O artista visual e educador Davi Favela, de 46 anos, utiliza o grafite para levar cidadania e oficinas artísticas às comunidades de Fortaleza. O profissional, que nasceu e mora na periferia da cidade, transforma a experiência de vida nos bairros populares em ferramentas de impacto social. Davi Viana, nome real do artista, utiliza o spray para promover a inclusão de jovens e de pessoas privadas de liberdade.
O trajeto do artista começou com a pichação, influenciada pelos bailes funk e pelo rap, que ele define como matrizes para a descoberta de sua identidade negra. Ao lado do ativista, escritor e empreendedor Preto Zezé, Davi pichava frases com cunho político em muros da cidade. Entre as mensagens escritas estavam a defesa da organização popular e críticas sociais, como a frase “Deixa o baseado para depois, legalize já o feijão com arroz”.
A transição para o grafite ocorreu aos 16 anos, quando Davi passou a utilizar cores e desenhos para ampliar a comunicação com a comunidade. Ele utilizou a arte urbana para denunciar problemas como o esgoto a céu aberto, o baixo Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) e o consumo de crack. Em um painel na avenida José Bastos, perto da Lagoa da Parangaba, o artista desenhou a utilização de pedra na lata de refrigerante para gerar diálogos sobre dependência química com moradores locais.
Atualmente, Davi Favela trabalha na Secretaria da Proteção Social (SPS), atuando em equipamentos como o Zona Viva. Ele desenvolve atividades com cursos e tecnologia voltados para conjuntos habitacionais do Governo Federal. O artista também atua como ativista da Central Única das Favelas (Cufa), organização pela qual coordena a realização de oficinas de grafite dentro das comunidades para multiplicar a expressão artística.