Criado a partir da retomada de uma tradição familiar em 1998, espaço cultural promove encontros, formação e valorização das raízes afro-brasileiras em Pernambuco.
No bairro do Guadalupe, em Olinda, o Centro Cultural Coco de Umbigada mantém viva uma tradição afro-brasileira que atravessa gerações, reunindo música, dança, educação e atividades comunitárias na Região Metropolitana do Recife.
A história da iniciativa ganhou força em 1998, quando a ialorixá, musicista e articuladora cultural Mãe Beth de Oxum e seu companheiro, Mestre Quinho Caetés, decidiram recuperar uma manifestação que havia permanecido adormecida por décadas.
A tradição era mantida pelos mestres coquistas João Amâncio e Zé da Hora, na comunidade de Paratibe, em Paulista, e foi retomada em Olinda com a participação de familiares e moradores.
O movimento deu origem à Sambada de Coco do Guadalupe, encontro que transformou as ruas do bairro em espaço de celebração da cultura popular. A manifestação reúne cantos, instrumentos de percussão, dança e participação coletiva, preservando conhecimentos transmitidos oralmente entre diferentes gerações.
Um espaço de cultura, educação e resistência
A atuação do Coco de Umbigada ultrapassa os encontros musicais. Reconhecida como Ponto de Cultura pelo Ministério da Cultura em 2004, a iniciativa passou a desenvolver atividades de formação artística, inclusão digital, comunicação comunitária e valorização da memória afro-brasileira.
Entre os projetos desenvolvidos estão oficinas de ritmos populares, ações educativas voltadas à juventude, iniciativas de tecnologia e produção audiovisual. O espaço também abriga experiências de comunicação popular, como a Rádio Amnésia, dedicada à divulgação da diversidade musical e cultural brasileira.
Essas atividades ajudam a aproximar crianças e jovens dos conhecimentos tradicionais, ao mesmo tempo que oferecem oportunidades de aprendizagem e participação na vida cultural da comunidade.
Tradição que atravessa gerações
Um dos principais símbolos dessa trajetória é a Sambada de Coco do Guadalupe, tradicionalmente realizada no primeiro sábado de cada mês. O encontro reúne mestres, mestras, músicos, dançarinos e moradores em uma celebração coletiva marcada pela força dos tambores e pela transmissão de saberes ancestrais.
A importância desse trabalho também está no reconhecimento de seus protagonistas. Em 2022, Mãe Beth de Oxum recebeu o título de Patrimônio Vivo de Pernambuco, reconhecimento de sua contribuição à preservação e à transmissão da cultura popular.
Mais do que preservar uma manifestação artística, o Centro Cultural Coco de Umbigada fortalece os vínculos comunitários e reafirma o protagonismo da população negra na produção cultural pernambucana.
Para quem deseja conhecer o espaço, a recomendação é acompanhar a programação divulgada pelo coletivo e confirmar antecipadamente as datas das sambadas, oficinas e demais atividades. A participação nos eventos deve respeitar as orientações dos organizadores e as tradições da comunidade.
O que você precisa saber
Bairro do Guadalupe, em Olinda (PE), na Região Metropolitana do Recife.
Sambadas de coco, apresentações de música e dança, oficinas culturais, atividades educativas e projetos de valorização da cultura afro-brasileira.
A Sambada de Coco do Guadalupe é tradicionalmente realizada no primeiro sábado de cada mês. As datas e os horários devem ser confirmados na programação oficial.
Os valores e as condições de participação variam conforme a atividade. Consulte previamente a organização sobre entrada, inscrições e eventuais contribuições.
Moradores, visitantes e interessados na cultura popular. Oficinas e projetos educativos podem ter públicos específicos e exigir inscrição.
A iniciativa ganhou força em 1998, com Mãe Beth de Oxum e Mestre Quinho Caetés. Reconhecida como Ponto de Cultura em 2004, preserva tradições e promove formação comunitária.
Consulte os canais oficiais do Coco de Umbigada e as divulgações culturais de Olinda para confirmar eventos, horários e orientações de participação.
Dica: Antes de sair de casa, confirme se haverá sambada ou outra atividade na data desejada. Respeite as orientações dos organizadores e as tradições culturais da comunidade.