Empreendedorismo

Fórum no CEU Guarapiranga discute capital na periferia em 11 de novembro

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Ilustração: plateia sentada em cadeiras de plástico diante de um telão branco em um salão comunitário
Ilustração: plateia em encontro comunitário — Arte: JEP/Espaço do Povo

A 8ª edição do Fórum Negócios de Impacto da Periferia reúne empreendedores, organizações e investidores em 11 de novembro, das 15h às 21h, no CEU Guarapiranga, na zona sul de São Paulo. O evento é gratuito, presencial e exige credenciamento antecipado. A realização é da Articuladora de Negócios de Impacto da Periferia (ANIP) e da A Banca.

O tema desta edição é “Nada da periferia sem a periferia”. A programação discute a descentralização dos aportes financeiros e a conexão entre negócios periféricos e grandes compradores. Apoiam o encontro o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), a Fundação Arymax, a Fundação Tide Setubal, a RD Saúde, o Instituto Coca-Cola Brasil e a organização Be The Earth.

Ilustração: oficina de costura com máquina sobre mesa de madeira, tecidos dobrados em prateleiras e ventilador, porta aberta para a rua
Ilustração: pequeno negócio de costura na periferia — Arte: JEP/Espaço do Povo

Onde é o fórum e como se inscrever?

O CEU Guarapiranga fica na Estrada da Baronesa, 1120, no Parque Bologne, em São Paulo. A entrada é gratuita, mas a organização pede inscrição prévia na página do evento na Sympla. O CEU atende pelo telefone 11 3397-9550.

O que será debatido na programação?

A abertura, às 15h40, apresenta o panorama da economia de impacto periférica e os marcos do Programa ANIP BNDES Periferias, com Marcelo Rocha, o DJ Bola, um dos fundadores da ANIP. Das 16h às 17h, duas trilhas simultâneas tratam da nova economia de impacto e da diferenciação competitiva de soluções criadas dentro do território.

Às 17h05, a mesa “Dinheiro e Propósito: na periferia, essas não podem ser palavras rivais” analisa crédito sustentável e viabilidade econômica. O Café de Conexões, das 17h50 às 18h10, aproxima fundadores periféricos de gestores de fundos e de fundações corporativas. Às 18h10, o BNDES detalha as chamadas e os critérios de seleção; às 18h25, a conferência magna trata de cultura, governança e desenvolvimento territorial. O encerramento começa às 19h20, com intervenção cultural e encaminhamentos.

Qual é a chamada do BNDES e até quando se inscrever?

O BNDES recebe propostas do 6º ciclo do programa até as 17h de 4 de dezembro de 2026. Neste ciclo, a frente aberta é o BNDES Periferias em Rede, voltada a pessoas jurídicas de direito privado sem fins lucrativos. A instituição parceira é quem apresenta o projeto e responde pela relação com o banco; as organizações de base executam os subprojetos nos territórios.

Cada projeto precisa somar no mínimo R$ 20 milhões e reunir pelo menos dez subprojetos. Cada subprojeto fica entre R$ 500 mil e R$ 3 milhões, já incluída a contrapartida. As organizações de base devem ter atuação mínima de dois anos e estar formalmente constituídas no momento da seleção.

A participação do banco varia de 50% a 90% do valor total. O porcentual menor vale para a proponente cuja receita livre média anual, nos últimos três anos, supera o orçamento do projeto; nos demais casos, chega a 90%. As propostas são protocoladas apenas pelo Portal do Cliente do BNDES, e as dúvidas podem ser enviadas para o e-mail [email protected]. Uma oficina on-line de dúvidas sobre o 6º ciclo ocorre em 9 de novembro, das 15h às 17h. As regras estão na página do BNDES Periferias.

Painel: cada subprojeto do BNDES Periferias em Rede tem orçamento entre 500 mil e 3 milhões de reais
Faixa de valor de cada subprojeto — Fonte: BNDES

Quanto o banco já investe nas periferias?

O BNDES tem hoje 30 operações em favelas e comunidades urbanas, que somam cerca de R$ 226 milhões: R$ 159,4 milhões de recursos do banco e R$ 66,4 milhões de contrapartidas. As chamadas do programa receberam 308 propostas até agosto. Chamadas anteriores tiveram recortes próprios, como a de R$ 17,5 milhões dedicada a organizações de periferia.

Ana Costa, superintendente da Área de Desenvolvimento Social e Gestão Pública do BNDES, lembra que o BNDES Periferias foi lançado em março de 2024 e já passou por seis ciclos de chamada pública. Entre os territórios atendidos está o Jardim Ângela, o mesmo distrito do CEU que recebe o fórum. Nas 15 operações já contratadas ou aprovadas, os projetos alcançam pelo menos 122 favelas, com previsão de capacitar 11.303 empreendedores e de destinar R$ 18,8 milhões em capital semente a 4.340 empreendedores periféricos.

Quem são a ANIP e a A Banca?

A ANIP foi criada em 2018 em uma articulação da A Banca com a Artemisia e o Centro de Empreendedorismo e Novos Negócios da Fundação Getulio Vargas (FGVcenn). Em 2020, a entidade deixou o formato de aceleradora e passou a atuar como articuladora multissetorial, combinando qualificação de fundadores, produção de dados e conexão com o mercado financeiro. Entre 2018 e 2021, triou mais de 600 iniciativas, apoiou diretamente mais de 100 negócios de impacto e movimentou mais de R$ 1 milhão em capital, crédito e serviços técnicos.

A A Banca nasceu no fim dos anos 1990 como movimento comunitário na zona sul paulistana e se formalizou como associação sem fins lucrativos em 2008. Segundo a entidade, a trajetória inclui mais de 130 eventos públicos, 45 mil pessoas alcançadas e ações em mais de 25 escolas, com a cultura hip-hop na base do trabalho.

O que os organizadores dizem que falta?

Fabiana Ivo, gestora operacional da ANIP, aponta três gargalos para os negócios de impacto periféricos: criar pontes comerciais estáveis com grandes compradores corporativos, ampliar a capacitação técnica e garantir acesso a financiamento desburocratizado. Marcelo Rocha defende que o ecossistema supere a abordagem paternalista e trate os fundadores locais como tomadores de decisão, não como beneficiários de programas desenhados fora do território. Para quem não conseguir vaga no fórum, programas de aceleração como o Acelera Perifa, que abre vagas para negócios da quebrada, seguem outro caminho de apoio.

Redação Cria Brasil
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Redação Cria Brasil

Comunicador e colaborador do jornal Espaço do Povo, onde desde 2007 narra o cotidiano e as potências das favelas brasileiras.

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