Paraisópolis, São Paulo sábado, 29 de agosto de 2026
Bem Estar

Bosque ganha práticas de saúde natural, mas morador de periferia precisa de duas conduções para chegar

Father and son playing in the park at the sunset time. Happy family having fun outdoor
Imagem: Imagem de freepic.diller no Freepik

Quem mora na periferia e quer participar das aulas de medicina integrativa oferecidas no Bosque do Saber precisa pagar dois bilhetes de ônibus e enfrentar até 1h30 de viagem — cada sentido. O serviço é gratuito, mas não há linha direta que ligue os bairros periféricos ao parque, localizado na zona sul da cidade.

A iniciativa, promovida pela Secretaria Municipal de Saúde desde março, oferece yoga, meditação, fitoterapia e aromaterapia todas as terças e quintas, das 8h às 11h. A programação é aberta à população, mas as vagas são limitadas a 20 pessoas por dia e exigem inscrição presencial — ou seja, é preciso ir ao bosque para garantir a vaga.

Dona de casa e mãe de três filhos, Cláudia Ferreira, 38 anos, mora no Jardim das Rosas, área de periferia a 12 km do bosque. Ela conta que desistiu de participar após fazer as contas: “Gastei R$ 16 só de ônibus no dia que fui conhecer. Para quem vive de diária, isso é fora do orçamento”. O percurso exige trocar de ônibus no centro e andar mais 800 metros a pé até a entrada do parque.

A secretaria informou, por nota, que “o bosque foi escolhido por ser área de preservação ambiental e favorecer o contato com a natureza”, mas não respondeu se planeja criar pontos de ônibus extras ou linhas diretas nos dias de atendimento. O itinerário atual é o mesmo de sempre, sem adaptação para o novo serviço.

Para a auxiliar de limpeza Ana Paula Gomes, 42 anos, a distância é só parte do problema. “As aulas são de manhã, no horário que a gente está indo trabalhar. Quem tem carteira assinada não pode faltar”, diz. A maioria das vagas acaba sendo ocupada por aposentados e autônomos que têm flexibilidade de horário e dinheiro para o transporte.

Enquanto isso, postos de saúde da periferia não oferecem essas práticas. A secretaria diz que “estuda expansão para unidades básicas”, mas não há previsão de data nem lista priorizada de unidades. No fim, quem mais precisa de cuidados complementares — e tem menos dinheiro — continua sem acesso.

Como você se sente sobre isso?
Redação Espaço do Povo
ESCRITO POR

Redação Espaço do Povo

Comunicador e colaborador do jornal Espaço do Povo, onde desde 2007 narra o cotidiano e as potências das favelas brasileiras.

Ver todos os artigos de Redação Espaço do Povo →