A exposição “Fanon Revisitado”, em cartaz no Museu das Favelas, em São Paulo, virou disciplina de pós-graduação na USP. A turma começa em agosto e vai discutir como o racismo sobrevive em algoritmos, inteligência artificial e outras tecnologias emergentes. As inscrições estão abertas até 30 de junho e priorizam quem atua em escolas, unidades de saúde e organizações comunitárias.
A mostra reúne 20 obras de artistas periféricos que dialogam com as ideias de Frantz Fanon, psiquiatra e ativista negro que estudou os efeitos do racismo sobre a saúde mental. A disciplina será oferecida pelo Instituto de Estudos Avançados da USP em parceria com o Museu das Favelas. São 30 vagas, com 40% reservadas para pessoas negras e indígenas.
Os encontros acontecem quinzenalmente no período da noite, no Centro de São Paulo. A taxa de matrícula custa R$ 120 e pode ser parcelada. Quem se formar recebe certificado de especialização pela USP, um diferencial para concursos e progressões na carreira.
Além das aulas, os alunos vão produzir material educativo para levar de volta às comunidades onde atuam. A ideia é que as escolas, postos de saúde e centros culturais ganhem oficinas sobre racismo estrutural e tecnologia. O conteúdo será disponibilizado gratuitamente no site do Museu das Favelas.
A coordenadora pedagógica, a professora Ana Paula de Oliveira, explica que o curso pretende formar multiplicadores. “A gente quer que os participantes saiam daqui com ferramentas para desmontar o racismo no dia a dia, seja numa sala de aula ou numa consulta médica.”