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Cultura

Renato Rosas une música amazônica e ação social em comunidades indígenas e ribeirinhas

O biomédico e multiinstrumentista Renato Rosas une música e impacto socioambiental na Amazônia, desenvolvendo projetos com populações indígenas, quilombolas, ribeirinhas e comunidades urbanas por meio da OCAS.

A trajetória do artista paraense atravessa diferentes campos. Além da formação em Biomedicina, Rosas atua como compositor, multiinstrumentista e empreendedor socioambiental, conectando produção cultural, saberes amazônicos e iniciativas voltadas ao desenvolvimento de comunidades.

Na música, desenvolveu um conceito próprio para a viola do Norte de sete cordas, além de trabalhar com instrumentos como banjo e viola caipira. Ao longo da carreira, também liderou bandas e participou de projetos ligados à música e à cultura amazônicas.

Entre eles estão trabalhos com a Roda Cantada do Instituto Arraial do Pavulagem, Farofa Black in Favela, Pará Caribe e Canto do Norte, Viola e Fé. Neste último, Rosas atua ao lado do mestre de percussão Nazaco Gomes em ações que aproximam música e comunidades do Pará. A OCAS registra atividades do projeto em Belém e também em municípios do interior do estado.

Parcerias com grandes vozes da música brasileira

Como compositor, Renato Rosas também acumulou encontros com nomes conhecidos da música brasileira. Uma das experiências de maior destaque ocorreu com a canção “A Última Lágrima”, que reuniu as vozes de Gaby Amarantos — parceira de Rosas na composição —, Dona Onete, Alcione e Elza Soares.

Outro trabalho de destaque em sua produção é “Tekoá”, parceria musical relacionada a Jair Oliveira. A composição integra o repertório de Rosas dedicado às experiências e conexões culturais construídas a partir da Amazônia. A própria OCAS inclui “Tekoá” entre as músicas do repertório do espetáculo Amazônia Viva.

A carreira também levou o artista para fora do Brasil. Rosas participou de viagens e encontros internacionais nos quais apresentou experiências relacionadas à música, à Amazônia e ao impacto social, passando por países como Colômbia, Estados Unidos e China.

A proposta que atravessa essas diferentes frentes é utilizar a produção artística não apenas como expressão cultural, mas como instrumento para aproximar pessoas e criar oportunidades.

Arte como ferramenta de transformação

Nos últimos anos, essa vertente ganhou espaço ainda maior na trajetória de Renato Rosas por meio da OCAS — Organização Comunitária de Adesão Social, entidade da qual é presidente.

Criada em 2020, a organização desenvolve iniciativas de impacto socioambiental na Amazônia e trabalha com comunidades indígenas, quilombolas, ribeirinhas e populações periféricas urbanas.

A atuação envolve áreas como educação ambiental, cultura, empreendedorismo e geração de oportunidades. Em alguns projetos, a música funciona justamente como porta de entrada para ações de formação e conscientização.

Um exemplo é o Rima Verde, iniciativa realizada em escolas públicas de Belém que combina hip-hop, poesia urbana, educação ambiental, reaproveitamento de garrafas PET e plantio. O projeto tem Renato Rosas como parceiro e busca alcançar especialmente crianças e adolescentes em situação de vulnerabilidade social.

A conexão entre sustentabilidade e economia criativa aparece também em iniciativas como o projeto Favela Fashion na Amazônia. Em julho de 2026, mulheres da periferia de Belém participaram da produção da coleção Travessia, resultado de uma formação em corte e costura. A apresentação contou com trilha do espetáculo Amazônia Viva, produzido por Rosas.

Música conectada aos territórios amazônicos

Essa aproximação com os territórios também está presente na produção artística. O espetáculo Amazônia Viva, idealizado por Renato Rosas, reúne referências como tambores amazônicos, guitarradas, flautas e ritmos tradicionais, dialogando com saberes indígenas, quilombolas e ribeirinhos.

A atuação inclui ainda iniciativas de formação musical. Um projeto da Orquestra Ribeirinha da Amazônia registra a participação de Rosas como professor e liderança ativa em atividades voltadas a crianças da Ilha do Combu, no Pará.

Entre instrumentos, composições, encontros culturais e projetos socioambientais, Renato Rosas passou a construir uma trajetória em que música e atuação comunitária caminham juntas. O fio condutor é uma ideia que também orienta o trabalho desenvolvido pela OCAS: usar a arte como instrumento para transformar vidas.

Andre Nicolau
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Andre Nicolau

Jornalista, repórter, redator e produtor de conteúdo, formado em Jornalismo pela Universidade Anhembi Morumbi. Com experiência em veículos como CNN Brasil, Catraca Livre e UOL, atua na produção de reportagens, entrevistas e conteúdos para diferentes plataformas, abordando temas como educação, cultura, política, tecnologia, saúde, cidadania e questões sociais. Também possui experiência em revisão editorial, produção audiovisual, cobertura de eventos e eleições, técnicas de SEO e desenvolvimento de projetos de comunicação.

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