As marisqueiras da Ilha de Deus, comunidade ribeirinha do Recife, enfrentam a redução drástica do sururu nos rios da região. Por isso, quem depende da coleta para sustentar a família sente o impacto direto no prato e no bolso.
Cíntia Alves, 49 anos, está entre as trabalhadoras que conhecem bem o ofício. Em certa ocasião, passou um dia inteiro na maré, grávida de nove meses do segundo filho. Depois, tirou a lama do corpo ao chegar em casa e seguiu direto para a maternidade.
Da mesma forma, a realidade de Cíntia se repete em outras casas da Ilha de Deus. Nessas famílias, muitas mulheres chefiam sozinhas a criação dos filhos com o dinheiro da catação.
Além disso, o sururu, molusco típico do mangue pernambucano, sempre sustentou famílias inteiras.
O molusco também é base da alimentação local e importante fonte de renda. Diante desse cenário, a queda na oferta preocupa quem vive da pesca artesanal.
Muitas trabalhadoras temem perder a principal atividade profissional que conhecem. Segundo reportagem do site Marco Zero Conteúdo, a escassez atinge catadoras experientes e jovens iniciantes.
Assim, um dia de trabalho com pouco sururu representa menos comida na mesa. Também significa menos dinheiro para comprar leite, gás e material escolar para os filhos.
Ao mesmo tempo, o desaparecimento do sururu revela a degradação ambiental dos manguezais metropolitanos. Poluição dos rios, mudanças nas chuvas e avanço urbano reduzem a reprodução do molusco.
Nesse contexto, a Ilha de Deus depende de políticas públicas de saneamento e proteção ambiental.
Somente dessa maneira, será possível preservar a pesca artesanal e o modo de vida local.