Depois de passar por São Miguel, Perus e Uirapuru, o projeto Futuro Gamer: Hub Móvel na Quebrada chega ao CEU Paraisópolis – Professora Marisa Motta, na zona sul de São Paulo.
A programação será realizada entre os dias 20 de setembro e 22 de outubro de 2026, com atividades gratuitas de desenvolvimento de jogos, game design, programação, arte, animação e tecnologia.
As inscrições para o Curso Base já estão abertas no site oficial do projeto. São 40 vagas, destinadas a participantes a partir de 12 anos, incluindo jovens e adultos interessados em conhecer o processo de criação de um jogo digital.
O curso “Do Zero ao Game” acontece das 14h às 17h30, no CEU Paraisópolis. Além da formação principal, o projeto também oferece palestras, workshops e horários de acesso livre, permitindo que mais moradores da região conheçam a estrutura e tenham contato com computadores, videogames, jogos educativos e ferramentas de criação.
O Futuro Gamer chega a Paraisópolis após alcançar resultados expressivos nos três primeiros territórios. Desde o seu início, o projeto já reuniu 2.800 visitas registradas e mais de mil pessoas únicas atendidas em São Miguel, Perus e Uirapuru.
Os resultados já superam amplamente a projeção inicial de 300 beneficiários inicialmente previstos para os 12 meses. Antes mesmo de completar sua passagem pelos cinco territórios previstos, o projeto alcançou mais de três vezes a meta original.
Uma escola de games dentro da comunidade
Instalado em um caminhão adaptado com recursos de última geração, o Futuro Gamer funciona como uma escola móvel de criação de jogos digitais. A estrutura conta com computadores gamers, notebooks, tablets, consoles, softwares de desenvolvimento, equipamentos profissionais e uma área externa com telão para aulas, apresentações e atividades coletivas.
O espaço também possui rampa de acesso e sanitário adaptado, ampliando as condições de participação de pessoas com deficiência.
A proposta central é levar formação e tecnologia diretamente aos territórios periféricos. Em vez de exigir que os jovens atravessem a cidade para conhecer uma escola de games ou utilizar equipamentos profissionais, o projeto estaciona dentro dos CEUs, transformando esses equipamentos públicos em polos de formação tecnológica e economia criativa.
O Hub Móvel oferece uma introdução completa ao universo dos games. Durante as aulas, os participantes aprendem que desenvolver um jogo envolve muito mais do que programação. Envolvem também oportunidades em áreas como desenho, animação, roteiro, música, produção, comunicação, divulgação, gestão, modelagem, game design e criação de experiências interativas.
A intenção é mostrar que quem joga também pode aprender a criar, desenvolver, liderar projetos e contar suas próprias histórias por meio da tecnologia.
Formação gratuita e criação de jogos autorais
No Curso Base, os participantes percorrem as principais etapas de desenvolvimento de um jogo digital. A formação aborda concepção de ideias, narrativa, personagens, mecânicas, criação visual, construção de fases, programação e apresentação do projeto.
A metodologia é prática e foi desenvolvida para receber inclusive pessoas sem experiência anterior. Os estudantes começam com uma ideia e avançam até a construção de um protótipo jogável.
Ao final de cada ciclo, os projetos criados pelos alunos podem ser apresentados para uma banca formada por profissionais e convidados da indústria. Esse momento permite que os participantes mostrem seus trabalhos, pratiquem a apresentação de ideias e recebam orientações sobre possíveis caminhos no mercado de games.
Mais do que ensinar o uso de uma ferramenta, a formação procura desenvolver criatividade, trabalho em equipe, resolução de problemas, autonomia e capacidade de transformar uma ideia em um projeto concreto.
Uso Livre amplia o acesso da comunidade
Um dos grandes aprendizados dos primeiros meses foi a importância do Uso Livre. A modalidade permite que pessoas que não fazem parte do Curso Base também entrem no Hub, experimentem jogos e conheçam a estrutura.
Nos dados consolidados até 28 de agosto, aproximadamente 20% das participações estavam relacionadas às formações estruturadas e certificadas, enquanto cerca de 80% correspondiam ao Uso Livre e a outras ações abertas.
No CEU Uirapuru, a divisão foi semelhante: 22% das participações aconteceram em atividades de formação e 78% no Uso Livre e nas experiências abertas.
Os números mostram que as duas modalidades cumprem funções complementares. O Curso Base proporciona acompanhamento, aprendizagem continuada, certificação e produção autoral. O Uso Livre garante maior alcance, flexibilidade e uma primeira aproximação com o universo tecnológico.
Ao abrir as portas também para quem não conseguiu uma vaga no curso, o Futuro Gamer passou a funcionar como um equipamento comunitário de experimentação, convivência e inclusão digital.
Uirapuru confirma força do modelo
O ciclo realizado no CEU Uirapuru registrou 1.040 visitas e 389 pessoas únicas atendidas. Isso representa uma média de aproximadamente 2,7 visitas por participante, sinalizando que uma parcela do público retornou ao espaço e manteve vínculo com as atividades.
Das 1.040 participações, aproximadamente 229 aconteceram em atividades de formação e cerca de 811 estiveram ligadas ao Uso Livre e às demais experiências abertas.
O resultado consolidou o modelo do Futuro Gamer. Depois do movimento registrado em São Miguel e Perus, Uirapuru manteve um alto volume de participação e mostrou que a proposta pode ser adaptada e replicada em comunidades diferentes.
Agora, Paraisópolis será o quarto território a receber o caminhão, dando continuidade à circulação do projeto pelas periferias da cidade.
