A corretora de criptoativos Binance afirmou na terça-feira (3.nov.2026) que os hackers responsáveis pelo furto de US$ 6,3 bilhões da plataforma usaram uma falsa entrevista de emprego para convencer engenheiros de software a instalar um código malicioso. O desvio ocorreu na quinta-feira anterior (29.out.2026) e permitiu que um invasor obtivesse acesso ao sistema e fizesse saques não autorizados. A empresa apresentou as conclusões de uma investigação interna sobre o ataque.
O caminho do golpe começou em setembro. Um engenheiro da corretora foi contatado por meio de uma plataforma de busca de empregos por alguém que se dizia diretora de projetos de uma empresa que depois se revelou falsa. O profissional participou do que acreditava ser uma entrevista de trabalho, na qual o interlocutor exibiu um perfil em rede social, com fotos e vídeos pessoais, para ganhar sua confiança. Numa segunda conversa, feita por aplicativo de mensagens com uma pessoa que se apresentava como diretora-executiva da empresa inexistente, ele foi instruído a baixar uma tarefa do processo seletivo.
O arquivo baixado trazia o código malicioso e passou sem ser detectado. O episódio de setembro não foi o primeiro: em junho, outro engenheiro já havia instalado um programa adulterado. Os sistemas da Binance identificaram o incidente e o dispositivo foi substituído, mas não antes de a função daquele profissional e de seus colegas ligados à equipe de infraestrutura de carteiras ficarem expostos ao invasor.
A partir desse acesso, os criminosos usaram as ferramentas internas de inteligência artificial da corretora para assumir o controle de parte dos sistemas. “O malware empregou técnicas sofisticadas para ofuscar e invadir, incluindo a substituição de um componente legítimo de uma ferramenta de desenvolvimento por uma versão maliciosa, a fim de executar comandos e estabelecer comunicação com um servidor externo controlado pelo invasor”, afirmou a plataforma.
A empresa classificou o episódio como “mais avançado e enganoso do que as abordagens de engenharia social observadas anteriormente”. Não se tratou, segundo a corretora, de uma violação isolada nem de um caso simples de phishing: os invasores combinaram várias técnicas, entre elas as falsas entrevistas de recrutamento e o download de softwares maliciosos.
No sábado (31.out), o FBI atribuiu o ataque ao governo da Coreia do Norte e ao grupo hacker patrocinado pelo Estado conhecido como TraderTraitor. Os norte-coreanos negam a autoria e classificaram a atribuição como retórica absurda. A Binance informou que reconstruiu seus sistemas de carteiras e suas ferramentas de IA e que trabalha com especialistas externos em segurança cibernética para reforçar a proteção.
Na madrugada desta quinta-feira (5.nov), a corretora anunciou a ampliação da retomada dos saques de criptomoedas. As retiradas de dezenas de ativos em redes diferentes começam a ser liberadas de forma gradual a partir das 4h (horário de Brasília). Cada combinação de criptomoeda e rede só volta a operar depois da conclusão das verificações de segurança.
Entre as redes contempladas nesta etapa estão Ethereum (ETH), BNB Smart Chain (BSC), Base, Tron (TRX), Polygon (MATIC) e Sui. Criptoativos como UNI, AAVE, PAXG, FLOKI, SAND, ENS e GRT estão previstos para ter os saques restabelecidos. A empresa diz priorizar os ativos conforme a demanda dos usuários registrada na última semana e acrescenta que os depósitos continuam funcionando normalmente.