O estado do Rio de Janeiro confirmou 211 casos de mpox em 2026 até este domingo (1º), 77% mais do que os 119 registrados em todo o ano passado, segundo o Centro de Informações Estratégicas e Resposta de Vigilância em Saúde (Cievs-RJ). A capital fluminense puxou a alta: foram 74 infecções em setembro e outubro, sete vezes os 10 casos do mesmo período de 2025, e a cidade ficou sem doses da vacina. O Ministério da Saúde anunciou no sábado (31) o reforço do envio de imunizantes ao estado.
A Secretaria de Estado de Saúde (SES-RJ) informou que acompanha a evolução do cenário de perto e que outros 119 casos suspeitos seguem em investigação. Não houve mortes por mpox em 2026 nem em 2025, segundo a pasta. Questionada sobre quais as hipóteses para o aumento, a secretaria não respondeu.
Quantos casos de mpox o Rio tem em 2026
São 211 no estado e 167 na capital, segundo o painel epidemiológico da prefeitura atualizado até 29 de outubro — no ano passado inteiro, a cidade havia registrado 94. Setembro concentrou 45 confirmações na capital, o maior número para um único mês em três anos, conforme o Observatório Epidemiológico do município; outubro somou 29.
Dez pessoas estavam internadas no Instituto Nacional de Infectologia Evandro Chagas (INI), da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), em Manguinhos, na Zona Norte do Rio, segundo levantamento divulgado na sexta-feira (30).

Por que os casos de mpox subiram no Rio
Não há explicação oficial. A secretaria estadual não respondeu às perguntas sobre as hipóteses do aumento, e a prefeitura afirma que os números seguem dentro da oscilação esperada desde 2022, ano do surto global. A cidade também não tinha doses em estoque na sexta-feira (30), quando o avanço foi divulgado.
O deputado federal Daniel Soranz (PSD-RJ), ex-secretário municipal de Saúde do Rio e presidente da Frente Parlamentar da Vacina no Congresso, cobrou a compra de mais doses. “Já vivemos momentos piores, então não é motivo para pânico. Mas precisamos ficar em alerta e atentos ao diagnóstico precoce”, escreveu ele no X. “Aqui no Rio de Janeiro, o aumento do número de casos liga um alerta para todo o Brasil”, afirmou na sexta-feira (30).
Confins confirma o primeiro caso; Minas tem 33
A Prefeitura de Confins, na Região Metropolitana de Belo Horizonte, confirmou no sábado (31) o primeiro caso de mpox no município. A informação foi divulgada pela Secretaria Municipal de Saúde nas redes sociais, e a administração não divulgou dados do paciente.
Minas Gerais soma 33 confirmações em 2026, segundo a Secretaria de Estado de Saúde (SES-MG). O estado viveu o pico em 2022, com 610 casos; depois vieram 53 em 2023, 68 em 2024, 136 em 2025 e 33 neste ano. A maioria das infecções atinge homens e pessoas de 15 a 34 anos. A variante em circulação pertence ao clado II, subclado IIb — a mesma do surto global iniciado em 2022 —, e a secretaria classifica o cenário como de casos esporádicos e controlados.
Quantos casos de mpox o Brasil tem em 2026
O país registrou 665 casos em 2026, segundo o ministro da Saúde, Alexandre Padilha. “É importante esclarecer que a situação atual, com 665 casos da doença no Brasil no ano, é bem diferente do surto enfrentado em 2022, quando chegamos a quase 11 mil pessoas infectadas”, afirmou ele em publicação nas redes sociais no sábado (31).
São Paulo, o estado com mais registros, contabilizava 268 confirmações até 1º de novembro, contra 423 em todo o ano passado. Em Minas, o número caiu de 136 para 33. O Rio é o único dos três a superar 2025.
Quem pode se vacinar contra a mpox pelo SUS
A vacina não faz parte da rotina do Programa Nacional de Imunizações e é destinada a grupos com maior risco de formas graves: profissionais de laboratório que trabalham com Orthopoxvírus, pessoas vivendo com HIV/aids com imunossupressão e quem teve contato direto de médio ou alto risco com caso suspeito ou confirmado. A aplicação depois da exposição deve ocorrer em até quatro dias do contato, ou até 14 dias se não houver sintomas, segundo orientação do Ministério da Saúde.
O atendimento começa na Unidade Básica de Saúde (UBS) mais próxima. A Ouvidoria-Geral do SUS atende pelo telefone 136, de segunda a sexta, das 8h às 20h, e aos sábados, das 8h às 18h. O Ministério da Saúde mantém uma página sobre a mpox com sinais, sintomas e orientações de isolamento.
O tema já foi tratado em reportagem do Espaço do Povo sobre os 140 casos de mpox confirmados no Brasil em março, quando o país ainda concentrava as infecções em poucos estados.