Estudo inédito aponta que 199 hectares de São Paulo correm risco de deslizar e propõe “soluções baseadas na natureza” como alternativa mais eficaz e barata que as grandes obras de engenharia.
Um novo diagnóstico climático, lançado pela plataforma Natureza ON com apoio da Fundação Grupo Boticário, colocou no papel o que o morador do território já sente na pele, mas trouxe uma virada de chave importante. O estudo mapeou 199 hectares em São Paulo com risco de deslizamento, uma área equivalente a 277 campos de futebol. Desses, quase 39% estão em risco muito alto. Mas a novidade não é o problema, é a solução apontada: a engenharia pesada de concreto e piscinões está perdendo a vez para a tecnologia da própria natureza.
O mapa joga luz sobre um dado alarmante de segurança hídrica: 71% do território paulistano já opera em “risco médio” de abastecimento, enquanto a cidade continua impermeabilizada pelo asfalto (65% da área urbana é coberta por concreto e construções). O relatório é técnico e direto ao afirmar que continuar concretando rios e encostas não vai resolver. A aposta agora são as chamadas “Soluções Baseadas na Natureza” (SBN).
Tecnologia Verde no Território
Para as áreas de risco, o estudo sugere substituir os muros de arrimo frios pela restauração florestal inteligente. A técnica combina vegetação nativa com geotecnia para “costurar” o solo e regular a descida da água. Para as enchentes, a solução passa por espalhar “parques de bolso”, jardins de chuva e telhados verdes pelas periferias, criando esponjas naturais que absorvem a água onde ela cai, em vez de deixá-la correr destruindo tudo até a baixada.
Essa mudança de estratégia não é apenas ambiental, é econômica. Implementar jardins de chuva e recuperar nascentes dentro das comunidades gera uma nova cadeia de empregos locais, focada em “empregos verdes”. É a manutenção do território feita por quem vive nele, com técnica e remuneração, transformando áreas degradadas em ativos de proteção.
Segurança é Investimento, não Gasto
Os dados mostram que a vulnerabilidade não é um destino, é falta de infraestrutura adequada. Enquanto 23% da cidade, geralmente os bairros nobres e arborizados, tem baixo risco hídrico, a periferia árida sofre. O estudo comprova que trazer o verde de volta para a quebrada não é estética, é a infraestrutura de segurança mais eficiente que existe para os próximos anos.