Notícias

Documentário “Ideias faveladas” estreia na Maré em 31 de outubro com entrada grátis

Compartilhe
Mulher idosa em pé no quintal de uma casa, cercada por plantas, usando blusa cinza com estampa
Foto: Alessandra Cortesia

O Observatório de Favelas lança em 31 de outubro, sábado, o documentário “Ideias faveladas para adiar o fim do mundo”, no Galpão Bela Maré, no Complexo da Maré, no Rio de Janeiro, com entrada gratuita. Dirigido por Jéferson Vasconcelos e Lino Teixeira, o filme acompanha experiências de favelas cariocas que já respondem à crise climática e à desigualdade socioambiental e defende que elas entrem nas políticas públicas da cidade.

A produção integra o projeto “Reinvenção Socioambiental da Cidade pelas Favelas” e reúne registros das ações nos territórios, pesquisa de arquivo e entrevistas inéditas com ativistas, pesquisadoras e artistas de favela. As experiências retratadas ficam no Complexo da Penha, no Salgueiro e em Itapuca, em Barra de Guaratiba.

Quando e onde assistir ao documentário

A estreia é no dia 31 de outubro, no Galpão Bela Maré, na Rua Bittencourt Sampaio, 169, em Nova Holanda, na Maré. As sessões são às 15h, às 15h30 e às 16h, e a roda de conversa com diretores e pesquisadores vai das 16h30 às 18h. A programação está sujeita a alterações.

Inaugurado em 2011, o Galpão Bela Maré é uma iniciativa do Observatório de Favelas em parceria com a produtora Automatica. O espaço funciona de terça a sábado, das 10h às 18h, e mantém programação gratuita de artes visuais, cinema e literatura.

MARÉ · TERRITÓRIO DA ESTREIA 140 mil pessoas vivem no Conjunto de Favelas da Maré Fonte: Observatório de Favelas

O que o filme mostra nas favelas do Rio

O documentário percorre iniciativas de segurança alimentar, saúde, preservação ambiental, direito à moradia, ancestralidade, agroecologia e justiça climática. A lista inclui projetos de proteção e recuperação de áreas naturais e de educação ambiental, segundo a descrição da produção. O filme questiona representações que associam as favelas à degradação ambiental e mostra organizações, grupos e lideranças que constroem respostas aos desafios urbanos e climáticos.

Ilustração de dois moradores de costas diante de uma horta comunitária em laje de favela, com caixa d’água e painéis solares, e casas ao fundo
Ilustração – arte do Jornal Espaço do Povo

Para o diretor e pesquisador Lino Teixeira, o ponto de partida é o estigma. “Apesar de serem constantemente associadas a estigmas e responsabilizadas pelos problemas socioambientais da cidade, as favelas e periferias trazem contribuições fundamentais para o enfrentamento dessas crises”, afirma.

Por que as favelas entram na agenda climática

As favelas entram na agenda climática porque as práticas retratadas já funcionam como resposta local à crise ambiental e à garantia de direitos socioambientais, e o filme sustenta que elas deveriam estar nos planos oficiais de clima. O IBGE contabiliza 16.390.790 pessoas e 6.556.968 domicílios em favelas e comunidades urbanas no Brasil, no Censo Demográfico 2022.

“A incorporação das iniciativas socioambientais de favelas e periferias às políticas públicas de enfrentamento à crise climática é fundamental para reduzir as desigualdades socioambientais nos centros urbanos”, diz Lino. O pesquisador defende integrar as experiências aos planos locais de enfrentamento e redução dos impactos climáticos e garantir meios para fortalecê-las, ampliá-las e replicá-las.

A agenda já ocupa outros eventos: o 3º Festival Favela Sustentável, no Rio de Janeiro, reuniu 180 atividades gratuitas e representantes de 150 favelas.

Quem pagou o documentário

O filme é bancado por patrocínio privado e renúncia fiscal municipal: é apresentado pela Prefeitura da Cidade do Rio de Janeiro, pela Secretaria Municipal de Cultura e pelo Observatório de Favelas. O patrocínio é da Prefeitura, da secretaria, da JSL e da Ancar pela Lei Municipal de Incentivo à Cultura, a Lei do ISS (nº 5.553/13). Pelo mecanismo, empresas habilitadas podem destinar até 20% do ISS que têm a pagar a projetos culturais aprovados pela Secretaria Municipal de Cultura. O volume do incentivo é calculado sobre 1% do ISS arrecadado pela cidade no ano anterior, segundo a cartilha da prefeitura sobre a lei.

O Conselho de Arquitetura e Urbanismo do Rio de Janeiro (CAU/RJ) patrocina a produção pela seleção pública Ítalo Campofiorito. A Araguaia Filmes e a Reurbana assinam o apoio, e a realização é do Observatório de Favelas.

Depois da estreia, onde o filme será exibido

O documentário também será exibido no Salgueiro, no Complexo da Penha e em Itapuca. As datas e os horários serão divulgados posteriormente. O Observatório de Favelas foi fundado em 2001 por um grupo de pesquisadores, educadores e ativistas liderado pelos geógrafos Jailson Souza e Silva e Jorge Luiz Barbosa, e é uma Organização da Sociedade Civil de Interesse Público (Oscip) com atuação nacional e sede na Maré.

A programação e as próximas exibições saem no site do Observatório de Favelas. A Maré também é tema de produções sobre o território, como as fotos de Douglas Lopes e o documentário sobre a ocupação militar de 2014 e 2015.

Redação Cria Brasil
POR

Redação Cria Brasil

Comunicador e colaborador do jornal Espaço do Povo, onde desde 2007 narra o cotidiano e as potências das favelas brasileiras.

Ver todos os artigos de Redação Cria Brasil →