A educação brasileira registrou avanços nos últimos 10 anos, mas ainda enfrenta problemas graves na qualidade do ensino e na evasão do ensino superior. A análise é da professora Tassia Cruz, da FGV Ebape – Escola Brasileira de Administração Pública e de Empresas, que conversou sobre a eleição presidencial e as propostas para o setor.
Os resultados do último Saeb (Sistema de Avaliação da Educação Básica) mostraram que o Brasil ultrapassou a meta estabelecida para os anos iniciais. Nos anos finais, a meta ainda não foi alcançada, mas houve crescimento consistente, principalmente em comparação ao período da pandemia, quando ocorreu queda em todo o mundo.
Tassia Cruz aponta que a baixa qualidade da educação básica não pode ser atribuída a um único fator. As crianças entram na escola vindo de contextos desafiadores, como violência fora ou dentro da escola, e os professores têm baixa qualificação inicial e poucas formações continuadas de qualidade. Os salários baixos em relação a outras profissões dificultam a atratividade da carreira docente.
A formação de professores está ocorrendo cada vez mais em instituições EAD (Ensino a Distância), o que é um problema porque essa formação complexa dificilmente ocorre de forma online. A professora defende que um docente precisa conhecer o conteúdo e a prática pedagógica para lidar com as questões de sala de aula. A dedicação a uma única escola também é apontada como essencial para a qualidade do ensino.
A expansão das escolas em tempo integral exige professores qualificados e outras atividades que garantam o aprendizado pleno dos estudantes. Tassia Cruz afirma que o Brasil precisa de políticas educacionais que garantam a qualidade da educação básica e a redução da evasão do ensino superior, já que a educação de qualidade é essencialmente humana e, portanto, cara.