventude, embora os dados descrevam médias populacionais e não trajetórias individuais. Isso significa que algumas pessoas podem mudar mais do que outras.
As bases de dados utilizadas na pesquisa vêm exclusivamente de países ocidentais e democráticos. A publicação ressalva que os resultados podem não se aplicar a outras culturas, já que condições de vida, experiências históricas e valores sociais influenciam o desenvolvimento psíquico. O estudo identifica quanto os traços mudam, mas não explica as causas específicas de cada transformação individual.