Um incêndio de grandes proporções atingiu a Área de Proteção Ambiental (APA) Alter do Chão, em Santarém, no Pará, na noite de sexta-feira (30). A Prefeitura de Santarém informou que as chamas foram controladas na madrugada de sábado (31), depois de uma noite de trabalho da Brigada de Alter do Chão e do Corpo de Bombeiros. O fogo atingiu a primeira unidade de conservação criada no município. As causas ainda serão apuradas pelos órgãos competentes, e o município quer saber se houve ação criminosa.
O que é a APA Alter do Chão
A APA Alter do Chão é a primeira unidade de conservação de Santarém, criada pela Lei Municipal nº 17.771, de 2 de julho de 2003, e tem aproximadamente 16 mil hectares. A área abrange as comunidades de Alter do Chão, Caranazal, Ponta de Pedras, Santa Rosa, Irurama e Ramal do Laranjal.
A gestão da unidade é participativa. O Conselho Gestor da APA foi criado em 25 de abril de 2011, pelo Decreto Municipal nº 072/2011, e reúne 20 instituições do poder público, da sociedade civil e das comunidades. A composição do biênio 2026–2027 tomou posse em 5 de março deste ano, no Centro Municipal de Informação e Educação Ambiental (Ciam).
Quando começou o incêndio em Alter do Chão
O fogo começou na noite de sexta-feira (30). O prefeito José Maria Tapajós esteve no local durante a noite para acompanhar a ocorrência e verificar a dimensão do incêndio, e a administração municipal diz ter atuado de forma integrada com os órgãos envolvidos. Na nota em que confirmou o controle, a prefeitura afirmou: “Embora as chamas tenham sido controladas durante a madrugada, ainda existem pontos que exigem atenção e monitoramento”. No sábado (31), agentes de fiscalização ambiental da Secretaria Municipal de Meio Ambiente (Semma) continuaram em Alter do Chão, acompanhando a ocorrência e reunindo informações sobre a área atingida. Para o mesmo dia, a pasta programou o uso de um drone no levantamento aéreo da região, que deve permitir dimensionar a extensão do incêndio e identificar possíveis danos ambientais.
Santarém proibiu o fogo por 180 dias
O incêndio ocorreu dois dias depois de a Prefeitura de Santarém decretar emergência ambiental e proibir o uso do fogo no município por 180 dias. O Decreto nº 792/2026, assinado em 28 de outubro, tem vigência de 180 dias, pode ser prorrogado e alcança inclusive a limpeza e o manejo de áreas.
A medida se somou ao Decreto nº 774/2026, de 15 de outubro, que declarou situação de emergência por causa da estiagem. O município justificou a decisão com o aumento dos focos de incêndio, os impactos da fumaça e os prejuízos à saúde da população. Conforme o monitoramento da Universidade Federal do Oeste do Pará (Ufopa), a qualidade do ar em Santarém foi classificada como “muito ruim” nas 24 horas anteriores ao decreto.
Na manhã de sexta-feira (30), horas antes do incêndio, a prefeitura reuniu no Ciam representantes da Polícia Militar, do Corpo de Bombeiros, da Defesa Civil e de outros órgãos, além de moradores e lideranças de Alter do Chão. O encontro tratou de prevenção e de atuação integrada diante da estiagem e do aumento das queimadas, tema que o Espaço do Povo acompanhou ao longo de outubro em reportagem sobre os focos de incêndio no Pará.

Quem investiga o incêndio em Alter do Chão
A apuração das causas cabe aos órgãos competentes, e a identificação de eventuais responsáveis depende dos levantamentos técnicos e dos procedimentos de investigação. A Semma fiscaliza, faz diligências administrativas, elabora relatórios técnicos e encaminha informações; a apuração criminal é atribuição da Polícia Civil.
Em 28 de outubro, a Semma pediu à Superintendência Regional do Baixo e Médio Amazonas, da Polícia Civil, a intensificação das investigações sobre possíveis queimadas criminosas registradas em Santarém. O ofício também solicitou avaliação de reforço operacional e a criação de canais de articulação entre a polícia e a fiscalização municipal para o compartilhamento de relatórios.
Na reunião de quarta-feira (28), o comandante do Corpo de Bombeiros, coronel Piquet, apontou a região do Chapadão como uma das que exigem maior atenção, pela concentração de focos de incêndio identificados no monitoramento. O encontro teve representantes da Câmara Municipal, da Secretaria Regional de Governo do Baixo Amazonas, da Ufopa, do Ibama, do ICMBio, do Corpo de Bombeiros, da Cipamb e de secretarias municipais.
Como denunciar queimada em Santarém
Denúncias de incêndio florestal podem ser apresentadas ao Ibama pela plataforma Fala.BR ou pela Central de Atendimento 0800 061 8080, que atende de segunda a sexta-feira, das 7h às 19h, exceto feriados. A denúncia pode ser identificada ou anônima — sem identificação, é registrada como comunicação e não permite acompanhar o andamento do caso.
O órgão pede o município, o endereço e pontos de referência do local, o nome da propriedade ou da estrada, possíveis coordenadas e fotos, vídeos ou documentos que ajudem na investigação. Denúncias identificadas geram número de protocolo e resposta em até 30 dias, prorrogáveis por mais 30.
Com o decreto em vigor, o uso do fogo para limpeza e manejo de áreas está proibido em todo o município durante os 180 dias de vigência, prazo que pode ser prorrogado. A prefeitura informou que seguirá com equipes na região acompanhando os desdobramentos da ocorrência.