Notícias

O que mudou no emprego e na renda dos brasileiros em 2026?

Compartilhe
O acesso ao emprego formal, à qualificação profissional e a melhores salários esteve entre os principais desafios dos moradores das favelas e periferias brasileiras em 2026 - Imagem ilustrativa

Avanços no mercado de trabalho, programas de qualificação e oportunidades de emprego ajudam a entender os desafios enfrentados por quem vive nas periferias

O acesso ao emprego formal, à qualificação profissional e a melhores salários esteve entre os principais desafios dos moradores das favelas e periferias brasileiras em 2026. Mesmo com oportunidades de contratação, a informalidade e as desigualdades de renda continuam exigindo atenção.

No Dia da Favela, celebrado em 4 de novembro, o Espaço do Povo apresenta um panorama do mercado de trabalho brasileiro, dos programas públicos de empregabilidade e das dificuldades enfrentadas pela população de baixa renda.

Desemprego caiu para 5,2% em 2026

A taxa de desemprego no Brasil chegou a 5,2% no trimestre encerrado em setembro de 2026, segundo dados divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) em 30 de outubro.

O resultado foi o menor registrado para um terceiro trimestre desde o início da série histórica, em 2012. No mesmo período de 2025, o índice era de 5,6%.

A população ocupada alcançou 103,6 milhões de pessoas, enquanto o número de brasileiros em busca de trabalho caiu para 5,6 milhões.

O rendimento médio real habitual dos trabalhadores chegou a R$ 3.790, crescimento de 3,6% em relação ao ano anterior. IBGE+1

Brasil criou mais de 1,1 milhão de empregos formais até agosto

Os dados do Novo Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Novo Caged) mostram que o Brasil acumulou saldo positivo de 1.134.033 postos de trabalho com carteira assinada entre janeiro e agosto de 2026.

O setor de serviços liderou as contratações, com 697.859 vagas líquidas, seguido pela construção civil, com 200.431, e pela indústria, com 170.442.

São Paulo registrou o maior saldo estadual, com 306.883 postos formais no período. Minas Gerais apareceu em seguida, com 123.176, e o Rio de Janeiro somou 77.670.

Apesar do resultado positivo, a geração de empregos formais nos oito primeiros meses do ano ficou 25,2% abaixo do saldo registrado no mesmo período de 2025. Ministério do Trabalho e Emprego+1

Informalidade ainda atinge quase 39 milhões de trabalhadores

Mesmo com a redução do desemprego, a informalidade continua sendo um dos principais desafios do mercado de trabalho brasileiro.

Segundo o IBGE, 38,8 milhões de pessoas trabalhavam na informalidade no trimestre encerrado em setembro, o equivalente a 37,5% da população ocupada.

Esse grupo inclui trabalhadores sem carteira assinada e parte dos profissionais que atuam por conta própria, sem registro formal de atividade econômica.

A informalidade pode representar menor acesso à proteção previdenciária, instabilidade de rendimentos e dificuldades para planejar o orçamento familiar.

Nas periferias, onde o trabalho autônomo, o comércio popular e os pequenos negócios fazem parte da economia local, a discussão sobre emprego também envolve condições de trabalho, segurança financeira e acesso à formalização. Agência Brasil

Desigualdade racial permanece no mercado de trabalho

As diferenças de remuneração e acesso à proteção trabalhista também ajudam a explicar por que os avanços nacionais não atingem todos os brasileiros da mesma maneira.

Dados de 2024 apresentados no relatório da Agenda Transversal Igualdade Racial 2026, do Ministério do Planejamento, mostram que trabalhadores brancos recebiam, em média, R$ 24,60 por hora, enquanto pretos e pardos ganhavam R$ 15.

A informalidade atingia 45,6% dos trabalhadores pretos ou pardos, diante de 34% entre os brancos.

Embora esses indicadores tenham como referência 2024, eles mostram desigualdades estruturais que precisam ser consideradas na análise dos resultados do emprego em 2026. Serviços e Informações do Brasil

Qualificação profissional pode ampliar oportunidades

Além da abertura de vagas, o acesso à formação profissional é importante para ampliar as possibilidades de contratação, especialmente entre jovens em busca do primeiro emprego e trabalhadores que desejam mudar de área.

Entre os caminhos disponíveis estão os cursos dos Institutos Federais, as iniciativas estaduais de qualificação e os serviços públicos de intermediação de mão de obra.

O Sistema Nacional de Emprego (SINE) permite consultar oportunidades e buscar encaminhamento para processos seletivos. A Carteira de Trabalho Digital também oferece acesso a serviços trabalhistas pelo celular.

Esses recursos podem facilitar a procura por emprego, mas a contratação depende das exigências das vagas, da disponibilidade de oportunidades e dos processos seletivos.

O que mudou para quem mora nas favelas?

A queda do desemprego, a ampliação da população ocupada e o crescimento do rendimento médio indicam avanços no mercado de trabalho brasileiro em 2026.

No entanto, os números nacionais não permitem afirmar que esses resultados ocorreram na mesma proporção em todas as favelas e periferias.

Para os moradores desses territórios, a melhoria das condições de vida também depende da qualidade das vagas, da remuneração, do tempo gasto no deslocamento até o trabalho e do acesso à formação profissional.

A redução da informalidade e das desigualdades de renda continua sendo fundamental para que o crescimento do emprego se transforme em maior estabilidade financeira.

No Dia da Favela, os indicadores reforçam uma questão central: não basta ampliar o número de pessoas trabalhando. É necessário garantir oportunidades que ofereçam renda, direitos e perspectivas de crescimento profissional.

O que você precisa saber

EMPREGO E RENDA NO BRASIL — 2026

5,2%
Taxa de desemprego até setembro
103,6 mi
Pessoas ocupadas
1,13 mi
Saldo de vagas formais até agosto
R$ 3.790
Rendimento médio real do trabalho
38,8 mi
Trabalhadores informais
37,5%
Taxa de informalidade

Fontes: IBGE/PNAD Contínua e Ministério do Trabalho e Emprego/Novo Caged. Dados divulgados até 30 de outubro de 2026.

ESPECIAL DIA DA FAVELA 2026
Informação que fortalece a periferia

Celebrado nesta quarta-feira, 4 de novembro, o Dia da Favela é o tema de uma série especial produzida pelo Espaço do Povo. Esta reportagem integra a iniciativa, que reúne conteúdos sobre direitos, serviços gratuitos, benefícios sociais e oportunidades para moradores de favelas e periferias de todo o Brasil.

Andre Nicolau
POR

Andre Nicolau

Jornalista, repórter, redator e produtor de conteúdo, formado em Jornalismo pela Universidade Anhembi Morumbi. Com experiência em veículos como CNN Brasil, Catraca Livre e UOL, atua na produção de reportagens, entrevistas e conteúdos para diferentes plataformas, abordando temas como educação, cultura, política, tecnologia, saúde, cidadania e questões sociais. Também possui experiência em revisão editorial, produção audiovisual, cobertura de eventos e eleições, técnicas de SEO e desenvolvimento de projetos de comunicação.

Ver todos os artigos de Andre Nicolau →