Cem girinos da espécie Scinax x-signatus, que vivem em lagoas rasas da Amazônia, nascem contaminados por microplásticos. O estudo foi feito em cinco pontos do Parque Ecológico do Gunma, na região metropolitana de Belém. Os resultados mostram que a poluição por plástico atinge até ambientes considerados distantes e preservados.
Os filhotes foram levados para laboratório e analisados no microscópio. Todos os cem animais tinham microplásticos no organismo. As partículas, menores que cinco milímetros, entram no corpo dos girinos porque eles se alimentam sugando água e partículas do ambiente aquático. A bióloga responsável pelo estudo explica que os microplásticos se parecem com fiapos retorcidos ou pequenos canudos coloridos quando vistos no microscópio.
A contaminação preocupa porque os microplásticos podem causar danos desde a fase inicial de desenvolvimento dos animais. Pesquisas anteriores já haviam encontrado essas partículas em sapos adultos, mas esta é a primeira vez que o problema é documentado em girinos. Os cientistas observaram que os animais com maior concentração de microplásticos tinham menor peso corporal. Além disso, estudos mostram que essas partículas podem alterar o DNA, causar deformações no intestino e na boca, e prejudicar o desenvolvimento normal dos animais.
Os microplásticos chegam à Amazônia de várias formas. Podem ser carregados pelo vento ou pela água da chuva. A região sofre com descarte irregular de lixo e poluição dos rios, que transportam os resíduos por longas distâncias. A contaminação não afeta apenas os girinos. Peixes e camarões, que fazem parte da alimentação humana, também podem carregar microplásticos. Pesquisas recentes encontraram essas partículas no sangue, placenta, pulmões, fígado e rins de pessoas, mas ainda não há provas definitivas de que causem doenças como câncer ou problemas cardiovasculares.
A descoberta reforça que a poluição por plástico é um problema global, mesmo em locais considerados remotos. A bióloga responsável pelo estudo destaca que os animais são muito sensíveis a mudanças no ambiente. Por isso, a presença de microplásticos pode ser um sinal de alerta para a saúde do ecossistema e, indiretamente, para a saúde humana. A pesquisa serve como um chamado para que governos e sociedade adotem medidas mais rígidas contra o descarte de plástico e invistam em soluções para reduzir a poluição invisível que afeta toda a cadeia alimentar.