Inclusão que aparece nos números
Além do alcance geral, o Futuro Gamer vem apresentando resultados relevantes de inclusão e diversidade.
No levantamento acumulado até 28 de agosto:
- 49% das pessoas atendidas eram negras, diante de uma meta de 25%;
- 10% eram pessoas com deficiência, superando a meta de 5%;
- 4% eram pessoas trans, índice próximo da meta geral de 5%;
- 3% eram pessoas indígenas, diante de uma meta de 10%.
No Uirapuru, o projeto alcançou um resultado especialmente expressivo em relação à diversidade de gênero. Foram registradas 27 pessoas trans e não-binárias, representando 23% das inscrições no território. Isso significa que quase uma em cada quatro pessoas inscritas fazia parte desse público.
O resultado está relacionado a um trabalho deliberado de mobilização, comunicação, acolhimento e construção de um ambiente seguro. A experiência demonstra que a inclusão não acontece apenas com a abertura formal das inscrições: é necessário estabelecer diálogo com o território e criar condições reais para que diferentes públicos se sintam convidados a participar.
A chegada a Paraisópolis pretende aprofundar esse compromisso, mobilizando estudantes, famílias, pessoas com deficiência, população negra, pessoas indígenas, mulheres, pessoas trans, não-binárias e outros grupos ainda sub-representados nos setores de tecnologia e desenvolvimento de jogos.
Mais de mil pessoas alcançadas
A evolução dos indicadores aconteceu rapidamente. Até 28 de agosto, o projeto contabilizava mais de 2.000 visitas e 500 pessoas únicas atendidas. Em 11 de setembro, o balanço preliminar já apontava aproximadamente 2.800 visitas e mais de mil pessoas únicas.
Em cerca de duas semanas, o número de visitas cresceu aproximadamente 40%, enquanto o total de pessoas únicas ao menos dobrou.
A previsão inicial era atender 300 beneficiários diretos ao longo de 12 meses. Posteriormente, a expectativa ajustada para os cinco territórios ficou em aproximadamente 215 beneficiários. Com mais de mil pessoas únicas alcançadas ainda no terceiro ciclo, o projeto chegou a pelo menos:
- 333% da meta original de 300 beneficiários;
- 465% da expectativa ajustada de 215 pessoas;
- mais de três vezes o público inicialmente previsto;
- quase 2.800 participações antes da chegada aos dois últimos territórios.
Além do alcance direto, até 28 de agosto estimava-se que mais de 3.000 pessoas haviam sido impactadas indiretamente, considerando familiares, comunidades, escolas, organizações culturais e redes locais conectadas aos participantes.
Da posição de consumidor à de criador
O Futuro Gamer parte de uma constatação: durante muito tempo, as periferias foram vistas pela indústria de tecnologia principalmente como mercado consumidor. O projeto procura mudar essa relação ao apresentar seus moradores como criadores, profissionais e protagonistas.
O contato com equipamentos de qualidade também possui uma dimensão simbólica. Para muitos participantes, é a primeira oportunidade de utilizar um computador preparado para desenvolvimento de games, conhecer um software profissional ou conversar diretamente com alguém que trabalha na indústria.
Essa experiência pode ampliar a percepção de futuro e ajudar a romper a ideia de que determinadas profissões estão reservadas apenas a quem vive perto dos grandes centros ou possui condições de pagar por uma formação especializada.
Vale lembrar, no entanto, que o objetivo não é afirmar que uma formação introdutória, sozinha, resolverá todas as barreiras de entrada no mercado. Ela funciona como ponto de partida: desperta interesses, apresenta áreas profissionais, desenvolve habilidades iniciais e conecta os participantes a novas possibilidades de estudo, produção e trabalho.
Articulação entre poder público, mercado e território
O Futuro Gamer é uma iniciativa da Prefeitura de São Paulo, por meio da Spcine, empresa vinculada à Secretaria Municipal de Cultura e Economia Criativa. O projeto conta com apoio da Política Nacional Aldir Blanc de Fomento à Cultura, do Governo Federal, por meio do Ministério da Cultura.
A execução é realizada pela desenvolvedora brasileira Salve Games, em parceria com a aceleradora Geek Hub e a Leafbone.co, responsável pelo conteúdo e pela gestão acadêmica.
Os CEUs cumprem um papel essencial no funcionamento do projeto. Por serem equipamentos públicos já conectados à educação, cultura, esporte e vida comunitária, ajudam a aproximar o Hub das escolas, famílias, coletivos e lideranças locais.
A chegada do projeto a Paraisópolis representa mais uma etapa dessa articulação. A comunidade receberá a estrutura por aproximadamente um mês, antes de o caminhão seguir para o CEU Carrão, último território previsto no calendário de 2026.
Inscrições abertas em Paraisópolis
As inscrições para o Curso Base no CEU Paraisópolis estão abertas e podem ser realizadas gratuitamente pela internet. Não é necessário ter experiência anterior com desenvolvimento de jogos.
Além das vagas do curso, a comunidade poderá acompanhar a programação de workshops, palestras e atividades de acesso livre. Dessa forma, quem não conseguir entrar na turma principal ainda poderá conhecer o Hub e participar das demais experiências oferecidas ao longo do ciclo.
A chegada do Futuro Gamer a Paraisópolis não representa apenas a instalação temporária de computadores e videogames. É a abertura de um espaço onde jovens e adultos podem experimentar, aprender, criar e descobrir que também existe lugar para as periferias na construção do futuro tecnológico.