Paraisópolis, São Paulo domingo, 16 de agosto de 2026
Brasil

Observatório Brasileiro das Desigualdades aponta queda na pobreza e alta na concentração de renda

O Observatório Brasileiro das Desigualdades divulgou a quarta edição do seu relatório, com dados de 2025, apontando que o Brasil avançou em 34 dos 48 indicadores estudados para o enfrentamento das desigualdades. O estudo, que começou em 2023, indica que houve melhoria na renda média, aumento do mercado de trabalho, redução da pobreza, maior segurança alimentar e melhor acesso a serviços básicos.

O relatório registra que a concentração de renda piorou no último ano. O rendimento médio do 1% mais rico, que em 2024 era 30,2 vezes superior ao dos 50% mais pobres, passou a ser 31,5 vezes maior. O Observatório analisa que os ganhos do crescimento econômico continuam sendo apropriados de forma concentrada.

O documento destaca: “A permanência da regressividade da tributação da renda reforça esse quadro, uma vez que contribuintes de renda muito elevada continuam sujeitos a uma carga efetiva de Imposto de Renda inferior à incidente sobre parcela dos trabalhadores de renda intermediária”. O texto explica que isso ocorre porque a renda dos mais ricos vem principalmente de lucros, dividendos e rendas do capital com tratamento tributário favorecido.

O relatório aponta que a ampliação da isenção para trabalhadores que ganham até R$ 5 mil mensais e a tributação maior para rendas anuais acima de R$ 600 mil devem ajudar a reduzir as desigualdades. No campo social, o estudo cita a queda do analfabetismo, a redução da desnutrição infantil e de idosos, além da diminuição da taxa de homicídios de jovens entre 15 e 29 anos.

Oito indicadores pioraram e seis ficaram estáveis. As perdas incluem a ampliação do número de mulheres que recebem menos que os homens, a tributação menor para quem ganha mais, a piora das condições para a população negra e a concentração de indicadores sociais negativos no Norte e Nordeste. O relatório afirma: “O crescimento econômico beneficiou diferentes grupos sociais, mas não foi suficiente para reduzir as disparidades históricas de renda, gênero, raça e território”.

A diretora técnica do Pacto Nacional pelo Combate às Desigualdades, Adriana Marcolino, afirmou que a falta de atualização anual de algumas bases não gera viés de tempo. Ela citou a Pesquisa de Orçamentos Familiares (POF), que analisa gastos com transporte e carga tributária a cada dois anos, e o Indicador de Analfabetismo Funcional (Inaf), divulgado em 2024. Adriana Marcolino disse: “Nesses casos, a gente olha o dado em comparação com o mesmo dado do ano anterior”.

A economista-chefe e coordenadora da Unidade de Desenvolvimento Humano do Pnud Brasil, Betina Ferraz Barbosa, escreveu no prefácio que a análise vai além de índices econômicos de saúde e educação. Betina Ferraz Barbosa destacou: “Os números médios escondem uma realidade mais complexa: os avanços foram reais e, ao mesmo tempo, profundamente desiguais”.

O Observatório Brasileiro das Desigualdades reúne quase cem entidades, incluindo Sesc, Abrasco, CUT, Oxfam Brasil e Sindifisco Nacional.

Em outra frente, a Lei 14.533/2023 instituiu a Política Nacional de Educação Digital (Pned), que pressiona municípios a modernizar redes públicas de ensino até o final de 2026. Gestores buscam adequação à BNCC Computacional para garantir recursos complementares do valor aluno ano por resultado (Vaar) do Fundeb.

A implementação da Pned exige revisão de currículo, formação de professores e ampliação de conectividade. A BNCC Computacional define competências de cultura digital, pensamento computacional e uso crítico da tecnologia. Municípios que não avançarem podem enfrentar dificuldades pedagógicas e administrativas.

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Comunicador e colaborador do jornal Espaço do Povo, onde desde 2007 narra o cotidiano e as potências das favelas brasileiras.

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